sábado, 1 de outubro de 2011

Ateísmo: tipos

Sempre dizem que eles terminam cedendo na hora do juízo, nas últimas, mas a explicação é simples: no aperto, se apela até ao que não se acredita. Além disso, o ateu autêntico é apegado à dúvida, considera a possibilidade de estar errado. Assim, por que não manifestar essa incerteza na hora da morte? Ao contrário, muitos religiosos jamais põem em dúvida sua crença e, tranquilamente, vão com ela até o fim. É mais confortável. A fé não é para todos – eles pregam. O ateu contra-ataca: a fé é justamente a fuga da dúvida.

O debate é eterno, mas neste caso diz respeito aos tipos de ateus, a partir de um personagem cuja história é contada, e bem contada, pelo excelente dentista Halley Maroja. Existia na terra de Halley, Caruaru (se não exista, não vem ao caso), um farmacêutico que, todos os dias, colocava seu tamborete na porta farmácia, olhava pro céu e desafiava: “se Deus existe, que me jogue um raio agora em cima de mim”. Esperava alguns minutos e depois recolhia o baquinho. Saía fazendo muxoxos de desdém. Trata-se de um tipo de ateu muito específico, o que tem fé. Acredita piamente na não existência de Deus.

Há ainda o ateu por conveniência. No fundo acredita que existe alguma coisa mais além, uma energia, mas como a namorada é incrédula até a alma, ele adere, declara-se seu amor e sua descrença. Afinal, a tal energia não deve estar ai para punir ninguém. O fato de acreditar ou não acreditar nela não vai interferir em sua existência ou não existência. É só uma energia e pronto. Este é o ateu sem culpa.

O ateu em conflito é outra espécie. Também desprovido de fé, não acha plausível a existência de Deus, mas a constatação o deprime. O fato de a vida ser apenas isso aqui, e lamentavelmente pode ser mesmo, joga o homem numa parada existencialista que o leva à leitura de filósofos da Igreja, como Santo Agostinho e São Thomaz de Aquino. Com eles, não encontra conforto para suas angústias, mas gosta do estilo e pelo menos se arrumou com os intelectuais católicos e eles devem ter alguma influência com o Criador, na possibilidade remota de ele existir.

Por último, hoje, há o ateu militante. É metido em organizações ateístas de várias procedências e um brigão pelo estado laico. Alguns, não são apenas incréus. São contra Deus e até existência da idéia de Deus. Não leva em conta a possibilidade de estar errado e se o Supremo aparecer na sua frente, cercado de anjos, ele está pronto para convencer o próprio de sua inexistência.

2 comentários:

Blog Antonio Magalhães disse...

Creio que sou um ateu sem culpa que não recrimina quem acredita em Deus.Nunca quis convencer ninguém da minha descrença. E creio que os códigos de moral religiosos fizeram um bem para a humanidade. Quero viver em paz, como desejo o mesmo para quem tem fé. A passagem terrena já preenche minha vida. Não quero saber o sentido da vida e dispenso a proposta de vida eterna. Que minha passagem seja lembrada de forma positiva. Grande abraço. Tonico Magalhães.

Lula Falcão disse...

Também sou atéu. Mas imagine, Tonico, um mundo só de ateus. Que coisa mais chata.
abração

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