quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

O homem na caixa



“Primeiro inchou. Depois a pele dele ficou brilhante, mas quebradiça, como um leitão à pururuca - aparência crocante, escamas em formato de cheetos, creca de um corpo já passado dos setenta e coçava. Coçava e expelia uma nuvem de poeira, apesar dos cremes umectantes e dos banhos de óleo. Um dia ele caiu no banheiro e a cobertura quebrou-se, misturou-se à água, escorreu pelo ralo, dissolvida, uma sopa. Sobraram os órgãos internos, de aparência sadia, e uma cabeça em carne viva pedindo socorro. Chegaram a tempo de recolher o amontado – miúdos, músculos, a fáscia e o crânio, a rete mirabili, o osso occipital; a coluna solta, mexendo-se como duas centopeias entrelaçadas” (O cuidador).

Aquilo coube em uma caixa sem tampa – em cima, a cabeça; embaixo, o resto. Como manter viva tão intensa personalidade do nosso tempo? Houve sugestões, consultas a médicos, telefonemas para especialistas em diversas áreas. Por alguma razão, o homem não sentia dores, apenas incômodo e vergonha, pois estava mais nu do que nu, camadas a menos do nu. Pensava em terno e gravata, solenidades no Rotary, política e salvação da alma, caso contrário a vida não teria sentido. Ou teria? O homem que se preocupava com a imagem pública, descuidou-se da saúde. Por que não salvou a própria pele? Por que não deu atenção aos sintomas, muito raros, por sinal. Como exercitar a vaidade naquelas condições?

Pesava na morte, embora aquela consciência já fosse alguma coisa; não queria perdê-la, por enquanto. “Ainda sou eu”, disse ele a seu cuidador, em tom afirmativo, dentes simétricos no meio de um rosto em brasa. O cuidador acostumou-se “à forma da massa informe”, conforme escreveu anos depois, ao tornar-se escritor pouco lido e dado a jogos com palavras parecidas.   

Todos os cuidados com a assepsia foram tomados para o homem sem crosta e misteriosamente sem hemorragias. Um quarto especial, refrigerado, inteiramente branco, sem janelas e projeções de imagens agradáveis na parede: infância num bairro aristocrático, colégio interno, formação em Direito, discursos, opúsculos, viagens a convite de ditadores latino-americanos. Uma retrospectiva ao estilo Facebook, intercalada com projeções de textos integralistas de Gustavo Barroso, Miguel Reale e Plínio Salgado.

O cuidador não perdia a paciência, não perdia nenhum detalhe (anotava), não perdia o senso de oportunidade. Nem mesmo diante de exigências de seu patrão, aos gritos:
- Quero uma tampa decente – ordenava o homem de cara desencapado, com esse tom pedante, enquanto imaginava uma saída. Era preciso fechar a caixa, com buracos para a entrada do ar e saída da voz. Ele precisava falar, expor suas qualidades internas de cristão injustamente condenado àquele destino ou àquele acaso. Assim foi feito. No lado externo da caixa, o sinal que lhe daria identidade a partir de então: ∑. 

No entanto, ainda havia coisas a fazer e na ordem de preferências do homem em pedaços estava uma cadeira no Senado.

Desejo atendido por correligionários, curiosos e entidades de classe. Campanha difícil para um não intacto. Tudo pelas redes sociais: um pouco de sua história, uma candidatura a serviço da ordem e em nome de Deus.  A situação em que se encontrava, com preocupações muito práticas – “cadê meu pulmão esquerdo?”, por exemplo -, não lhe tirava a carência por votos, segundo relato do cuidador num livro chamado “O Cuidador”.

Um dia o sistema das duas caixas deixaria de funcionar, mas haveria a posteridade, um nome eterno na lembrança de seus compatriotas, caso não houvesse outro lado, o paraíso com sua promessa de eternidade, ou um inferno cercado por uma tampa de quilômetros e quilômetros. O importante veio de um eleitorado disposto a mudar. O homem que não aparecia na TV teve seu drama exposto em pequenos textos nas redes, explicando que seu estado não o impedia de servir à pátria, a Deus e à família.


quarta-feira, 7 de novembro de 2018

L.





L. gosta daquele momento, o de escrever uma coisa e depois dizer de si para si “que texto do caralho!”. Levanta-se da cadeira, volta, uma segunda lida e a expressão de contentamento, enquanto a mulher prepara o café solúvel. Três anos sem emprego e a vaidade continua intacta, mesmo quando a mulher reclama de sua preguiça na hora de lavar os pratos ou varrer a sala.  Neste tempo ainda há anúncios classificados no jornal.  Ela: “Eu vi que tem uma vaga de subeditor numa revista imobiliária". Jamais ele iria aceitar aquilo, imóveis; queria o suplemento de cultura do maior jornal da cidade, talvez do país, já ocupado por um jovem com doutorado em Yale.
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L. sente a indireta com a história do emprego – pobre coitada, pensa – e vai lá fora fumar um cigarro. Ela trabalha no tribunal, concursada, e ele deixou de participar do orçamento assim que acabou o fundo de garantia. Passa o dia escrevendo suas memórias romanceadas. Um dia ela se vê sozinha em casa, abre o computador, lê um pedaço e acha aquilo uma merda. Acha também que deveria ser mais clara, “olha, não vai dar etc.”, mas desiste porque não quer afetar uma pessoa tão próxima, um casamento de vinte anos, mesmo um casamento naquela fase em que cada um cuida de si. Apesar de tudo uma convivência a ser preservada, como se L. fosse um animal doméstico.  Baixa a tampa do laptop, um dos primeiros desse modelo, e dá fim ao velório do texto - cheio de interjeições, frases de efeito; as sacadas, como ele diz com frequência.
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Uma sensação estranha persiste, a cronologia precária - a sensação de que o tempo não passa como deveria.  O agora parece esticado ao máximo e o que deveria ter sido ainda é.  O tecido em que se encontra está parado; apenas se desloca no espaço, conforme ele supõe, baseado na Relatividade Geral. Sua mulher acha que L. precisa tomar remédio para uma síndrome que viu na Internet, capaz de provocar esse efeito indesejável, que é descobrir que o tempo é mesmo uma ilusão, e acostumar-se com isso. Apenas deslocar-se no espaço. Nem ontem, nem amanhã.
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L. só consegue escrever nas piores condições, como agora, diante de tanto aperto no coração, apesar dos comprimidos. Mas só escrever não funcionava. Queria ir à guerra, às últimas consequências, até descobrir que estava mal acompanhado nessa empreitada. Pelo menos em termos militares. A coragem brotou de uma vez na semana decisiva, em que o País poderia enveredar por um caminho turbulento, ou por coisa muito pior, e ele estava deposto a enfrentar o adversário em seu próprio campo. Mas a análise da situação, como fazia no Diretório Estudantil, deu-lhe o bom senso de ficar calado e voltar aos livros.
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L. surpreendeu-se ao receber uma advertência das autoridades. Queriam esclarecimentos sobre sua inadimplência com o erário de Salomão e mais ainda sobre um artigo que escrevera para uma publicação semiclandestina, classificado pelos censores do regime na categoria de “Contra Deus”. Tratava-se de um pequeno ensaio sobre coisas antigas, como o Estado laico, mas o comitê pentecostal não gostou. L. manteve a calma e ainda brincou consigo mesmo: “finalmente Deus encontrou um adversário à altura”. Na manhã seguinte, as seis em ponto, chegaram os Homens de Cristo, com seus fuzis automáticos.

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Urubus da Sala




Meu livro "Urubus da Sala" sairá pela editora Casa Forte Publishing, versão em inglês (Vultures in the living room), com bela tradução de Helena Cavendish. Enquanto isso, alguns pequenos contos já estão publicados em formato digital, um a um. Não é um procedimento usual, mas no ano que vem também haverá a edição em Português. Caso haja literatura no Brasil em 2019.



CASA FORTE PUBLISHING

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Mar de lama



O navio corre da terra que se dissolve no oceano e dá para ver a lama da proa e da popa. Pelo rádio, no último contato, informaram sobre a existência de um fenômeno ainda sem nome. A preocupação das autoridades era não criar pânico, mas isso foi há dois dias. Não se sabe se ainda há autoridades no continente e se ainda há continente. Pelo binoculo: tudo se passa devagar, um tsunami lento e pastoso movendo-se como no início dos tempos, em dois sentidos. Não temos a menor ideia para uma solução parcial do drama que nos envolve e pode mudar tudo. Em algum momento será preciso avisar aos passageiros que o porto de destino não existe mais – nem o de origem. A bordo, no entanto, o cruzeiro segue como cruzeiro e não como retirada de emergência: jogos no cassino, camas arrumadas, casais de idosos na última viagem.

O barco é imenso e os passageiros não sabem o que se passa. Quando embarcaram tudo estava normal. Para manter as pessoas longe do convés, foi anunciada uma falsa previsão de tempestade. O navio é seguro, mostram os folhetos, e há muita diversão a bordo. Todos na ponte de comando estão atentos e preocupados.

Adélia está em sua cabine. Olha pela escotilha e vê pássaros desorientados. Não há de ser nada. Não sabe sobre pássaros e suas migrações.  Pensa em Otavio, na noite anterior, e como são chatos os cruzeiros. Por que um homem estaria só, num transatlântico de 230 mil toneladas e 5.999 mil estranhos? 

O mar fica um pouco agitado, mas não balança o navio. As ondas de lama ainda estçao longe, lá atrás e lá na frente, mas temos vantagem sobre elas, ressaltou o comandante, pensando bem que aquilo poderia ser uma onda só e não duas. Em algum ponto se fecha em circulo e nos engole. Outro oficial pediu licença e perguntou até quando duraria a vantagem se aquilo vinha dos dois lados e quando e onde iria parar. O capitão coçou a testa, como faria num filme, e respondeu que mudará de curso para navegar entre os dois himalaias lamacentos. Na melhor das hipóteses, estaremos num fiorde.  Na pior, numa pororoca sólida, uma pasta do fim do mundo. Ele entende um pouco de Geologia.  

Sem comunicação com qualquer lugar do mundo, O navio solitário inclina-se para o Sul, sob um céu nublado. Os passageiros estão aqui para esquecer suas vidas em terra e não convém preocupá-los com notícias desagradáveis. O capitão olha o oceano, pergunta de si para si qual seria a textura dessa lama.

No último comunicado deu-se a informação de que o fenômeno não era localizado e indicou lugares agora inacessíveis, portos destruídos, cidades deslizando com a lava morna. Logo veio o ruído e depois o silêncio. Os passageiros ficaram sem internet. Mais uma vez, o comando culpou a tempestade no continente. Não havia previsão para a normalização do serviço. A maioria se conformou.

A tempestade que o comandante não esperava que viesse, e que mentira sobre ela, estava de fato, começando. Um ataque em dois flancos, entre a lama ainda distante e os tufões enormes de água. O transatlântico quase foi encoberto pela água, balançou, enquanto Adélia trata tudo isso como uma diversão. Suas amigas, nem tanto, pois mantém as mãos apertadas no varão da cama; rostos horrorizados.

Dada a iminência do desastre, Otavio e Adélia se reencontram por acaso, no corredor, e numa conversa subsequente – mais naturais e cúmplices do que no bar, na noite anterior -, desconfiam sobre o destino do navio e do público em geral. Sabem que é o fim ou algo parecido.  Decidem investigar, como fazem alguns passageiros de Os Prêmios, que Adélia leu na adolescência. Mas não investigam o navio. Os dois querem chegar ao convés para olhar o que se passa no céu e na água. Todas as portas estão fechadas.

Eles desconfiaram porque cruzaram com tripulantes e leram seus rostos. Uma oficial passou pelo corredor com uma pesada maquiagem que lhe cobria o pânico. Para Otávio, foi o choro de outro funcionário graduado. Chorava e tapava a boca com as duas mãos; os dedos subiam para enxugar as lágrimas.

Na ponte, a política muda. Nao há mais o que esconder. O comandante acaba de tomar a decisão de dirigir-se aos passageiros e contar o que está ocorrendo. A boa notícia: a onda gigante de lama havia parado. Solidificou-se do mar a muitos metros do chão, criando uma parede no horizonte, uma nova fronteira, entre os passageiros e os ex-continentes. Todos deveriam permanecer no navio que, por razões técnicas, iria lançar âncora ali mesmo e parar também.  Não adiantaria ir em frente sem saber se ainda há algo à frente. Voltar, a mesma coisa. A saída seria ficar parado, à espera de algum contato.

Alto-falantes anunciam que os passageiros receberão em suas cabines um comunicado sobre a situação. Todos pensam na tempestade, enquanto o comandante e um assessor de imprensa estão na ponte discutindo os termos do informe cujo ineditismo causa alguma dificuldade de redação. O que dizer? A paisagem mudou? Todos os parentes das pessoas podem estar mortos? Será dito apenas o que se sabe, ordena o comandante. Uma onda desconhecida, uma nova topologia, a montanha de barro nos dois lados - causada por fatores desconhecidos – e o fim da tempestade; apenas isso. A Internet continua fora do ar. A piscina será liberada.




sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Espera sem tempo



Samarone Lima 


Cada dia uma aventura, um infinito
O gosto de falar sozinho
De costas ao espelho que não existe

O infortúnio, a dor
A desigualdade das mãos
Resvalando em outras mãos
Que invento

Cada dia um sopro, um susto
Uma gargalhada que ecoa
Na memória do amor

E o não dito
O guardado
Fica como uma espera sem tempo
uma casa desabitada
com a memória dos passos
a marcar o chão


quarta-feira, 11 de abril de 2018

Fuzis



O pelotão de fuzilamento está a postos para a primeira execução do novo governo. Há um clima de festa na plateia e os telespectadores também poderão acompanhar o evento transmitido em cadeia nacional. Desde 1876, há 142 anos, não víamos uma morte pública, demandada pelo Estado, quando o negro Francisco foi enforcado no município de Pilar, em Alagoas. Agora, o método é outro. Belos fuzis importados abaterão o traidor da pátria e da família, um sujeito assustado e baixinho, acusado de escrever impropérios contra o governo. O povo apoia, é o que interessa, disse o novo presidente a uma imprensa já preparada para o espetáculo. Os patrocinadores são uma empresa de cosméticos e um banco.

Durante a semana, em chamadas regulares, a TV anunciou o fuzilamento com certa sobriedade. Mas aos poucos surgiram vinhetas mais animadas, como nos anúncios sobre futebol e Formula-1, pois a audiência tem sido acima do esperado. Nos telejornais, matérias com a família e amigos do futuro morto que, apesar de tristeza, viam na medida governamental uma forma inovadora de conduzir o país dentro de padrões de respeito à autoridade e preservação dos bons costumes. Não dava para ficar do jeito que estava, observou a mãe do réu, eleitora entusiasmada do regime recém-inaugurado. Numa demonstração de patriotismo, ela não chorou.


segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Procurando Carmen


Carmen desapareceu. Há uns anos venho percorrendo pistas por todos os meios, ali e aqui, e não há sinal de Carmen. Volto ao conjunto residencial e pergunto aos moradores mais antigos se se lembram de Carmen e nenhum se lembra.

Nada a respeito dela depois de trinta anos. Ninguém ouviu falar nem de longe e parecia não ser este o lugar a ser procurado porque o nome de Carmen sumiu da memória geral, assim, por encanto, e é um assombro que uma pessoa tão marcante seja esquecida desse jeito.
Carmen existe ou existiu. Alguns amigos se recordam dela, mas dizem que não a veem desde aquele tempo. Está numa foto. Cara tranquila e ansiosa ao mesmo tempo, pois só ela conseguia passar essas sensações ambíguas. Dá para perceber o início do gesto que ela faz para fugir do enquadramento, apressada, saindo do foco; não gostava de aparecer, não queria posar – achava falso. Usava óculos e gostava dos poucos amigos. Tomei por responsabilidade encontrá-la, embora sabendo que isso pode dar em decepção e desse modo estaria explicado porque ninguém notou a existência dela. Mesmo assim, sigo adiante, apenas com informações da memória. Na memória dos outros, preciso do ponto exato onde Carmen caiu no esquecimento e por que. Um problema: não sei o sobrenome de Carmen. 

Era tão crítica. Parecia uma dessas pessoas de hoje, meio sem esperança, mas achando-se interessante por achar isso. Num dia na praia, fim de tarde, coisas daquele tempo, Carmen era a primeira a notar o estereotipo da cena; tinha horror a lual e animações do gênero. Enquanto os outros se supriam daquilo como a essência da juventude, ela vinha com uma história sobre a geração perdida e grandes batalhas a travar.  Só que dizia essas coisas de um jeito muito terno, sem tirar o prazer de ninguém por estar chapado, olhando pro céu ou dando beijinhos.   

Carmen diria hoje, imagino, que procurar pessoas perdidas é um recurso meio manjado – lembraria “Detetives Selvagens”, de Roberto Bolaño -, mas em relação a Carmen talvez fosse diferente: ela também arrumaria uma maneira de dizer siga em frente, pode dar certo. Talvez sugerisse que eu fosse procurá-la de outro modo, sem a preocupação encontrá-la, como pode ser o caso de agora. Uma vez ela disse que só processo existe; o resto (incluindo poder e glória) é pura ilusão.

Meu último registro é sua forte irritação. Implicava demais com avisos e ditos populares e frases em geral e corrigia a caneta comunicados do condomínio. “Por que Deus dá o frio conforme o cobertor? Por que não dá o cobertor conforme o frio?”. Éramos grudados numa época em que parecia estranho um cara sair todo dia com a mesma menina e não acontecer nada entre eles. As distrações eram outras, o universo e suas histórias, teorias mal ajambradas sobre tudo e a recorrente marcação de Carmen em cima de um mundo do qual ela discordava de quase tudo. 

Apesar disso, quando estava certa tinha um charme benevolente. Nunca usou “eu não disse?!”. Aliava-se ao contraditor, ajudando-o a encontrar uma saída honrosa. E era muito bonita para ser esquecida de uma hora para outra. Nunca usou a beleza em proveito próprio, mas aí acabava despertando outras belezas e até certa dose de autoridade. Fomos seus amigos e seguidores. Uma rara turma com uma mulher no comando.

O que mais impressionava era a honestidade que passava ao falar sobre qualquer assunto. Podia não saber exatamente o que era, mas aos poucos ia montando o que dispunha para enfim apresentar um palpite interessante. Às vezes uma ideia. Foi a primeira pessoa que me falou sobre ondas gravitacionais e outras coisas que na época eram apenas especulação. Carmem entendia de Física de Partículas, lia Rosa Luxemburgo e gostava de futebol.