terça-feira, 10 de dezembro de 2019

A reforma



Deslizou o envelope sob a mão, sobre o mármore, mas não era para disfarçar. Todos sabiam dos pagamentos em dinheiro vivo. Ele só queria sentir o conteúdo. Pelo som de arrastar o papel saberia quanto teria no bolso, daqui a pouco, e poderia enfim pagar as dívidas contraídas com terceiros para executar o serviço. Muitas vezes a cena se repetiu e ele aprendeu a ler o conteúdo sem vê-lo. Notas de mil dólares, recém-chegadas à praça com a nova reforma econômica, provavelmente vinte e cinco mil. Daria para ficar com vinte ou dezessete. Matar determinadas não era mais uma novidade e a mão de obra excedente fez os preços baixarem. Com o fim de tantos empregos e tantas profissões, o assassinato por encomenda ganhou um peso considerável nos índices de emprego informal. Também era um trabalho sem grandes riscos porque a polícia estava instruída a não mexer nesses casos e recebia sua parte por isso.

- Trabalho à noite. Atiro nos alvos predeterminados. A bala alojada envia os dados para não sei onde e logo volta a informação. Recebo o OK e sigo em frente. O próximo é um homem magro e assustado, conforme vejo a três metros de mim e, agora, ainda mais assustado, depois do tiro. Chego. Ele ainda olha. Quer fazer uma pergunta e eu fico querendo saber o que seria, mas não dá tempo. A gente recebe por pontuação. Errar, menos cinco pontos. Não resolver da primeira vez, perde entre 2 e 5. A produtividade conta muito.

Depois do trabalho ele vai ao mesmo lugar de sempre. Uma casa de sucos dentro da igreja, num corredor de pequenos quiosques que vendem armas, bíblias, gift cards de dízimos e salvos-condutos para andar na rua depois das 22h.  Ali também expedem comprovantes de renda para empreendedores de pequenos negócios, atestados médicos e uniformes militares. Mais adiante, no final do corredor, há uma clínica de esterilização mantida pelos religiosos. A casa de sucos não vende café nem álcool, por força de lei federal. Conversa com colegas sobre o trabalho, erros e acertos, pontuação e estatísticas.

- Um dia isso vai acabar. Os recursos são finitos, pessoas pobres são finitas e a questão da pobreza que enfrentamos há anos está quase resolvida. Todos que restam já estão cadastrados – desajustados sem renda, saudosos da velha ordem e falsos profetas. Uns fogem, mas não têm onde se esconder; a maioria espera sua hora, com calma e entendimento do processo.       


terça-feira, 11 de junho de 2019

A barata




Uma barata passeia livremente dentro do apartamento sem móveis e nem liga para a presença do homem deitado, nu, no meio da sala; vez por outra, como um animal amestrado, a barata passa por cima do corpo e faz pequenas piruetas em torno do umbigo do homem.

O homem se levanta, respira fundo, e vai para o saco de dormir no quarto, sentindo-se também uma barata, igual no livro, embora Metamorfose não seja sobre um inseto especifico. Agora, ela também está no quarto, circula como Fred Astaire nos rodapés e emite um som melancólico de seus espiráculos; bastava um microscópio e veríamos um olhar expressivo e solidário com o homem.

O apartamento precisa ser desocupado. Despejo. A barata parece saber disso e comporta-se quase como um cachorro lamentando por seu dono. O homem percebeu, mas olha a barata pensando em outras coisas, o fim do emprego, o fim de todos os empregos possíveis para alguém que faz uma tarefa que não existe mais.
E pensa no tempo do emprego

- Lembra-se do tempo dos empregos? – diz o homem à barata -.Tive uns.  Bastava ter ginásio completo e curso de datilografia. Logo uma colocação no serviço público. Eu gostava das máquinas de escrever. Quando chegava ao fim da linha, eu rolava o cilindro de volta como quem recarrega uma arma, e repetia o mesmo gesto muitas vezes e era bonito quando todos no escritório estavam em sincronia; parecia uma orquestra. Eu preferia o barulho surdo das teclas sobre papeis intercalados de carbono. Quanto mais cópias, mais surdo o barulho. Quanto mais força, mais as letras chegavam mais nítidas à última folha.  Às vezes o chefe aparecia para perguntar quem datilografou isso aqui e reclamava ou dizia meus parabéns. Aprendi num curso noturno. ASDFG até pegar prática, até escrever sem olhar para a máquina, até conseguir usar os cinco dedos.

Bons tempos – exclamei à barata.

A lei

Pensando por esse lado eu cometo crimes porque a vida é curta e não adianta viver na merda durante cem anos se for tudo igual todo dia e mais à frente a gente vai perceber que não viveu nada.  Então eu roubei e fui preso. Nem liguei. Estava previsto. O que tinha sido bom foi muito bom no momento do ocorrido. Valeu a pena andar como rico por mais de dez anos e agora sei como funciona tudo lá em cima. Primeiro eu quis todos os objetos e tive. Depois comprei algumas pessoas; umas de modo suave, outras explicitamente.  Quanto custa? É tanto. Vamos nessa. Se estiverem pensando em prostitutas ou políticos, estão errados. São outros profissionais, gente dos poderes, aos quais meus negócios ilegais interessam.  Gostam como a coisa é feita. Sem sair de casa. Pelos computadores. O programa é bom, os nomes somem, enquanto o dinheiro chega ao destino livre desses intrusos nos negócios - a polícia, por exemplo. Com facilitações adequadas, cada um pega a sua parte. Eu compro, mas ganho ainda mais, pois só investi nisso a vontade de fazer. Não tenho culpa porque só roubo quem já tem muito, embora os clientes, na maioria dos casos, também tenham muito e às vezes mais. Uns roubam os outros por meu intermédio, no mercado de capitais, e se agora me encontro privado da liberdade, tenho o espírito livre para criar outras maneiras de burlar a bolsa de valores e outros grandes templos do capital. 

Cada um vive do jeito que quiser e embora alguém possa considerar que o mesmo não vale no meu caso, uma situação ilícita, na maior parte das vezes, pelo menos, eu respondo que as leis mudam com o tempo – o que vale hoje, não vale amanhã – e que se a própria justiça funciona desse jeito, deixando uns crimes de lado e acrescentando outros, eu também posso estar sujeito a oscilações; posso inclusive levar em conta que tenho o direito de me arrepender, devolver o dinheiro reclamado, ou o que sobrou. Nessas horas, quando tudo se encerra, tem que ter desapego. Devolva o que puder ajudar em sua libertação. Conheço o judiciário como a palma da mão, como se conhece o inimigo e procuro me antecipar, sem contar outras providências, de ordem mais prática e também muito mais caras.

O resultado é que consigo sair – sempre consegui –, mas saio quebrado em termos de finanças, em dívida com advogados e ainda devendo no ramo das “outras providências”, conforme disse. Saio e tento recomeçar a vida dentro dos padrões, tudo em dia. Só que a falta do que tinha e perdi me leva a querer de novo e vejo que os caminhos ditos legais são muito precários em remuneração, exigindo mais trabalho em troca de menos dinheiro. Então volto à cena, com outros truques e justificativas.  




segunda-feira, 15 de abril de 2019

Geometria




Eles caíam aos poucos, em câmara lenta, embora um observador pudesse vê-los caindo de uma vez - uma queda seguida do baque seco e finalmente corpos inertes no chão. Alguns se mexiam; outros, não. Quem caía, no entanto, experimentava um demorado suplício, e sem a aceleração própria da gravidade. Uma viagem vertical em que os pensamentos eram repassados como uma via sacra, compactando os piores momentos da vida, os maiores desatinos, a vergonha, o medo e a dor. Mas havia também um cotidiano, famílias, expedientes, contas a pagar e até o simulacro de um governo. Não estavam ali por vontade própria nem foram empurrados. Só estavam naquela situação e não havia como explicar por que caíam.

Durante a queda conseguiam manter contato com outros cadentes de longo prazo. Questionavam a razão de estarem ali e estavam certos de não tratar-se de um simbolismo sobre a existência ou algo parecido. Era um acontecimento físico e envolvia centenas, talvez milhares, de seres desinformados. Um fenômeno recente da natureza em contradição com certas leis estabelecidas. Sabiam que não estavam num precipício – era uma queda em si, feita sob medida para determinadas pessoas, como um castigo ou um destino. Os observadores, por sua vez, estavam igualmente espantados. Tanto por verem tanta gente nessa trajetória quanto por temerem que eles também pudessem desabar de uma hora para outra. O mundo, naquela época, basicamente era isso. Os que caiam e os que observavam. A instabilidade, portanto, afetava todos.

No meio da queda havia tempo e espaço para refletir sobre aquilo. Nenhuma explicação razoável, mas tentativas de encontrar uma saída – a interrupção da queda, o despertar de um pesadelo, a revelação de que tudo não passava de uma brincadeira – uma pegadinha da TV, embora muitos já estivessem acostumados à queda e procuravam levar a vida como se nada demais estivesse acontecendo. Despertavam, no entanto, quando vinham as partes mais difíceis do processo: pesadelos vívidos e realidade num só bloco, situações tão assombrosas que faziam o sonhador preferir voltar à queda regular do dia a dia.

A velocidade era igual para todos na mesma linha de queda e nesse ritmo as mesmas coisas e pessoas estavam num mesmo plano, como a banca de revista, que cai junto com a mulher que compra um jornal, sendo que mais adiante – ou mais embaixo, que seja – não existem mais jornais nem revistas.


domingo, 3 de fevereiro de 2019

Armas



Não fazer gestos bruscos porque se fizer eles disparam. Também nos instruíram a não emitir opiniões divergentes, em qualquer língua, pois se atiram a esmo, por nada, podem muito bem atirar numa pessoa capaz de contrariá-los. Portanto, não se pode falar sobre determinados assuntos e muitos preferem ficar em casa – deixam até de ir ao trabalho -, com medo das armas engatilhadas na cidade.  Apertam o gatilho por qualquer coisinha.

Portanto, levantar dados sobre o país tem sido uma tarefa complicada. O fato de ser estrangeiro ajuda, mas ser jornalista atrapalha. O rapaz com um rifle de assalto Heckler e Koch - calibre de 5,56 mm e alcance de 600 metros - foi o que pareceu mais amistoso e, após cautelosas tentativas de aproximação dispôs-se a falar, mas exclusivamente sobre armas. Nada de política, disse.

Ele não está inteiramente satisfeito com o equipamento atual. Espera um financiamento do governo para adquirir uma metralhadora MG3 - calibre de 7,62 mm, alcance efetivo de 1200 metros, 1000-1300 tiros por minuto, conforme o manual de instrução na Internet.  Seu rendimento, porém, tem sido elogiado com a Hecker e Koch. Matou 26 no mês passado, quase todos vadios e viciados, segundo ele.

No final do dia, ele e seus amigos se reúnem em um bar para comentar as ações do dia, as estatísticas, o desempenho de cada um e a chance de obter uma promoção, talvez um patrocínio. É preciso aproveitar as oportunidades.  

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

O homem na caixa



“Primeiro inchou. Depois a pele dele ficou brilhante, mas quebradiça, como um leitão à pururuca - aparência crocante, escamas em formato de cheetos, creca de um corpo já passado dos setenta e coçava. Coçava e expelia uma nuvem de poeira, apesar dos cremes umectantes e dos banhos de óleo. Um dia ele caiu no banheiro e a cobertura quebrou-se, misturou-se à água, escorreu pelo ralo, dissolvida, uma sopa. Sobraram os órgãos internos, de aparência sadia, e uma cabeça em carne viva pedindo socorro. Chegaram a tempo de recolher o amontado – miúdos, músculos, a fáscia e o crânio, a rete mirabili, o osso occipital; a coluna solta, mexendo-se como duas centopeias entrelaçadas” (O cuidador).

Aquilo coube em uma caixa sem tampa – em cima, a cabeça; embaixo, o resto. Como manter viva tão intensa personalidade do nosso tempo? Houve sugestões, consultas a médicos, telefonemas para especialistas em diversas áreas. Por alguma razão, o homem não sentia dores, apenas incômodo e vergonha, pois estava mais nu do que nu, camadas a menos do nu. Pensava em terno e gravata, solenidades no Rotary, política e salvação da alma, caso contrário a vida não teria sentido. Ou teria? O homem que se preocupava com a imagem pública, descuidou-se da saúde. Por que não salvou a própria pele? Por que não deu atenção aos sintomas, muito raros, por sinal. Como exercitar a vaidade naquelas condições?

Pesava na morte, embora aquela consciência já fosse alguma coisa; não queria perdê-la, por enquanto. “Ainda sou eu”, disse ele a seu cuidador, em tom afirmativo, dentes simétricos no meio de um rosto em brasa. O cuidador acostumou-se “à forma da massa informe”, conforme escreveu anos depois, ao tornar-se escritor pouco lido e dado a jogos com palavras parecidas.   

Todos os cuidados com a assepsia foram tomados para o homem sem crosta e misteriosamente sem hemorragias. Um quarto especial, refrigerado, inteiramente branco, sem janelas e projeções de imagens agradáveis na parede: infância num bairro aristocrático, colégio interno, formação em Direito, discursos, opúsculos, viagens a convite de ditadores latino-americanos. Uma retrospectiva ao estilo Facebook, intercalada com projeções de textos integralistas de Gustavo Barroso, Miguel Reale e Plínio Salgado.

O cuidador não perdia a paciência, não perdia nenhum detalhe (anotava), não perdia o senso de oportunidade. Nem mesmo diante de exigências de seu patrão, aos gritos:
- Quero uma tampa decente – ordenava o homem de cara desencapado, com esse tom pedante, enquanto imaginava uma saída. Era preciso fechar a caixa, com buracos para a entrada do ar e saída da voz. Ele precisava falar, expor suas qualidades internas de cristão injustamente condenado àquele destino ou àquele acaso. Assim foi feito. No lado externo da caixa, o sinal que lhe daria identidade a partir de então: ∑. 

No entanto, ainda havia coisas a fazer e na ordem de preferências do homem em pedaços estava uma cadeira no Senado.

Desejo atendido por correligionários, curiosos e entidades de classe. Campanha difícil para um não intacto. Tudo pelas redes sociais: um pouco de sua história, uma candidatura a serviço da ordem e em nome de Deus.  A situação em que se encontrava, com preocupações muito práticas – “cadê meu pulmão esquerdo?”, por exemplo -, não lhe tirava a carência por votos, segundo relato do cuidador num livro chamado “O Cuidador”.

Um dia o sistema das duas caixas deixaria de funcionar, mas haveria a posteridade, um nome eterno na lembrança de seus compatriotas, caso não houvesse outro lado, o paraíso com sua promessa de eternidade, ou um inferno cercado por uma tampa de quilômetros e quilômetros. O importante veio de um eleitorado disposto a mudar. O homem que não aparecia na TV teve seu drama exposto em pequenos textos nas redes, explicando que seu estado não o impedia de servir à pátria, a Deus e à família.


quarta-feira, 7 de novembro de 2018

L.





L. gosta daquele momento, o de escrever uma coisa e depois dizer de si para si “que texto do caralho!”. Levanta-se da cadeira, volta, uma segunda lida e a expressão de contentamento, enquanto a mulher prepara o café solúvel. Três anos sem emprego e a vaidade continua intacta, mesmo quando a mulher reclama de sua preguiça na hora de lavar os pratos ou varrer a sala.  Neste tempo ainda há anúncios classificados no jornal.  Ela: “Eu vi que tem uma vaga de subeditor numa revista imobiliária". Jamais ele iria aceitar aquilo, imóveis; queria o suplemento de cultura do maior jornal da cidade, talvez do país, já ocupado por um jovem com doutorado em Yale.
-.-
L. sente a indireta com a história do emprego – pobre coitada, pensa – e vai lá fora fumar um cigarro. Ela trabalha no tribunal, concursada, e ele deixou de participar do orçamento assim que acabou o fundo de garantia. Passa o dia escrevendo suas memórias romanceadas. Um dia ela se vê sozinha em casa, abre o computador, lê um pedaço e acha aquilo uma merda. Acha também que deveria ser mais clara, “olha, não vai dar etc.”, mas desiste porque não quer afetar uma pessoa tão próxima, um casamento de vinte anos, mesmo um casamento naquela fase em que cada um cuida de si. Apesar de tudo uma convivência a ser preservada, como se L. fosse um animal doméstico.  Baixa a tampa do laptop, um dos primeiros desse modelo, e dá fim ao velório do texto - cheio de interjeições, frases de efeito; as sacadas, como ele diz com frequência.
-.-
Uma sensação estranha persiste, a cronologia precária - a sensação de que o tempo não passa como deveria.  O agora parece esticado ao máximo e o que deveria ter sido ainda é.  O tecido em que se encontra está parado; apenas se desloca no espaço, conforme ele supõe, baseado na Relatividade Geral. Sua mulher acha que L. precisa tomar remédio para uma síndrome que viu na Internet, capaz de provocar esse efeito indesejável, que é descobrir que o tempo é mesmo uma ilusão, e acostumar-se com isso. Apenas deslocar-se no espaço. Nem ontem, nem amanhã.
-.-
L. só consegue escrever nas piores condições, como agora, diante de tanto aperto no coração, apesar dos comprimidos. Mas só escrever não funcionava. Queria ir à guerra, às últimas consequências, até descobrir que estava mal acompanhado nessa empreitada. Pelo menos em termos militares. A coragem brotou de uma vez na semana decisiva, em que o País poderia enveredar por um caminho turbulento, ou por coisa muito pior, e ele estava deposto a enfrentar o adversário em seu próprio campo. Mas a análise da situação, como fazia no Diretório Estudantil, deu-lhe o bom senso de ficar calado e voltar aos livros.
-.-
L. surpreendeu-se ao receber uma advertência das autoridades. Queriam esclarecimentos sobre sua inadimplência com o erário de Salomão e mais ainda sobre um artigo que escrevera para uma publicação semiclandestina, classificado pelos censores do regime na categoria de “Contra Deus”. Tratava-se de um pequeno ensaio sobre coisas antigas, como o Estado laico, mas o comitê pentecostal não gostou. L. manteve a calma e ainda brincou consigo mesmo: “finalmente Deus encontrou um adversário à altura”. Na manhã seguinte, as seis em ponto, chegaram os Homens de Cristo, com seus fuzis automáticos.

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Urubus da Sala




Meu livro "Urubus da Sala" sairá pela editora Casa Forte Publishing, versão em inglês (Vultures in the living room), com bela tradução de Helena Cavendish. Enquanto isso, alguns pequenos contos já estão publicados em formato digital, um a um. Não é um procedimento usual, mas no ano que vem também haverá a edição em Português. Caso haja literatura no Brasil em 2019.



CASA FORTE PUBLISHING