terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Cidades



Sinto certa urgência de partir. Ainda não desfiz a mala e já corro os olhos pela estrada, sonhando com a volta. Vim por necessidade e por necessidade devo dar a viagem por vista, encerrá-la enquanto é tempo, enquanto destino e origem não se misturam.

Oscilar entre cidades – quero uma, quero outra – tem sido meu principal movimento nesses anos e gostaria mesmo era poder orbitar as duas sem precisar percorrer o espaço intermediário, como uma partícula; ser vários ao mesmo tempo. Sairia mais em conta, nas atuais circunstâncias, e estou cansado desse vaivém, desse bate e volta - meio essencial, meio sem sentido.

Talvez fosse a hora de uma terceira opção – um lugar estranho, sem conhecidos, quem sabe até outro tempo, já passado ou a vir, alguma saída impossível, pelo menos por ora. Trancado em qualquer canto, recolhido, não importa; bastavam três refeições e uns livros. 

Tenho duas cidades na ponta da língua, na palma da mão e não tenho nenhuma delas.  Minha casa pode estar na viagem, no processo, no espaço instável entre ida e volta. 

Um comentário:

Hellen Ramos disse...

Me encontro nesse impasse há um tempo

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