sábado, 29 de maio de 2010

Sorte, humor, anos 70 e Tié

Quando as coisas se complicam demais, a saída é fazer igual ao senador José Sarney, em sua coluna da Folha de S. Paulo – refugie-se num tema bem distante da realidade, especialmente bem longe da política nacional. É este o caso agora. Saindo pela tangente dos grandes hits da semana - acordo do Irã, Lula, Hillary, cocaína da Bolívia, Golfo do México, campanha eleitoral, Copa do Mundo e o Maranhão de Sarney (olha ele aqui de novo) – vamos a assuntos que não foram notícia nos últimos dias.

Sorte e humor – O historiador Paul Johnson afirma em “Os Heróis” (editora Campus) que a importância da sorte, como do humor, na política, não foi investigada. “Mas é crucial”, diz ele. Segundo Johnson, uma das pessoas que mais deram sorte nessa arena foi Margareth Thatcher. Além de gozar de excelente condição de saúde durante seu mandato, chegou à liderança do Partido Conservador graças ao fato de o candidato natural, Keith Joseph, ter amarelado na hora de concorrer. Como candidata de emergência, mesmo assim venceu fácil. Daí em diante, só golpes de sorte. Quanto ao humor, o historiador escolheu como personagem o homem que deu nome a uma era, Ronald Reagan. Qualquer outro político teria caído no ridículo com suas piadinhas, mas ele não. Pelo menos não nos EUA. Odiado por muitos mundo afora, deixou duas frases engraçadas que revelam seu método de fazer política a partir de um repertório baseado em metáforas e analogias, como o presidente Lula: “os economistas são pessoas que veem uma coisa funcionando na prática e se perguntam se funcionaria em teoria” e “não estou preocupado com o déficit público. Ele já está bem grandinho para cuidar de si mesmo”. Deu no que deu, mas Reagan conseguiu entrar para a história sem a aura patética que ele mesmo criou para si.

Anos 70 – Os anos 70 morreram, mas passam bem, como diz o ditado. Alguns dos que foram jovens naquela década hoje têm poder de influência política e cultural. É uma das explicações de uma amiga para o retorno dos rapazes e moças de hoje a um tempo já tão distante. Não sei se tal volta ao passado existe, mas na semana passada, numa festa quase juvenil, só se ouvia Pink Floyd e Novos Baianos. Não é só na música. Na moda também, dizem os especialistas. Pantalonas, estilo hippie, e o colorido do tié dye dos 70 fazem um tremando sucesso. A idéia é pegar esses elementos e modernizá-los, montando produções elegantes e glamorosas. Outros sinais: filmes pornô com história, o reencontro do Abba, o clima de guerra fria, Wilson Simonal e a discussão nuclear. Falta só a Rose Di Primo.

Uma cantora – a linda paulistana Tié, de 28 anos, ainda pouco conhecida do público. Vê-la cantando “Desculpe o Auê", de Rita Lee, com jeitinho folk, foi uma das experiências mais doces deste século.


@_lulafalcao

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