<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283</id><updated>2012-02-11T18:01:26.997-08:00</updated><category term='convidado'/><title type='text'>lula falcão</title><subtitle type='html'>Jornalista e escritor, atuou em algumas das principais redações do País – O Globo, Veja e o Estado de S. Paulo. É co-autor de Frevo – 100 anos de Folia e autor de Todo dia me Atiro do Térreo (ficção).</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>h.koblitz.e</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17687391587371211794</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://2.bp.blogspot.com/_K81KOKvT2tQ/SUVlYbxJDrI/AAAAAAAAAjM/qnBAXaWUbEQ/S220/Picture+073.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>197</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-2008609530071555133</id><published>2012-02-11T13:26:00.000-08:00</published><updated>2012-02-11T18:01:27.006-08:00</updated><title type='text'>A terapia do precipício</title><content type='html'>Segui seus passos até o precipício. Ela ainda se encontra lá, relutante, observando a profundidade do buraco e planejando um salto com compostura. Cerca de 100 metros para completar o serviço. Estou bem atrás, conforme as instruções, e mantenho uma inesperada calma; acho que ela não pula e se pular cumpre-se uma etapa. Vale informar que não é a primeira vez. Tornou-se um ritual. No fim ela volta, chora, e passa meses de bem com a vida. Até uma nova crise. Os medicamentos não funcionaram. Só a beira do precipício tem dado resultados – mesmo assim, temporários. Quase duas horas de espera. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, alterno atenção com descaso. Leio um jornal, o caderno de esportes, mas logo volto as vistas para seu corpo  perfeito e para o outro lado do Canyon. A combinação é não dizer uma única palavra. Apenas espero pela decisão. O tratamento é de risco, mas o único. Se não vier aqui se tranca no quarto por uns três dias e, depois disso, começa a bater a cabeça contra a parede. Já teve concussões graves e fraturou o crânio. Nenhuma entidade, privada ou pública, pôde cuidar dela nessas situações. Então viemos para cá e, como sempre, aguardo com otimismo. Não haverá salto; ela só quer olhar, pensar, alisar o cabelo para trás com as duas mãos, num sinal de desespero, e também de dúvida. O que fazer da vida? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A princípio não concordei com a terapêutica, mas é uma indicação psiquiátrica. Heterodoxa, eu sei, mas eficiente. Pelo menos, nesses intervalos, passamos dias felizes, vamos aos restaurantes e cinemas, bebemos todos os vinhos e trepamos com regularidade.  Quando sair dali, caminhando para meus braços, sei que será outra mulher. O desespero vai-se embora e ela recitará vários poemas com a cabeça deitada em meu colo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Digo que não, mas me preocupo. Se ela pular se sentirá ludibriada e depois não saberemos como reagirá. Ficará para sempre entre a demência e os golpes de cabeça contra a parede? Encontrará uma forma de morrer ou será curada com o susto? Lá embaixo, entre as duas margens do canyon, há uma imensa rede, forte e quase invisível.  Alpinistas estão a postos para resgatá-la – um deles é médico. Ela não tem conhecimento dessa logística. O tratamento, não previsto no plano de saúde, tem me custado os olhos da cara. Mas vale a pena.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-2008609530071555133?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/2008609530071555133/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2012/02/terapia-do-precipicio.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/2008609530071555133'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/2008609530071555133'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2012/02/terapia-do-precipicio.html' title='A terapia do precipício'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-2949119193842107344</id><published>2012-02-10T08:19:00.000-08:00</published><updated>2012-02-10T12:07:14.487-08:00</updated><title type='text'>Notícias</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-2uxHjc_gPG8/TzVE4kFsEvI/AAAAAAAAALs/eTKcEZzI-Yw/s1600/Bloco%2Bdo%2BNada.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-2uxHjc_gPG8/TzVE4kFsEvI/AAAAAAAAALs/eTKcEZzI-Yw/s320/Bloco%2Bdo%2BNada.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5707543841312871154" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;No Recife, o Bloco do Nada sairá na segunda-feira de carnaval (foto). Seus integrantes seguirão atrás de um estandarte branco, sem qualquer inscrição, desfilando no vácuo de outras agremiações, nos poucos espaços vazios da cidade. Teoricamente, o bloco não existe; é um pseudoproblema, segundo Kant. Mas é uma palavra e tem um hino.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-0-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história do homem oco começa no dia em que ele conseguiu dominar as técnicas da meditação transcendental. Esvaziou a mente, conforme as instruções, mas ocorreu um problema sério no processo. O homem não retomou seus pensamentos, que se foram para bem longe e não voltaram, deixando o pobre meditador inteiramente vazio de memória e incapaz de esboçar qualquer reação ao mundo real.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-0-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Tribunal de Justiça de São Paulo determinou a prisão domiciliar a um morador de rua detido em flagrante, acusado de furto. Deverá ser preso por não cumprimento da decisão judicial. Precisa de um sofá para sentar na Praça da república, abrir um jornal e tirar os chinelos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-0-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só agora, depois de três décadas, resolvi escrever. Do modo como ainda fazíamos no início dos anos 80: carta pelo correio. Não sei como você está e até o endereço comercial, capturado no Google, pode ser de outra Kathy, com o mesmo sobrenome, a mesma profissão. Vai assim mesmo, como garrafa ao mar. Em primeiro lugar, assumo: a culpa é minha. Sai dos EUA como quem sai para comprar cigarros e some. Saí da sua vida e de seus planos. Fugi do casamento direto para o aeroporto Kennedy. Chegou a hora decisiva: fazer balanços e pagar dívidas antigas ou acumular todas, ir empilhando, deixando para depois, depois e depois. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-0-&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Temos dinheiro de sobra para concluir o negócio, mas esperamos alguma compreensão de sua parte. Feche suas empresas e receberá um bom dinheiro por elas. Caso contrário, entramos pesado no mercado e quebramos vocês em menos de três meses”. A delicada explanação do diretor de vendas da grande empresa foi aceita sem hesitação pelo concorrente. Sem um pio. Ele confia no capitalismo e achou absolutamente normal o formato da negociação. Quisera estar no lugar do monopolista. Não estava. É a regra do jogo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-2949119193842107344?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/2949119193842107344/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2012/02/noticias.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/2949119193842107344'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/2949119193842107344'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2012/02/noticias.html' title='Notícias'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-2uxHjc_gPG8/TzVE4kFsEvI/AAAAAAAAALs/eTKcEZzI-Yw/s72-c/Bloco%2Bdo%2BNada.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-5545031101579106943</id><published>2012-02-05T17:17:00.000-08:00</published><updated>2012-02-07T10:51:05.379-08:00</updated><title type='text'>A inveja de si mesmo e a armadilha acadêmica</title><content type='html'>Há 20 anos atuamos no ramo da produção de teses de doutorado e mestrado, monografias e dissertações em geral. Por força da lei não entregamos trabalhos prontos. A encadernação, por exemplo, fica a cargo cliente. Mas temos uma gráfica rápida aqui do lado. Nessas duas décadas, colecionamos diversos cases em Ciências Humanas, nossa especialidade, e um dos textos mais originais, feito para uma universidade norte-americana, terminou virando um famoso e elogiado livro sobre o funcionamento das instituições. Não podemos declinar o nome do trabalho nem o do autor oficial, hoje reconhecido scholar nos EUA. Uma pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo numa fase de frustração de nosso pessoal. Como sócio-fundador da empresa tenho que segurar sentimentos difíceis de lidar. Vocês não sabem o que é enfrentar noites a fio debruçado sobre uma imensa bibliografia, compor um arrazoado de qualidade e depois vê-lo circular pelos meios acadêmicos sob outra assinatura. Um dos meus auxiliares mais profícuos, que nem curso universitário tem, anda deprimido. Quase coloca nosso empreendimento em risco, ao contar, durante uma bebedeira, suas façanhas sob a ótica de Webber. Aliás, gostamos muito desse modelo: alguma coisa sob a ótica de alguém. Funciona sempre. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também acompanhamos de perto os modos e modas da academia. Sabia que os franceses estão baixa? Agora é a vez dos americanos. É o que dizem até na Sorbonne. Em caso de dúvida, quando o cliente não tem a menor idéia do tema, sugerimos Hobbes, Leibniz, Durkheim, Locke e, obviamente, Webber. Normalmente, ele não sabe quem são, mas deixam por nossa conta. Na sequência, treinamos o sujeito para enfrentar a banca, na base da mnemônica, a vulgar decoreba. Muitos passaram com louvor e não é surpresa vermos um dos nossos ex-clientes na função de julgador supremo. Então, nesses casos, o pacto de silêncio torna a coisa ainda mais tranqüila. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Antes da Internet era um sufoco. Vivíamos em bibliotecas e a máquina Xerox moía durante as 24 horas do dia. Hoje, está tudo mais fácil, com o Google e o Google Acadêmico. O segredo é um cozido bem feito, com começo meio e fim, e não é raro usarmos nossas próprias teses como fonte de referência ou vermos teses de reconhecidos monstros sagrados da academia com trechos inteiros da nossa lavra.  Nessas ocasiões, sentimos orgulho e um pouco de autopiedade também. O anonimato é alma do negócio, mas uma alma sofrida. O ego precisa de seu alimento e ai entrei com um lema, tirado do panteísmo psicofísico do velho Spinoza: "Não Chore. Não se revolte. Compreenda." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que estou deixando estas linhas? É a vaidade, meus caros.  O lema spinoziano é uma armadilha para o cliente e não um toque de conforto para meu orgulho.  Vou entregar todo mundo na hora agá. No leito da morte ou na Vara de Falência. Darei nomes aos bois. A tal confidencialidade irá para o brejo, anotei todos os detalhes, tenho gravações, vai ser um deus nos acuda. Prefiro passar à história como escroto a ter meu nome ausente das bibliotecas universitárias. Se existe “morrer de inveja de si mesmo”, este é o meu caso quando leio esses caras. Eles roubaram a cena à custa do meu negócio. Gastei tudo que tinha – anos de cultura acumulada - em introduções, considerações finais e &lt;span style="font-style:italic;"&gt;abstracts&lt;/span&gt;; em linhas espetaculares que são minhas, mas não são. Quero de volta tudo que entreguei (a preço de banana) sobre história da filosofia e da literatura ocidental: os conceitos, a solidez do conteúdo, a beleza do texto e as frases de efeito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-5545031101579106943?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/5545031101579106943/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2012/02/inveja-de-si-mesmo-e-armadilha.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/5545031101579106943'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/5545031101579106943'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2012/02/inveja-de-si-mesmo-e-armadilha.html' title='A inveja de si mesmo e a armadilha acadêmica'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-887340031317071478</id><published>2012-02-03T16:46:00.001-08:00</published><updated>2012-02-03T19:12:46.306-08:00</updated><title type='text'>O sentido da vida e as moças no palco</title><content type='html'>Duas moças estão no palco. Eles discutem o sentido da vida. Para ser mais preciso, elas discutem se vale a pena chegar à velhice ou é melhor morrer na flor da idade, enquanto o corpo funciona e a mente envia sinais de desejo. Para ser ainda mais específico, elas discutem o nada. Uma se adianta, chega mais perto da plateia, e está cheia de perguntas sem respostas. Por exemplo: queremos viver o presente, mas o presente logo se extingue e se transforma em recordação. Então, vamos acumulando momentos ou apenas servimos para abastecer uma memória finita?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O discurso da peça, como se vê, é niilista, e chega a hora em que o público se divide. Uns nunca pensam nisso nem querem pensar; outros só pensam nisso. Há uma exceção: o crítico, com todo método e inteira razão, só enxerga vestígios existencialistas no texto da peça. Provavelmente, o autor é alguém perdido no tempo e nas eras estéticas. Estava, enfim, professando um existencialismo tardio.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas as moças vão em frente, na mesma toada, questionando coisas que muita gente prefere escondidas, como a possibilidade de morrer, morrer e pronto, acabou, e como engolimos ou não o fato de não existir o depois. Mesmo assim, continuamos construindo prédios e idéias, criando coisas novas, pagando o IPVA e batendo o ponto na repartição. A vida continua enquanto continua. Parece bastar.  O show, no entanto, prossegue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora é a vez de Beckett e Nietzsche, interpretados por mais duas moças. Muito lindas, por sinal. O objetivo é deixar os espectadores cabisbaixos e pensativos. Mostrar que não há saídas, Deus está morto e elas preparam o enterro do Todo Poderoso com pompa e flores nobres, num caixão da Casa Agra, a funerária predileta de Augusto dos Anjos. Não há muito encadeamento nas cenas. Todo o texto parece uma pregação sobre o vazio, que já invade o mundo do entretenimento e da celebração pagã. As atrizes citam o Bloco do Nada, que sairá na segunda-feira do Carnaval do Recife, provavelmente sem acordes de frevo. Sem nada, a não ser seu estandarte branco e seus filósofos com explicações plausíveis e implausíveis sobre a (in) existência. William Shakespeare surge agora, também mulher, apenas para uma fala, de sua autoria: "Choramos ao nascer porque chegamos a este imenso cenário de dementes."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A peça ainda não está em cartaz. Foi apenas uma pré-estreia, num teatro sombrio e obscuro. No final, quase todo o público foi embora sem muita conversa. Ficaram os de sempre, para um chopinho do bar da esquina. Ali, concluíram que a vida pode ter sentido ou não, pouco importa. O que não tem mesmo sentido é o texto apresentado naquela noite. Salvaram-se as atrizes, deliciosas recitantes, especialmente Beckett, de minissaia, e Nietzsche, com seu piercing no umbigo. Sem falar de Shakespeare, que entrou em cena apenas com sua gola bufante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-887340031317071478?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/887340031317071478/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2012/02/o-sentido-da-vida-e-as-mocas-no-palco.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/887340031317071478'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/887340031317071478'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2012/02/o-sentido-da-vida-e-as-mocas-no-palco.html' title='O sentido da vida e as moças no palco'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-4165450657414051544</id><published>2012-01-31T12:19:00.000-08:00</published><updated>2012-01-31T13:35:00.270-08:00</updated><title type='text'>O Herói da MPB</title><content type='html'>“Luzia, luzia”, escreveu o compositor, achando um achado ou achando que achou. Adorava trocadilhos e frases sobre luz e mar, além de verbos junto com nomes de mulheres. Tinha musas, frequentava luaus e lia Eduardo Galeano.   Experimentou sua maior glória no tempo das letras de música com status de poesia. Não era grande coisa, mas dava para viver de shows em teatrinhos de sua cidade e até incursionar em outras partes do País, especialmente onde tinha amigos. Havia ainda os diretórios acadêmicos para escutar seu violão, e depois sair com parte da plateia, ou a plateia inteira, para as badalações, noites sem fim, e tome mais composições inéditas, algumas feitas na hora, com novos parceiros, muitos conhecidos naquele mesmo dia. Namorava, bebia, fumava muitos, roliúdes e béquis, e corria para casa da mamãe quando a coisa apertava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, 30 anos depois, está na merda. Não gravou um disco nem ficou famoso, como pretendia. Chegou perto. Conheceu um produtor de gravadora no século passado e o cara achou que podia tornar sua música mais palatável para o público. Piora aqui, piora ali, e estava feito. Mais um nome nas paradas. O herói da MPB não aceitou o arranjo e o tempo foi correndo, as meninas sumiram e a vontade de transformar o mundo perdeu-se no passado.  O caminho para a miséria foi curto, como sempre, e o animal extinto, o compositor popular, homem das letras, estava solto por ai, com mais de 50, três filhos de três mulheres e dois netos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vez por outra tenta. Toma o ônibus com o violão e as pessoas observam estáticas, mas algo me diz que estão meio escandalizadas com uma cena tão antiga. Poucos andam hoje com violões debaixo do braço. Ele conseguiu trabalho num bar. Um bar muito pequeno e modesto para suas pretensões de 30 anos atrás. Senta no banquinho, afina o instrumento e dispara o repertório exigido pela freguesia. As pessoas que vão a barzinhos, com destaque para as que usam a expressão “barzinho”, estão ali para ouvir MPB. Mas a MPB de sempre. Não é dado ao artista o direito de apresentar suas próprias músicas, mesmo que elas tenham três décadas. Não importa, são desconhecidas. Então, o pessoal está nos barzinhos para repetir o mesmo ritual, como ir à missa do domingo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso herói está numa situação desagradável. Não teve auge e termina a carreira num lugar pior onde começou, sem o assédio das meninas, sem amigos cantarolando suas letras, sem nada. Instinto de sobrevivência em estado puro. Canta, no tom burocrático, quase todos os standards da MPB. O pessoal do barzinho parece entediado. Há casais silenciosos e outros fregueses nem ai, conversando alto, às vezes no celular. A apresentação, ainda bem, está quase no fim, entra o “Bêbado e o equilibrista” (caía a tarde feito um viaduto etc.), e é hora de voltar para casa. Com o violão debaixo do braço. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história do herói da MPB passa rápido. Dias sobre dias, o barzinho e o violão, ônibus lotados, café na padaria e grana curta. Um dia resolve gravar um CD num pequeno estúdio do bairro. Uma coletânea, pois não compôs nos últimos anos. A obra está pronta. Ouve, ouve mais uma vez e o velho senso crítico lhe diz o pior – tudo aquilo, a música que embalava as moças nos DCEs, perdeu a força, o charme, o bonde. Nem chega perto do Djavan que canta no barzinho (Aaaaaiii... Quanto querer cabe em meu coração etc.). Então ele desiste. Até que foi bom, enterrou uma era. Luzia não luzia mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-4165450657414051544?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/4165450657414051544/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2012/01/o-heroi-da-mpb.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/4165450657414051544'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/4165450657414051544'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2012/01/o-heroi-da-mpb.html' title='O Herói da MPB'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-4845060967322659752</id><published>2012-01-27T09:53:00.000-08:00</published><updated>2012-01-31T14:23:44.964-08:00</updated><title type='text'>Fumando no quarto</title><content type='html'>O e-mail chegou com a idéia do texto e mil recomendações. O assunto: cigarro. Sigo o exemplo do matador de aluguel. Não quero saber o nome do cliente nem seus propósitos. Faço o serviço, recebo a grana e vou dormir tranqüilo. Desta vez, no entanto, fiquei preocupado. Muitas restrições, embora a encomenda não tivesse jeito de propaganda contra o cigarro.  Nem contra nem a favor. Estranhei. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Prezado,&lt;br /&gt;Estamos precisando de uns quatro mil caracteres sobre o cigarro. Escreva do seu jeito, mas não deixe de seguir o roteiro imposto pelo cliente. Nada de glamurizar o produto – W.H. Auden, Rita Hayworth e Humphrey Bogart estão fora, nem pense nisso, pois cairíamos no pedantismo ou no óbvio. Conheço suas limitações. Por outro lado, nem de longe relacione o cigarro com doença e morte. Macabro demais e não somos do Ministério da Saúde. Também estão fora: reflexões filosóficas, trechos de poemas e sambas-canção e literatices em geral. O texto deve ficar no mínimo do mínino, no cigarro em si: certa quantidade de fumo enrolada em papel. Com filtro, please, e sem muita fumaça. Aguardo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Enviei o pedido em dois dias. Feito, pensei. Até o número da conta bancária foi junto com o texto. Na sexta, novo e-mail e aporrinhações inesperadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Caro,&lt;br /&gt;Recebi um tratado sobre celulose e tabaco. Não era isso. Você falou de uma coisa, falou de outra, enrolou e mandou. Até números sobre a produção de fumo e técnicas de fabricação entraram na história. Google puro. Nem mostrei ao cliente. Sei que não é pro seu bico, mas tente ver o cigarro como Ítalo Calvino via suas cidades invisíveis. Concentre-se no pequeno tubo de papel, no fogo – fogo pode – destruindo suavemente a brasa... Enfim, nos detalhes. Mas não viaje demais. Trata-se de tabaco não de cannabis. Mãos à obra.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Passei duas noites em claro deslizando suave sobre lâminas dos vários tipos e classes de fumo, mostrando como são misturadas em diferentes proporções e como, finalmente, formam o blend, e ele me vem com esse e-mail. Fiquei deprê com a história do Google. Só estive duas vezes no site da Souza Cruz. Sinceramente não sei o que estão querendo. Vou partir para a historinha da brasa, talvez comparando com lava vulcânica, mas preciso saber se posso colocar um fumante no texto. Sem ele o cigarro não queima. Mas o fumante, meu caso, por exemplo, não deve pensar em nada, esse é o problema. Descobri um poema bacana de bandeira (“Amor-chama, e, depois, fumaça.../Medita no que vais fazer:/O fumo vem, a chama passa...”). Poema não pode. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentei. Escrevi a porcaria do texto em poucas horas. Que frila chato do caralho! Apostei na brasinha queimando e a vida se indo, não pelo câncer, é claro, mas indo naturalmente, seguindo seu rumo. De manhã, mais um e-mail do cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Querido,&lt;br /&gt;Não foi de todo mal. O cliente achou simpático, gostou do seu estilo, mas o ritmo corporativo, principalmente na área sutil em que ele atua, é muito dinâmico. Desistiram do cigarro. O momento passou. Estão em outra. A boa notícia é que você fará o novo texto. É sobre um quarto vazio. Apenas quatro paredes, assoalho e teto. Não se anime tanto porque não pode citar construção civil nem desespero. Coisinha seca, crua e elegante. Quatro mil caracteres geométricos, entendeu? &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Desisti do atravessador cheio de nove horas. Fiquei puto. Resolvi sacanear. Lasquei o texto sobre o quarto com um bocado de gente fumando lá dentro e conversando merda. Naquele fumacê dos diabos estavam Freud, Lacan, Pavlov. Sócrates, Platão, Kant, Fernando Pessoa, Drummond, João Cabral, Trotsky e Lênin. Foi aprovado. Chega de intermediários. Quero conhecer o cliente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-4845060967322659752?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/4845060967322659752/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2012/01/fumando-no-quarto.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/4845060967322659752'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/4845060967322659752'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2012/01/fumando-no-quarto.html' title='Fumando no quarto'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-221609280822174955</id><published>2012-01-26T13:08:00.001-08:00</published><updated>2012-01-27T09:49:28.224-08:00</updated><title type='text'>A desordem pública</title><content type='html'>Nisso veio mais um para a briga e a confusão foi aumentando, aumentando, porque dois outros entraram com os pés, mais um jogou uma garrafa de café na cabeça do chefe e, de repente, quase todos da repartição estavam envolvidos nesse bafafá, sem saber como começou e como vai terminar. Então, a mulher do cafezinho teve o bom senso de chamar a polícia, enquanto, nas salas vizinhas, encarregados e subordinados já estavam trocando murros e safanões e até apareceu alguém com um revólver e deu um tiro, ainda bem que bateu na parede, mas nos andares de baixo, homens e mulheres pegavam qualquer coisa para bater uns nos outros, usando teclados de computadores, grampeadores, pés de mesa e até o retrato oficial do presidente da República. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A situação só fez piorar quando os policiais chegaram. Eram poucos e terminaram apanhando também, mas um deles teve tempo de pedir reforços pelo celular, no justo momento em que o fogo já ardia no gabinete principal, cujo diretor tinha saído mais cedo e deixado a porta aberta. A secretária dele, uma magrinha, acabou golpeada com um carimbo e saiu de lá correndo, com medo do fogo e dos colegas. Ai chegou o Batalhão de choque, com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha, mas o cara do revólver reagiu com balas de verdade e duas pessoas caíram feridas, sangrando muito, sem socorro, segundo o relato de um jornalista que chegou naquele momento para uma entrevista que nada tinha a ver com rebuliço, era sobre previdência, e ele, coitado, também terminou metido no tumulto, junto com os funcionários de todos os escalões, departamento e seções. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelos cálculos de PM, que sempre informa quantas pessoas têm nos lugares, ao menos 130 servidores públicos federais participaram desse início da briga, que pode não estar ocorrendo só ali, mas em vários cantos ao mesmo tempo. Nada sobre as razões desses transtornos. Mais jornalistas foram chegando, os curiosos também, e o conflito ganhou a rua e quem estava apenas vendo passou a levar cacetada e a reagir da mesma forma, esticando a baderna a quarteirões adjacentes e levando a desordem para dentro dos ônibus, táxis e estações do metrô. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daqui a pouco acaba o estoque de sinônimos para confusão porque o pandemônio continuou, cada vez mais ampliado, envolvendo o bairro, e alguns batalhões lutam agora entre si e por motivos inexplicáveis e talvez inexistentes. O certo é que lutam, trocam tiros, gritam e ninguém socorre ninguém. É um Deus nos acuda, e Ele não acode, pelo contrario, a coisa só faz degringolar, pois se irradiou para outros lados da cidade, famílias inteiras contra outras famílias e contra elas mesmas, num impulso exagerado de violência que parece não ter fim, principalmente depois que foram anotadas escaramuças no interior do Estado e correm até boatos sobre a demissão do secretariado do governador após uma discussão feia dentro do palácio por causa desse fuzuê todo. Passaram a trocar golpes de Tae Kwon Do, judô, sumo e Capoeira de Angola. Uma comissão de inquérito criada às pressas para avaliar a situação não teve tempo de avaliar nada e logo os inquiridores estavam participando da arruaça, movidos por ódios mortais, assim parecia, embora, mais uma vez, é bom salientar, não havia motivação para tais sentimentos. Nem razão nem lógica. “Por que bati nele?”, perguntou-se, em voz alta, um dos sujeitos de paletó e logo chegou à conclusão que bateu porque apanhou e assim andou a coisa até se agravar ainda mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas sedes de partidos, houve reuniões. A ordem era sair nas ruas, com bandeiras, em nome da causa. “Que causa?”, indagaram dois militantes e ninguém soube responder. O desentendimento, então, também adentrou ao seio partidário, e o que seria uma passeata, em defesa do povo (contra quem? Por quê?) acabou em quebradeira, tacles e tesouras voadoras, como nos Reis no Ringue e no Telecatch Montilla.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gente que não brigava nas ruas, brigava na TV, mas só no bate- boca, embora ameaçando sair na tapa, especulando em mesas redondas sobre os motivos de tanta violência. Os cientistas políticos apostaram em insatisfação popular, os psicólogos em histeria coletiva, os juristas em crime organizado e os biólogos em alguma coisa na água.  Não chegaram a qualquer conclusão razoável. Exceto que tudo ocorreu por acaso, sem mais nem menos, a partir do nada. Ocorreu, não. Está ocorrendo e vai piorar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-221609280822174955?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/221609280822174955/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2012/01/desordem-publica.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/221609280822174955'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/221609280822174955'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2012/01/desordem-publica.html' title='A desordem pública'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-8380191467135093542</id><published>2012-01-23T16:03:00.001-08:00</published><updated>2012-01-23T16:45:11.507-08:00</updated><title type='text'>Sempre mais uma</title><content type='html'>“Hei, Dionísio, traga mais uma cerveja”, ela pede, aos gritos. Dionísio não é o garçom, mas o deus grego, filho de Zeus e da princesa Semele, a entidade das bebedeiras, seu preferido das aulas de Filosofia da PUC. Da mitologia, sobrou ele, para empurrá-la às farras. Todo dia a mesma coisa até ficar chapada, ininteligível e alheia, mas ainda com desejo e resistência.  Severino, o garçom de verdade, deixa mais uma garrafa sobre a mesa e a noite segue sem muito futuro, pois os outros já entregaram os pontos. Menos ela. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase 50 anos, era hora de moderar, caso seguisse os conselhos das revistas sobre saúde e vida saudável, sua leitura de cabeceira nos últimos anos. Não. Continua no culto dionisíaco, e mesmo que ninguém se apresente parte sozinha para outro bar, embora já seja quatro da manhã. É inacreditável que continue bonita sob a enxurrada de álcool, mas não tanto para conquistar homens mais novos, com corpo e cara daquele modelo helenístico do Louvre - sua fixação sempre que bebe e bebe sempre. Então, vai com qualquer um abaixo dos 30, porque os ex-colegas de escola dos anos 80 ficaram carecas e barrigudos. Eles servem para a conversa, não para o sexo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;No dia seguinte, ela não tem ressaca moral. O negócio é aproveitar a vida, cada segundo, sem depressões. Quando não está bêbada, faz limpeza de pele e combate as estrias, apenas como fase preparatória para os turbilhões da noite. Há uma ansiedade em chegar não se sabe onde, mas talvez ela saiba ou pensa que sabe e por isso é tão frenética, mostrando-se invariavelmente mais agitada do que os lugares que freqüenta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acrescente-se ao descomunal aporte físico – ele não descansa - uma carga emocional e um conjunto de drogas e teríamos uma mulher à beira do colapso. Não é o que ocorre. Seus exames médicos não refletem os abusos. Todas as taxas regulares, saúde de ferro, ou “que saúde!”, como diriam nos tempos em que era a mais gostosa da praia. No fundo, só lamenta ter envelhecido por fora, mas compensa a frustração com o segundo tempo do jogo, que entra numa fase mais complexa; ela não é mais a presa, mas a predadora. A grande vantagem é saber o que está se passando. Diz que aprendeu a pisar na jaca com delicadeza. Nem sempre é assim, aliás, quase nunca, mas ela consegue passar a imagem de quem apenas se diverte e diverte os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos segredos é não reclamar de nada, da TPM ao mal-estar da civilização. Outro é ter dinheiro. O mais importante: apesar da extrema agitação e da vontade de viver muito exposta, ela circula à vontade no mundo da ironia. Pratica e entende, produz as mais finas, as melhores destas bandas, quase todas singulares e engraçadas, sempre no ponto, quentinhas e apimentadas, diretas e reflexivas, e na base do improviso, como sua vida. Isso é raro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-8380191467135093542?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/8380191467135093542/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2012/01/sempre-mais-uma.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/8380191467135093542'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/8380191467135093542'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2012/01/sempre-mais-uma.html' title='Sempre mais uma'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-4377017102082821895</id><published>2012-01-19T10:36:00.001-08:00</published><updated>2012-01-19T10:44:09.386-08:00</updated><title type='text'>Cidades</title><content type='html'>Vivia entre duas cidades, ambas estranhas. Em nenhuma teve infância. Na dos rios, sonhava com a dos grandes prédios e alternava assim sua vida nômade, por necessidade e fuga do tédio. A viagem era como arrastar um barco num rio seco. A chegada causava-lhe dor, assim como a partida. Nas idas e vindas, a paisagem mudava, lá e cá, os costumes variavam, as ausências varriam o que restava de lembranças mais ancestrais. Os amigos foram morrendo – uns aos poucos; outros de repente. Não sobrou muita coisa, exceto os escritos, a mala velha e recortes de jornais. Nas duas cidades viveu intensamente. Depois, tudo virou um quebra-cabeça confuso, com bairros de um canto, ruas de outro; avenidas que já não existem mais, velhos casarões destruídos e quarteirões arrasados. O conjunto formava um terceiro aglomerado urbano, disforme e inconcluso, parecido com os lugares invisíveis de Calvino, mas sem a graça de Isadora, onde “os desejos agora são recordações”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-4377017102082821895?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/4377017102082821895/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2012/01/cidades.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/4377017102082821895'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/4377017102082821895'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2012/01/cidades.html' title='Cidades'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-5246084870682606100</id><published>2012-01-16T10:15:00.000-08:00</published><updated>2012-01-16T10:17:39.657-08:00</updated><title type='text'>A rainha louca</title><content type='html'>O estilo delicado só atrai mulheres loucas, carentes de amparo e necessidade de freios. Saiu outro dia no jornal: molengas não têm vez com a maioria das fêmeas. Não é o caso desta personagem – linda, rica e destrambelhada -, cujo desfile nesta página exibirá um gosto exagerado pelo perigo e, ao mesmo tempo, a cautela a ser garantida por um homem certinho, culto e subserviente. Ele fez seus gostos, cumpre ordens, segura sua bolsa enquanto ela segura o copo, chama o táxi e a protege no auge da bebedeira. Dorme a seu lado, como um lacaio, e pode encostar-se, mas só um pouquinho, porque não se aproveita da constante embriaguês da semi-namorada. É, enfim, um porto seguro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela bebe demais, mas o álcool só a faz mais doidinha do que já é. Só não dirige bêbada porque ele não deixa, só não tira a roupa em público porque ele não deixa e só não dá para todo o mundo porque, ai sim, ele ficaria puto e passaria uns três dias sem aparecer. Então, nessas ocasiões, ela procura se redimir - programa uma tarde light, um cafezinho na livraria, uma ida ao cinema. Depois só um chope ou dois e voltam para casa – a dela – para ver mais filmes e dormir sem sexo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte o santo baixa de novo. “Venha correndo”, ela ordena, numa mensagem de celular, e ele vai. Já encontra a moça encoxada pela galera, dançando, braços para cima, equilibrando a long neck e ouvindo cochichos. Todos, na pequena área, querendo comê-la e ele, sem jeito, tentando pôr ordem na casa. Jogo difícil, diria o locutor. Mas ela segue, toda rainha, rodeada por maloqueiros, alguns sem camisa. “Assim não dá”, ele reclama. “Não dá o quê, porra?”, pergunta a louca. A dramática situação se agrava quando ela proclama: “Vamos todos lá pra casa”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Previsível. A casa é bem servida. Vagabundo toma prosecco pela primeira vez na vida e ele tenta tirá-la do assédio pesado, como ocorre sempre. “Acho melhor você ir dormir”, ela diz “não vou”, e puxa um belga que apareceu ali ninguém sabe como e que já se sente dono do pedaço, quase lambendo o ouvido dela, falando em francês e alemão. O namorado ou amigo – nunca soube direito seu papel nessa história -, ainda está empenhado em separar a doida do estrangeiro impertinente, porque vai dar merda, e finalmente ela cede, não ao belga, mas ao sono. A luz do dia estourando, ela cai dura no sofá e ele toma as providências de praxe. Leva-a para o quarto, liga o ar condicionado e deita-se ao seu lado. Não na cama de casal, mas num colchãozinho de ar, desses de acampamento, como um cãozinho de estimação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando acordam, à tarde, ele já está na sala, lendo os jornais. Ela chega, de banho tomado, quase serena. Deita a cabeça em seu colo e pergunta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Jura que nunca vai me deixar?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-5246084870682606100?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/5246084870682606100/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2012/01/rainha-louca.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/5246084870682606100'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/5246084870682606100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2012/01/rainha-louca.html' title='A rainha louca'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-669222956096402567</id><published>2012-01-14T12:25:00.000-08:00</published><updated>2012-01-14T12:27:59.265-08:00</updated><title type='text'>Filme pornô falado</title><content type='html'>Ela me contou tudo, com todos os detalhes, e alguns bônus extras. A narrativa era de filme pornô com história, desses que não existem mais, porque o espectador não tem paciência para preliminares. A introdução já é a introdução. Mas ela tinha um bom texto para a lengalenga que precede a trepada – a dela, no caso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela noite sem muito assunto não era pior coisa do mundo. A narradora seria igualmente sexy se ela estivesse recitando a lista telefônica ou o Guia 4 Rodas. Mas o papo era XXX. O rosto lindo se transfigurava de acordo com as cenas e houve até linguinha de fora para reforçar obscenidades do enredo. Pensei em oferecer-me como ator coadjuvante, mas senti em tempo hábil que a estrutura da composição era o monólogo. Poderia estragar a mise en scène e nossa amizade recente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A moça seguiu cada vez mais omnisciente, manipulando o tempo e devassando o interior de seu personagem e de si própria. Custou um pouco até chegar ao elevador e a seu objeto: homem musculoso e simpático, recém-chegado ao apartamento do lado, a aparição mais bela do condomínio desde sua construção em 1992, segundo ela.  Até chegar ao 16 º, olhares se alternaram entre o teto e o escaneamento mútuo de corpos. Depois, novo encontro, na piscina do prédio e, para encurtar a história – a minha, não a dela -, encostadas sutis, afagos, beijos, amassos, arremesso de calcinha e cueca e, pluft, rolou. Uma noite inteira de gemidos e gritos ecoando na vizinhança, quiçá no bairro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse meio tempo, no entanto, foi rico em minúcias: períodos de maior lubrificação, posições mais cômodas, palavras apropriadas para a ocasião. Em dado momento, a moça abriu um travessão ou aspas – não conheço seu estilo por escrito – e passou a soltar sua fala impudica, cheia de “ais” e “uis”, num ritmo cada vez mais alucinante, até um desfecho explosivo e verossímil. Fiquei com taquicardia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais tarde, ela confessou: era tudo mentira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Só queria diverti-lo um pouco. Você anda tão entediado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-669222956096402567?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/669222956096402567/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2012/01/filme-porno-falado.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/669222956096402567'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/669222956096402567'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2012/01/filme-porno-falado.html' title='Filme pornô falado'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-5323654992575511803</id><published>2012-01-12T09:22:00.000-08:00</published><updated>2012-01-12T18:26:48.275-08:00</updated><title type='text'>Especulação sobre um casal sem amor e sexo</title><content type='html'>O casal sem amor nem sexo vivia uma amizade estranha. Os dois, neste caso homem e mulher, poderiam estar naquele ponto intermediário localizado por Proust entre a exaustão física e o tédio mental. Não se sabe. Prosseguiam juntos, há quase 20 anos, sem saber a razão da vida em comum. Não brigavam nem se divertiam. Não riam nem choravam. Não trepavam nem traíam. Não havia filhos para cuidar. O divórcio não causaria problema logístico grave. A coabitação, portanto, não era de fundo econômico. Estavam em bons empregos. Não mantinham qualquer tipo de associação. Apenas uma certidão de casamento – um contrato para fins desconhecidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há anos não se tocavam e nunca chegaram a discutir o relacionamento.  A casa de dois quartos funcionava como um hotel. Cada um em sua cama, mas café da manhã na mesma mesa, gostos e valores parecidos e nenhuma briga. A união não foi compulsória. Moram sob o mesmo teto por conveniência e proteção contra a vida interior e a vida lá fora, mas, neste último caso, é só especulação. Como habitantes da literatura, precisam se explicar e explicar um casamento por interesses tão precários. De histórias desse tipo, sem parábolas e compilações de sábios provérbios, espera-se o prazer da conclusão, se for seguida a receita de Harold Bloom sobre contos. Por enquanto não há desfecho à vista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há apenas uma rotina, com tarefas bem divididas, contas em dia e aposentadoria privada. A respeito da vida, ela soltou uma frase perdida. “Estamos aqui passando uma chuva”, disse, durante o jantar. “E depois?”, ele perguntou. “Depois, nada”, respondeu a mulher. A conversa parou por ai. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impermeáveis em relação à vida interior ou a ausência dela, não demonstravam insatisfações, rancores, remorsos, arrependimentos e culpas. Talvez vivessem emoções secretas, mas o narrador não as conhece, nem tem como conhecê-las; apenas descreve a aparência e busca uma saída. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pressa pode levar a um remate feliz ou à tragédia. A tentação pelo meio termo também aparece, mas qual seria o desenlace mais minimalista? Ontem à noite, um filme de Robert Bresson ("O Batedor de Carteiras"), inspirado em “Crime e Castigo”, sugeriu a frieza e algum existencialismo para este final: “Por que viver?”, indaga o personagem Michel. Não cabe, por ora, questionar o sentido da existência. O desdobramento, então, poderia ser uma viagem ao período pré-casamento de cada personagem. Mas os dois só passaram a existir depois da cerimônia nupcial. Alguma coisa aconteceu nesse dia? Não, nada demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A alternativa é terminar como sempre foi - vidinhas inexplicáveis, seguindo seu rumo, deixando as coisas em ordem. Sem expectativas e sem Shakespeare. Um mergulho na alma dos personagens demanda tempo e nunca saberemos se vale a pena.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-5323654992575511803?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/5323654992575511803/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2012/01/especulacao-sobre-um-casal-sem-amor-e.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/5323654992575511803'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/5323654992575511803'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2012/01/especulacao-sobre-um-casal-sem-amor-e.html' title='Especulação sobre um casal sem amor e sexo'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-7972342411594583366</id><published>2012-01-10T06:42:00.001-08:00</published><updated>2012-01-10T06:55:31.333-08:00</updated><title type='text'>Vícios</title><content type='html'>Sob o efeito de determinada substância, ele escrevia contos tchecovianos.  O cânhamo, famoso por provocar esquecimento, aquecia a memória, aumentava a criatividade e aguçava a ironia. Sem o béqui, o mundo era uma página em branco. Não havia literatura, grande ou pequena. Por isso, consultou-se com médicos e críticos, escribas caretas e xamãs. Não teve jeito. O parágrafo só saia à custa de algum delírio induzido. A solução era deixar o pango e, por conseqüência, parar de escrever. Mas ele não seguiu o conselho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um vício leva a outro, é o que dizem. O sujeito começa com um baseado e um textinho leve e, quando dá por si, já está atolado até a alma em produtos mais pesados, quem sabe um romance com cocaína. Por isso não saía do conto, gênero mais ligeiro, com necessário arremate, a conselho de Mr. Bloom. Até ai tudo bem. Mas uma história comprida, capaz de ficar de pé na estante, é sempre uma tentação. Essas coisas ocorrem - e ocorreram com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada dia mais pilhado, coração saindo da boca, passou a escrever dia e noite, sempre acompanhado de uma carreira atrás da outra, até concluir o romance sobre o escritor drogado, ele mesmo, tagarela solitário e imbecil em quase todos os sentidos, menos num: o livro era bom. A obra póstuma foi um sucesso de crítica.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-7972342411594583366?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/7972342411594583366/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2012/01/vicios.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/7972342411594583366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/7972342411594583366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2012/01/vicios.html' title='Vícios'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-370148903363322891</id><published>2012-01-06T07:58:00.001-08:00</published><updated>2012-01-06T07:58:52.396-08:00</updated><title type='text'>Experimento com o dorso</title><content type='html'>O dorso é a parte mais interessante, enquanto ela se debruça sobre a última prateleira da estante. Quer apresentar um volume raro, adquirido num sebo de Paris. Finjo curiosidade para apreciar melhor a parte descoberta entre o final da blusa e o começo da saia, região rija e bronzeada e acontecimento que está me valendo o dia e a noite. E ela ainda se ergue, no fim do espetáculo, para entregar-me o clássico. Não sei decifrar o título em francês, embora apalpe as páginas, sentindo a textura. Tudo mentira. Digo “interessante, com reticências, pensando de fato naquele momento de despretensiosa exibição. Não deu tempo sequer de analisar a bunda. O dorso bem plantado no corpão pós-40 já bastava, por ora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos apenas bons amigos, como ela enfatiza sempre, embora considere essa observação um sinal de derrota para minhas tímidas investidas. Pior quando começa a contar, sem pudores, encontros com homens mais novos, gatos, como ela os chama. É difícil. Eu escrevo “querida”; ela responde “querido amigo”. Elogio seus lábios; ela destaca minha aguda percepção sobre temas gerais. Escolheu minha amizade e eu penso em seu dorso. Isso não combina.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes, dependendo da ocasião e do olhar, as partes do corpo chegam à mente com nomes mais rudes, dorso vira lombo, como a face póstero-superior da perna é o mocotó. Seja como for, a área em questão é abrangente, antiga e moderna, La Venus del espejo turbinada, saindo da academia, ligeiramente suada. Chego mais perto, apalpo de leve, com breve comentário sobre as qualidades estéticas da pose anterior. Ela ri e cai fora, não oferece muita resistência nem mostra entusiasmo. É sempre assim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-370148903363322891?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/370148903363322891/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2012/01/experimento-com-o-dorso.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/370148903363322891'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/370148903363322891'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2012/01/experimento-com-o-dorso.html' title='Experimento com o dorso'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-1982392577181677285</id><published>2012-01-05T05:41:00.001-08:00</published><updated>2012-01-05T05:41:36.568-08:00</updated><title type='text'>Aquela gente</title><content type='html'>É sempre assim. No dia 28 dezembro eles vão para o mesmo condomínio na praia dispostos a comemorar o fim do ano com uma bebedeira de quatro dias, numa epopéia etílica sem precedentes na história do litoral brasileiro. Não há intervalo para ressacas. Bebe-se de manhã à noite, entra-se na madrugada e quando o sol aparece já se ouve o estalo de uma latinha de cerveja sendo aberta. Logo em seguida, uns poucos vão ao mar, para beber, enquanto a maioria fica bebendo ali mesmo, em acaloradas discussões sobre o porre do dia anterior e o planejamento do porre do dia seguinte. No condomínio, o álcool é o meio e a mensagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A embriaguez líquida e certa, para usar um lugar comum, dissolve quase tudo, de reputações a credos, pois vem acompanhada de outra categoria de entretenimento, a fofoca. Só que falar pelas costas não funciona. As casas são contíguas e há agentes duplos em quantidade suficiente para fazer os fatos e versões circularem numa velocidade próxima a da luz. Então, depois que todos falam mal de todos começa a fase em que a maledicência e seus derivados passam a ser produzidos a partir de ocorrências do próprio condomínio. A maior parte do noticiário local é sobre sexo (quem comeu quem), mas o álcool sempre está em cena por razões óbvias.  Como alguém comeu alguém naquele estado deplorável em que estava ontem à noite? Nas mesas dos quintais e jardins, tais comentários costumam também rolar na presença dos envolvidos que, pelas regras, não devem esboçar reação, mas esperar sua vez de ciscar sobre a próxima vítima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse meio tempo, já se formaram grupos de vizinhos, uns contra os outros, como se fosse uma disputa esportiva ou uma forma de recreação. Tudo, naturalmente, alimentado por quantidades colossais de cerveja (manhã), wisque (tarde) e tudo (noite). Por tudo, leia-se TUDO. Há facções mais radicais, como a da casa 62, cujos moradores simplesmente cortaram o sono de suas preocupações. Os quatro dias passam como um bloco inteiro, noites e dias emendados, olhos arregalados e muita esperança para o ano que vai chegar e se não chegar, foda-se.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo bêbadas, as pessoas são civilizadas. Existe fair play na hora de engolir sapos e mesmo quando o sujeito escuta que sua mulher ainda não voltou de uma festa nas redondezas – saiu ontem à noite e já são duas da tarde -, reage com tiradas de bom humor, em geral auto-depreciativas, e todos se divertem. O que chateia são as questões de ordem prática, como arrumar casas, cuidar de crianças, fazer compras e administrar empregadas evangélicas. Casos mais graves - sumiço de copos, cadeiras e até de feijoadas - são tratados de maneira sumária, atribuindo o crime ao pessoal da casa 62. Além de não dormir, essa espécie só se alimenta na madrugada, em furtivas caçadas nas cozinhas adjacentes. Coisas do mundo animal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra mania interna é o questionamento constante sobre a saúde mental de determinados condôminos. As mulheres são mais afeitas a observações nessa linha, umas acusando outras de serem loucas varridas, e sempre pontuando o diagnóstico com afirmações do tipo “não é possível que isso seja só álcool”. A Caras não se interessaria sobre esse ti-ti-ti de anônimos, mas certamente a Revista Brasileira de Psicanálise teria o que fazer por lá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lavagem coletiva de almas é um processo de amigos. Estranhos eventualmente convidados, devem se restringir a questões gerais, como a crise européia e a previsão do tempo, porque suas vidas não são do interesse de ninguém, suas piadas não têm graça e suas intervenções sobre o comportamento de outros são publicamente reprovadas ou tratadas com gélida indiferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A festa diuturna se encaminha para seu auge – a passagem do ano numa praia próxima -, mas até a chegada do réveillon a exposição pública da vida privada já estará exaurida e o ápice termina virando anticlímax. Finalmente bate a ressaca sobre os mais fracos, embora ainda existam dois dias pela frente – 1º e 2 de janeiro. A turma da 62, no entanto, continua a mil, eventualmente rastejando entre corpos já abatidos pelo sono. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar do clima de juízo final, poucas amizades são abaladas pela temporada de catarse ébria. No máximo alguns poucos dirão: “nunca mais volto aqui”. Mas é mentira. Ainda neste ano, estarão de volta, no dia 28 de dezembro, cheios de planos para 2013, muitas caixas de vodka e um estoque de latinhas capaz de influir no market share das cervejarias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-1982392577181677285?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/1982392577181677285/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2012/01/aquela-gente.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/1982392577181677285'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/1982392577181677285'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2012/01/aquela-gente.html' title='Aquela gente'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-99366322128422356</id><published>2011-12-23T08:50:00.000-08:00</published><updated>2011-12-23T14:59:03.755-08:00</updated><title type='text'>A volta do menino-prodígio</title><content type='html'>Desde a escola era assim, cético e cínico, sem ilusões sobre o futuro, embora preparado para enfrentá-lo com armas racionais. Era uma criança fora do padrão e mesmo sem influência doméstica pregava contra a crença dos colegas em Deus e Papai Noel. Tinha 14 anos quando rompeu com o partido por causa da invasão da Tchecoslováquia, em 1968.  Os comunistas locais souberam da dissidência, por meio de um pequeno panfleto divulgado pelo garoto, mas se calaram sobre o assombro de ver alguém tão jovem transformado em teórico da esquerda anti-stalinista. A partir daí, ele tornou-se ainda mais descrente em modelos prontos de sociedade. Uma professora leu uma de suas redações e, assustada, terminou ela própria influenciada pelo pensamento do aluno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, no entanto, ele sentia o peso da idade e das decepções. Não era mais o menino- prodígio. Era um velho rabugento diante da morte do melhor amigo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessas horas, ateus perdem espaço. O arsenal de frases é drasticamente reduzido porque não podem pronunciar – muito menos escrever – pensamentos compensadores, do tipo “onde ele estiver estará bem”. Não, não está. Simplesmente o amigo deixou de existir em determinado momento e também chegaria sua hora de embarcar em direção ao nada. Restava-lhe a literatura, mas só a dos outros. Vingou como professor universitário, criou filhos, deu palestras no exterior e ficou por ai. O livro planejado durante toda uma vida não saiu. Saíram algumas páginas pretensiosas. Foram jogadas no lixo por excesso de autocrítica e porque, em boa medida, eram mesmo pretensiosas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro desassossego era a província. Sempre sonhou em deixar sua cidade e enfrentar a metrópole. Mas sabe como é. Havia os amigos de infância, a fama regional e a adulação de seus pares acadêmicos. Quando chegou ao ponto não dava mais tempo. Teria que refazer amizades e inimizades e refazer-se em uma arquitetura indiferente à sua existência. Sentia-se, enfim, isolado na intimidade de seu Estado natal. Com as mesmas pessoas, as mesmas conversas e os mesmos rancores. Poderia ser confortável, até aconchegante, mas não passava disso. Ao final, o enterro no mesmíssimo solo de seu amigo, uma chamada no jornal e ponto. Surgiu então a idéia de escrever as memórias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava na 65ª página do testamento literário quando soube da morte do amigo, sua principal referência naquele lugar. Ambos compartilhavam o gosto por poetas ingleses e, juntos, sentiam-se em Oxford. Discutiam política internacional, enquanto a galera do mesmo bar estava empenhada em adivinhar quem seria o candidato a prefeito. Liam W.H Auden e The Atlantic Montly. Eram “os cosmopolitas”, conforme citação de um jornalista da terra em sua coluna semanal de letras.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A morte do amigo interrompeu a autobiografia. Só mais tarde passou a revisar os escritos e novos tormentos vieram à tona. Queria inserir-se em seu tempo com comentários sobre o mundo, mas ele quase só viveu ali, entre oradores parnasianos e bajuladores de políticos. As páginas iniciais, “Adolescência”, eram basicamente um colóquio entre ele e o amigo agora morto. Desprezavam completamente a cidade e sua paisagem. Nas 65 páginas tinha mais Paris e Psicanálise do que ocorrências locais. A própria universidade ficou em segundo plano diante de uma descrição enorme sobre a viagem que fizeram a Londres, num daqueles programas de intercâmbio. O professor delirou demais e parecia que a temporada londrina dera intimidades com a cúpula do Partido Trabalhista e a intelectualidade chique da cidade. Já era conhecido pelo ego gigante – chegou a usar suspensórios e a fumar charutos - e aquelas linhas provocariam a explosão de suas vaidades. No final das contas, seria lido basicamente pelos conterrâneos e haveria um público suficiente ferino para tratar aquilo como deslumbramento de gente metida à besta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro ficou ali, à espera de novo auto-parecer, e ele virou um diálogo interior com o amigo. Numa passagem, conta que passara bem num teste difícil de superar – o fato de seu companheiro ter deixado algo mais ou menos significativo e que, diante disso, ele chegara a se moer de inveja durante anos. O amigo escrevera um romance fartamente elogiado na província e citado na imprensa nacional. O livro ia e voltava no tempo, sem muito cuidado, e esse era o defeito e o charme da narrativa. Uma parte da crítica adorava o vai e vem frenético do enredo, mas teve gente que achava aquilo uma bagunça sem muito nexo. O professor superou o sentimento desagradável com uma crítica para uma revista literária da capital. Talvez tenha sido este seu melhor texto. Foi bastante convincente ao extrair lógica de personagens batendo cabeças no espaço-tempo e quando chamou a obra de “nervosinha” conseguiu fazê-lo num contexto de elogio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas agora o amigo estava morto e enterrado. O que fazer numa cidade sem ninguém de seu porte e preferências¿ Nesse ponto, finalmente ele decide sair de lá, num período de licença universitária, para tardiamente irradiar suas idéias em um lugar mais amplo e arejado. Viajou para a Cosmópolis, em busca do sucesso nacional como ensaísta numa revista literária, mas chegou numa fase especialmente ruim para o jornalismo de cultura. Terminou no ambiente mais vergonhoso para suas ambições – um blog de literatura. Suas preocupações, porém, ainda estavam na província. O que os conterrâneos iriam pensar? Qual o sentido em mudar de cidade para escrever um blog? Poderia fazê-lo em qualquer lugar, ou melhor, nem precisaria sair de sua terra. Aos poucos, as postagens do blog foram minguando até sumirem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele também sumiu, saiu de evidência. Desintelectualizou-se a ponto de apressar esta narrativa. A família arrumou-se como pôde e o salário da universidade garantia algum conforto. Mas o professor já havia perdido o gosto pelas livrarias, cinemas e teatros. Passou a beber mais do que a média e transformou-se num marido previsível, sentado diante da TV. Agora, o inconformismo que sempre pregara virou-se contra ele. A mulher, mais jovem, quarenta e poucos, resolveu tomar um rumo diferente até deixar a casa com os filhos, já criados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele ficou só, perdido entre conhecidos recentes, tragado pelo cotidiano de algumas traduções de romances populares, daqueles vendidos em bancas de revistas e feitos com papel jornal. Durante um tempo navegou perigosamente entre os mundos dos ricos e dos pobres, pois se numa semana estava na cobertura de um conterrâneo bem de vida, na outra se via obrigado ao vale transporte. Tentou por cima, não deu, passou a tentar por baixo. Escreveu num jornal de bairro, onde até incorreu na poesia (“só porque passou, o momento não perde o seu valor”). Arrependia dos escritos, novos e antigos, e depois simplesmente parou de escrever. Vivia apenas com o salário da universidade, menos pensão alimentícia, e estava infeliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida na metrópole durou menos de uma década. Um dia, sem mais nem menos, começou a planejar a volta. Perdera o contato com os amigos da província, mas a nova morada não lhe dera nada, a não ser um ar mais velho e cansado. Vagabundeava por ai, enquanto todos trabalhavam. Bebia em padarias, deixou de comprar jornais e freqüentar os conterrâneos bem-sucedidos por inveja e falta de novidades para contar. Voltou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cidade natal não o recebeu de braços abertos. Tudo havia mudado, outras pessoas ditavam a vida cultural e o amigo morto agora era nome de rua. Quanto a ele, nada. Retornou à estaca zero, mas desta vez não detestou sua terra, embora não se sentisse mais em casa. Não se sentiria em casa em qualquer lugar do mundo. Mesmo assim, todos os dias procurava sinais de si próprio, tentando encaixar lembranças numa paisagem transfigurada por novas avenidas e pessoas estranhas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-99366322128422356?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/99366322128422356/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/12/volta-do-menino-prodigio.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/99366322128422356'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/99366322128422356'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/12/volta-do-menino-prodigio.html' title='A volta do menino-prodígio'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-780970367152774022</id><published>2011-12-21T09:05:00.000-08:00</published><updated>2011-12-21T09:07:47.962-08:00</updated><title type='text'>É natal</title><content type='html'>A melhor coisa do Natal é o consumismo. Tem vaga temporária no shopping, a indústria produz mais e os camelôs tiram a barriga da miséria. Não existe nada mais bíblico do que as multidões da 25 de Março e a Bíblia, como sabemos, adora multidões, especialmente atrás de Jesus, desde a Galiléia a Sidom. A vantagem da onda humana da rua paulistana e dos shoppings é a sua comprovação em tempo real. Já o livro sagrado dos cristãos foi escrito bem depois do nascimento e morte do suposto enviado de Deus. Como obra literária é interessante, mas em termos de reportagem perde para qualquer flash do Jornal Hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta época do ano, com a economia morna, há sempre vozes clamando pela volta das origens do natal, com sua manjedoura e bichinhos em volta. Acham que o capitalismo acabou com a celebração. Esquecem de um detalhe. Há 10 mil anos, povos agricultores trocavam presentes, no solstício do Inverno, e foram os cristãos que tentaram detonar a festa pagã. Como não conseguiram, decretaram que o costume passaria a simbolizar a chegada dos Reis Magos, com ouro, incenso e mirra para o recém-nascido menino Jesus. Ai os presentinhos começaram a ficar mais sofisticados. Depois vieram Papai Noel, a árvore de Natal, o Wal-Mart e as quinquilharias chinesas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Reis Magos, então, deram início ao consumismo da era cristã. A história é estranha. Eles foram guiados por uma estrela e levaram presentes para um bebê que nasceu de uma virgem, por obra do espírito santo, e que estava destinado a morrer para salvar os homens. Ele morreu para nos salvar, mas três dias depois estava vivo de novo. Enganou todo mundo. Mas isso é outra história. Fica para a semana santa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O importante agora é vender e comprar. Aproveitar a data para dar vazão à sanha consumista, enfrentar a horda dos shoppings e encher de cara de sidra Cereser nas ceias natalinas. Para os cristãos mais tradicionais, resta um consolo: a Bíblia traz uma história fantástica, às vezes sem pé nem cabeça, mas não dá para desprezar um case de marketing com quase dois mil anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado no &lt;a href="http://www.malvadezas.com"&gt;malvadezas.com&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-780970367152774022?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/780970367152774022/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/12/e-natal.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/780970367152774022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/780970367152774022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/12/e-natal.html' title='É natal'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-2330367305612917211</id><published>2011-12-12T08:01:00.000-08:00</published><updated>2011-12-12T08:24:41.579-08:00</updated><title type='text'>Coisas para fazer antes de morrer daqui a três meses</title><content type='html'>Ao descobrir que tinha apenas três meses de vida correu para a Internet atrás de uma lista de coisas para fazer antes de morrer. Pensou numa relação de mil itens, mas o tempo era curto e ele nunca gostou de correria e afobação. Também faltava dinheiro para realizar o desejo número um - viajar pelo mundo. Fora de cogitação. Consumiu sua milhagem numa viagem a Curitiba e não iria entrar no cheque especial só porque o médico encontrou um negócio do tamanho de uma bola de tênis em seu cérebro. Você pode até brincar com a morte, mas com os bancos é diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, como se faz nessas horas? O sujeito vai morrer, sabe disso com antecedência de 90 dias, mas não pode tirar o atraso por falta de logística e infraestrutura. Ficar em casa, coçando o saco, nem pensar. Queria seu tempinho na íntegra, com alguma diversão e arte, mas os eventos gratuitos deixavam muito a desejar naquele período. Por curiosidade voltou às listas. Descobriu que o problema não era apenas dinheiro: as melhores foram feitas para imortais. Ver um pôr-do-sol em Paris, fazer um Safári na África e conhecer o Ártico dão quase uma semana só de voo e aeroporto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alternativas mais conta: se entupir de drogas. Não. Poderia entrar numa bad trip e morrer antes do tempo no meio de um pesadelo, engolido por aqueles monstros grafitados da Vila Madalena. Religião: sem fé não funciona como consolo. Medicina alternativa: não. Livros de auto-ajuda: não, não e não. Poderia escrever um livro de memórias. Só que o bagulho em sua cabeça cresceria ainda mais, estragando um bocado de reminiscências. Haveria ainda os pequenos prazeres da natureza – o cheiro de chuva, as flores do campo e o mar batendo nas pedras.  Tudo bem. Só que essa contemplação não duraria muito, talvez umas 24 horas, e ele queria preencher o tempo com mais emoção e aventura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fim da vida com hora marcada é um aborrecimento igual ao Natal e Ano Novo. Aquela correria para comprar presentes e organizar festas como se o mundo fosse acabar amanhã. A dele iria acabar dentro de três meses, mas não queria ficar estressado como os consumidores do shopping. É muita falta de classe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um ano se passou nessa dúvida. As listas não saíram de sua cabeça e ele vive enfiado no Google, percorrendo o mundo, pelos mapas e fotografias, organizando um rol de lugares para visitar antes de morrer. Concentra-se agora em restaurantes e museus. Quer ter tudo em ordem quando chegar a hora que não chegou daquela vez. O tumor sumiu (nem só os economistas erram previsões), mas ele está angustiado por ter perdido três preciosos meses de vida. De certa forma, sente-se traído.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-2330367305612917211?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/2330367305612917211/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/12/coisas-para-fazer-antes-de-morrer-daqui.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/2330367305612917211'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/2330367305612917211'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/12/coisas-para-fazer-antes-de-morrer-daqui.html' title='Coisas para fazer antes de morrer daqui a três meses'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-4106458089146049656</id><published>2011-12-10T08:48:00.001-08:00</published><updated>2011-12-10T09:14:55.159-08:00</updated><title type='text'>Ruas de sangue</title><content type='html'>O sangue começou a escorrer pela rua principal de Santana do Ipanema, no sertão de Alagoas, e a testemunha desta cena, o músico Ortinho, ficou assustado e curioso. Primeiro porque nenhum dos passantes deu a menor atenção à hemorragia cobrindo os paralelepípedos. Segundo pela própria resolução da história: crianças maltratadas carregavam cabeças de porcos sob os braços e elas eram a origem do vermelho que já atingia as sarjetas. A situação se repetia a intervalos pequenos. Mais meninos com cabeças de porcos recém-decepadas, mais sangue esguichado ladeira abaixo. Os carregadores de cabeça saíam do matadouro público com o almoço da família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje já se discute a interdição do matadouro, em nome da saúde pública, mas o procedimento macabro, quase a céu aberto, persistiu no século XXI. Santana do Ipanema sangrava ao sol do meio dia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não havia apenas o sangue nas artérias centrais para abismar os visitantes. Vez por outra a cidade era invadida por pragas de insetos. Nos anos de 1960 foram recolhidas toneladas de grilos nas casas e nas ruas. Duas décadas depois, chegaram os besouros - os chamados “rola-bosta”, grandes como ratos e em quantidades bíblicas. Sumiam de uma hora para outra. Os moradores não tratavam as nuvens de artrópodes com horror ou asco. Era no máximo um contratempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto chovia insetos, morria gente, quase nunca de causas naturais. As pessoas eram abatidas em plena luz do dia. Pequenas brigas de bar eram resolvidas à bala ou à peixeira. Maridos traídos, políticos, fazendeiros e comerciantes contratavam pistoleiros com regularidade, dando vazão a rixas de famílias e de grupos partidários. O sangue, então, voltava a escorrer - algumas vezes misturado ao dos porcos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até hoje fico abismado com os ares de realismo fantástico da Santana do Ipanema. Mais abismado ainda quando lembro que nasci lá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-4106458089146049656?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/4106458089146049656/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/12/ruas-de-sangue.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/4106458089146049656'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/4106458089146049656'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/12/ruas-de-sangue.html' title='Ruas de sangue'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-3330559383588774280</id><published>2011-12-05T07:15:00.000-08:00</published><updated>2011-12-05T15:31:36.037-08:00</updated><title type='text'>Incompetência</title><content type='html'>Ele está diante do que não sabe fazer e mesmo assim assume a tarefa. Coisas de entrevista de emprego: mentir sobre habilidades e experiências. Mas ele disse “eu faço” e o trabalho era matar uma pessoa. Já tentou tudo no mercado formal e informal, vendeu o que tinha, tentou passar um dos rins adiante, caiu no alcoolismo, recuperou-se nem Deus sabe como, e agora pega esse job macabro, disposto a tirar a vida de um ser humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para um ganhador do Prêmio Juriti, ex-escritor famoso caído no esquecimento, talvez a experiência rendesse pelo menos algum sentimento para uso literário. Remorso e culpa são comuns nesses casos. Indiferença, ainda melhor (pensou em O Estrangeiro), e uma temporada na cadeia, como última alternativa, poderia resultar num livro de memórias. O importante, no entanto, era tocar o serviço com eficiência, pois na fase atual a falta de dinheiro é mais dramática do que o branco criativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele covil de assassinos de aluguel não havia espaço e tempo para reflexão mais refinada. Era pegar ou largar. Saiu de lá com metade da grana, uma 45 em bom estado e informações sobre o alvo. Tinha uma semana para concretizar o negócio e voltar para receber o resto. Sumiria por uns tempos, numa casa de praia, e ali talvez saísse um livro alegórico sobre o assassinato. A princípio tratou o caso à luz da sobrevivência da espécie. “Se não mato, morro”. Os caras queriam uma prova, de preferência a cabeça, mas ele os convenceu com a promessa de enviar um vídeo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema era matar sem ódio, embora seu objetivo fosse um criminoso. Não era um desses boçais defensores da justiça com as próprias mãos. Era contra a pena de morte, já escreveu sobre ética, mas o mundo do trabalho fora ingrato demais com ele e bastava tratar a vítima como parte dessa conspiração invisível contra sua vida profissional. Além disso, vale considerar, vive num mundo em que textos não valem nada. “Eu poderia estar ai, escrevendo, mas não, estou matando gente com tiro na cabeça”. Achou essa piadinha engraçada, consolou-se com a inversão de valores.  Durou pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo estava de volta com um sentimento que abate todos os outros: a vaidade. Mata, escreve um livro e é preso. O risco existe. Nesse caso o sucesso de público certamente virá acrescido de senões morais capazes de inviabilizar uma alegre noite de autógrafos. As mulheres ficarão assustadas e mesmo uma obra-prima seguirá para a posteridade como o romance do assassino. Caso ninguém descubra, o drama persistirá em sua alma pacífica e não haverá prazer na hora dos elogios. Desistir do livro, matar unicamente pelo dinheiro, seria barbárie demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, voltou para devolver o adiantamento e a arma. Prometeu ficar em silêncio sobre a natureza do acordo e saiu de lá sem saber o que sentia: alívio ou frustração. Andando sem rumo pela rua deserta, ouviu, ao fundo, quase numa alucinação, a voz repreensiva da mãe: “você sempre deixa as coisas pela metade”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-3330559383588774280?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/3330559383588774280/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/12/incompetencia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/3330559383588774280'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/3330559383588774280'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/12/incompetencia.html' title='Incompetência'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-6031484350865473191</id><published>2011-11-30T11:29:00.001-08:00</published><updated>2011-11-30T11:29:24.093-08:00</updated><title type='text'>Der prozess</title><content type='html'>Um desafio gigantesco para um artista de tantas bienais e instalações. Seu último trabalho, neste mundo ecumênico das artes plásticas, seria matar-se e, em seguida, ter o próprio corpo escondido por um mecanismo acionado post-mortem. Uma realização de fino gosto para retirar-se de cena com algum alarde nas editorias de cultura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A máquina é complexa e funcional. O engenho, em si, tem seus méritos. Mas o esquema conta ainda com programas de computador capazes de disseminar pistas falsas e uma competente assessoria de imprensa. O processo do adeus – ou Der prozess, como o artista prefere - tem alta tecnologia, soluções criativas e, acima de tudo, charme. Falta apenas um patrocinador disposto a polemizar. Algumas marcas estudam o impacto de tão performático suicídio em seus pontos de venda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já os críticos estão abismados – bom sinal - e nenhum deles ousou um texto condenatório. Querem ver o resultado estético para depois escrever sobre o assunto. Ninguém fez comentários sobre o lado mórbido da morte porque não cairia bem a um crítico tamanho lugar comum. Do mesmo modo não esperam uma alegoria sobre o fim da arte. Óbvio demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto ao artista, ele segue em simulações. Está bastante animado com a proeza e o fato de não poder repeti-la em Kassel, por razões inequívocas, não lhe tira o sono. Será um espetáculo único, transmitido por redes sociais, “uma coisa pra cima”, com diz um de seus mais auxiliares mais próximos. Claro que está fora de questão qualquer vínculo obra-autor. Ele não está deprimido ou insatisfeito com a vida. Pelo contrário. Quer tocar num extremo da arte, ir aonde nenhuma outra auto-instalação chegou. A graça não é simplesmente morrer – é esconder o corpo. Lúdico, não é mesmo?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-6031484350865473191?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/6031484350865473191/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/11/der-prozess.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/6031484350865473191'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/6031484350865473191'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/11/der-prozess.html' title='Der prozess'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-5067005826446327837</id><published>2011-11-29T08:55:00.000-08:00</published><updated>2011-11-29T09:02:59.082-08:00</updated><title type='text'>O cheiro</title><content type='html'>Dos sentidos, o cheiro e o tato são os mais desprezados. Os restantes são contemplados até com críticos.  Há críticos de música (audição), cinema (audição e visão), artes plásticas (visão), teatro (visão e audição), mas não existe – pelo menos não conheço - um famoso crítico ligado ao univers do cheiro ou do tato, no caso específico dos adores, um especialista em senti-los e transformá-los em palavras. Não se trata apenas de alguém que tenha escrito sobre o assunto, como Patrick Süskind, em&lt;span style="font-style:italic;"&gt; O Perfume&lt;/span&gt;. O que faz falta no meio das artes é uma Pauline Kael ou um Humberto Eco do aroma. Ocorre o inverso. Como algo a ser escondido ou dissipado, o cheiro é jogado para longe de qualquer debate intelectual. Hoje, por exemplo, ao consultar o Google apareceu a banda Cheiro de Amor no topo de página. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por mais que se tente enredar pelo cheiro, ele nunca terá o status da visão. Pode-se dizer que tal filme ou livro é realista ou reacionário. Jamais se dirá o mesmo de um determinado cheiro, se ele é marxista ou pós-moderno, hermético ou de apelo popular. Não há bilheteria para o cheiro. Ninguém vai a um local como o cinema para apreciar sensações olfativas. No futuro talvez a TV emane alguma fragrância, mas ainda assim será uma coadjuvante, enfeite de uma cena.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que vão aparecer comentários indicando uma extensa bibliografia sobre esse comentário aparentemente insignificante. Pior: quem sabe não estou dando uma opinião de torcedor de Bonsucesso, com diria Nelson. Corro o risco. Só aceitarei como contraprova nomes do mundo do cheiro capazes de ombrear com Michelangelo e Proust. Até lá, mantenho a perplexidade ao perceber que o cheiro, em termos de arte, só estaria precariamente relacionado com a perfumaria, palavra que remete ao odorífico e também ao supérfluo.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cheiro está sempre associado a outras coisas, quase nunca a si mesmo. Entre tantos outros, temos cheiro de terra molhada, o cheiro acre, tudo no ramo das comparações, e o cheiro indescritível, que explica muita coisa. É difícil escrever sobre cheiro porque os adjetivos não o explicam ou o efetivam completamente. A palavra precisaria de...cheiro. Ai pode estar o problema. Por pertencer ao mundo invisível e não produzir barulho, o cheiro torna-se um mote complicado para escritores e assemelhados. O quer dizer sobre o cheiro sem cair na seara bioquímica? Nesse caso, fórmulas e descrições de produtos provocadores de determinado odor não chegarão aos nossos narizes como informação integral e farejável. Falta o cheiro.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;  &lt;br /&gt;Enquanto escrevia os rasteiros comentários acima, Fabiano Camilo - via Memélia Moreira -, sugeriu um livro - &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Saberes e Odores&lt;/span&gt;, de Alain Corbin (Companhia das Letras). Em termos históricos, segundo a sinopse, parece interessante. Mostra que os diversos cheiros começaram a ser analisados e classificados a partir do século XVIII. “Os maus odores, antes tolerados, tornam-se insuportáveis. Passam a ser vistos como propagadores de doenças, arautos da morte e da putrefação”, afirma Dominique-Antoine Grisoni, do Le Matin. Também se refere a um "silêncio olfativo" que hoje nos cerca. Vou conferir.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-5067005826446327837?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/5067005826446327837/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/11/o-cheiro.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/5067005826446327837'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/5067005826446327837'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/11/o-cheiro.html' title='O cheiro'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-3223036605006107199</id><published>2011-11-26T05:54:00.000-08:00</published><updated>2011-12-28T13:33:58.371-08:00</updated><title type='text'>Questão de escolha</title><content type='html'>Uma bela mulher se aproximou e ofereceu-lhe tudo – amor, sexo, casa, comida e roupa lavada -, mas ele fugiu, levado pela ansiedade, porque sabe como terminam essas coisas. “Se vai ter fim, melhor nem começar”. O aparato da loucura é complexo. Desejo e precaução assim tão juntos não são comuns e estragam o dia e a vida. Questão de escolha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele se esconde, ela dá nova chance. Mais uma oferta. O homem pode trair preventivamente, sempre, pois se um dia vir a ser traído a vingança já estará feita. Ele não enxerga vantagem no trato. Traição lhe trará culpa, e se for traído sentirá ódio. A fase é de não experimentar sentimentos. Mesmo assim, não sabe por que seus nervos estão esticados diante da simples existência da mulher, especificamente desta, a inesperada. A corda se romperá algum dia e virá o desgosto, o remorso por não ter tentado, a depressão e os remédios.  Parece não haver jeito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A idéia do fim do amor é perturbadora e por isso a idéia do início também é. Chega um dia em que os lábios perderão o gosto, será mecânico e maçante, quase abjeto, o beijo sem sabor de beijo. E um dos lados sentirá falta disso, mesmo assim. Ademais, naquela idade crítica, é mais difícil correr riscos. A velhice se aproxima e passar o período de espera da morte com a dor da separação não está em seus planos. Evita, então, qualquer movimento brusco na área do amor. Faz o que para substituir uma dos melhores emoções da vida? Quase nada. Vive através dos romances dos outros, em romances escritos e não escritos. Deixa a decepção para o momento final, quando o balanço amoroso estará no vermelho. Questão de escolha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última oferta. Morro por você, disse ela. Não há acordo. Morrer, todos morrem, e acrescentá-lo a essa loucura é apenas retórica. Não a quer dessa forma, entregue e desprotegida, dependente dele. Descarta a responsabilidade de ter uma vida em suas mãos. Não morreria por ela, eis a recíproca, embora deseje o corpo e a alma da mulher. Para ele, o caso começa a perder sentido. Deixará tudo lá, em seu canto, como se nada tivesse acontecido. Antes de partir, extrai dela encantos que nem sentiu na pele. Questão de escolha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-3223036605006107199?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/3223036605006107199/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/11/questao-de-escolha.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/3223036605006107199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/3223036605006107199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/11/questao-de-escolha.html' title='Questão de escolha'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-1715793598087159911</id><published>2011-11-23T10:11:00.000-08:00</published><updated>2011-11-27T21:12:32.000-08:00</updated><title type='text'>O agregado</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;br /&gt;Com o tempo, adquiriu certa autoridade na família, certa audiência, ao menos; não abusava, e sabia opinar obedecendo&lt;/span&gt;. Machado de Assis (Dom Casmurro)&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele adorava aquela família rica. Era quase nada diante do império levantado pelo patriarca, mas, sabe-se lá por que, ganhou intimidade no seio aristocrático, obviamente reconhecendo seu lugar. Havia compensações de sobra para ele gostar de sua semi-adoção pelos donos do mercado de máquinas pesadas: Alpes, ternos bem cortados, festas históricas e pessoas bonitas. Além de tudo, um sentimento estranho, quase de adoração, surgira desde que passou a compartir o lar milionário. Com tal sentimento, gostaria de viver pelo resto da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a herdeira viajava, ela entrava em depressão. Era sua referência na família. Então, voltava a seus pares sociais, até em bares de segunda, para contar as delícias do andar de cima. Nesses momentos, se embebedava e passava a pintar o retrato dos protetores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Os seguranças estão proibidos de olhar para a patroa, dizia. Ele expunha tais características com orgulho, absorvendo a moral dos donos, pois achava lindo tudo aquilo, e até mesmo um crime nebuloso que fechou a família em copas, ganhou ares de filme noir em sua conversa bastante atraente, salpicada com temperos de cultura livresca. Alguns de seus interlocutores engoliam o discurso; os contrariados calavam, por medo de passarem por invejosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O agregado em questão é um cínico. Tem família, pai, mãe e irmãos, mas pouco aparecia para vê-los. Praticamente morava em um quarto de hóspede na mansão, que usava sem pedir consentimento. No mais, abria geladeiras, folheiava livros, fazia interurbanos e pedia um motorista de vez em quando. Estava dentro das regras. O que não podia era entrar nos negócios da família. Podia – e pôde ainda mais - conhecer os mais íntimos sentimentos da herdeira.  Estavam implicitamente vetadas perguntas sobre contrato e licitações. Seria intimidade demais. Ele entendia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A herdeira de não-sei-quantos sobrenomes (aliás, sei quantos e quais, mas convém decliná-los para proteger o narrador e seu personagem) gostava de longas temporadas em hotéis, onde alugava andares inteiros para seu entourage, que incluía médico, massagista e cabeleireiro. Às vezes ele ia junto, já esteve até na Índia, e se encarregava de compras, passeios e, eventualmente, alguma droga ilícita. Não era de pedir dinheiro. O emprego público conseguido pela herdeira garantia sua sobrevivência descansada. Não precisava dar expediente. Mesmo assim esteve nadando em dívidas há alguns anos. Ficou calado, mas a madame sentiu o drama e obteve informações. Cartões, cheques especiais e despesas outras foram quitadas na hora. Ele apenas chorou ao pé da cama da benfeitora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O marco adulatório dessa relação talvez tenha sido o encontro com a herdeira, então com 15 anos, num curso de inglês que ambos freqüentavam. Ele com bolsa integral; ela com quatro seguranças. Ficaram amigos por compartilharem banalidades, coisinhas frívolas, fofocas sobre o Jet set e alguns exotismos e esoterismos. De saída, ele sabia com quem estava tratando e cuidou de frear a admiração, que mais tarde se tornaria aberta e quase pegajosa. Depois ficou mais sóbria. Mas não seria demais, naquele momento, bajular dentro dos limites – ela adorava elogios em público, seleto público, bem-nascidos misturados com artistas. Acima de tudo se deram bem porque juntos bebiam muito, desesperadamente.  Na sequência vieram outras drogas e uma hepatite C para ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo voou, passou o século e ele manteve-se na célula-mater alheia, dominando espaços e sem infringir o código número um: você não é da família. O que mudou, então? Num certo momento, precisaram ainda mais dele para o despejo diário de lágrimas e queixas. A herdeira, a bela de outrora, transformou-se em 120 quilos de diabetes e depressão, embora ainda estivesse à frente dos negócios. Houve outras duas mortes na família, uma delas por overdose. A caçula, chegada em cultura, festas e perigos em geral. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia desses, pelos jornais, mais uma densa névoa desceu sobre a família mais rica daquele pedaço do Brasil. O patriarca, já morto, tinha um passado sombrio, estamparam os jornais. Esteve ligado aos nazistas, antes e durante parte da Segunda Guerra. Dessa vez ele foi convocado para ouvir a versão da herdeira e, em seguida, instruído a sair por ai, agora na condição de assessor de imprensa, administrando a crise com bastante talento e dinheiro suficiente para colocar uma pedra no assunto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não vamos nos defender. Política é uma questão de gosto – instruiu a herdeira, como se estivesse tratando de uma querela PT x PSDB. A ligação com Hitler, documentada, tinha tudo para seguir em frente, nas páginas do país inteiro, mas habilidade é tudo, como ela sempre diria. O assessor e amigo não seguiu a linha de pensamento da herdeira. Preferiu adotar a clássica desculpa do inocente útil que se deixou iludir por ideologias estranhas, especialmente o integralismo brasileiro, e daí em diante passou a citar nomes transformados em vestais da democracia depois de uma temporada entre os camisas pretas de Plínio Salgado - o mais próximo que tínhamos do nacional socialismo. Usou como exemplo Dom Helder Câmara, falecido arcebispo de Olinda e Recife, cuja passagem pelo integralismo foi naturalmente ofuscada pela posterior posição de defesa dos direitos humanos.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso herói, portanto, estava maduro. Como José Dias, o agregado de Dom Casmurro, chegou ao ponto em que dava palpites sobre temas da maior gravidade e antes proibidos. Abriu-se a porta para ele falar dos negócios das empresas. Começou a expor, com todo jeito, leves discordâncias táticas. Foi um pouco mais fundo, ao abordar, pisando em ovos, o comportamento deslocado de alguns membros da família diante da realidade do mercado e do País. Pela primeira vez pensou como eles eram feudais. Mas não disse isso, nem de longe, e nada em seu íntimo o faria perder a admiração e o respeito pela herdeira e sua corporação. Nem foi além da conta nas questões corporativas, especialmente a divisão de cargos. Entre ele e a herdeira, havia uma afeição parecida com a do cão e sua dona. Sem muitos questionamentos, embora ele estivesse mudando.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O importante é que, graças ao império familiar ele ganhou uma profissão. Cursou jornalismo com esse fim - defender a família na imprensa como sempre fez informalmente em outros círculos. Só que a situação era mais complicada. O patriarca, mais uma vez ele, teria uma pequena multidão de filhos e todos, num único processo, pediam a sua parte. A herdeira pressentia: primeiro vêm os advogados, depois só restam os coveiros. Junto com o nazismo, a descendência bastarda tornou-se um prato cheio para jornais e revistas semanais. O Príapo-nazi deixara uma herança problemática. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;No auge das acusações e dos processos de paternidade ele serviu de ponte entre a família, a imprensa e os advogados. Avançou um pouco mais. Indicou linhas de defesa, contratou auxiliares e convenceu a herdeira a adotar gestos da responsabilidade social, defesa do meio ambiente, essas coisas. Não deu inteiramente certo. Alguns milhões foram perdidos na partilha de bens com os novos integrantes da numerosa família, alguns que nem sabiam assinar o nome. O principal, porém, foi garantido – a herdeira não perdeu o controle das ações e agora dividia com o agregado tarefas que eram dos três irmãos, todos sem jeito para os negócios, um deles metido com cinema Por fora, ele e a madame iniciaram empreendimentos paralelos, como sócios, na área da construção civil, mineração e turismo. Uma fortuna à parte ia se formando, enquanto a saúde dela começava a dar sinais de colapso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A morte da herdeira foi extravagante e sem elegância. Muitos gritos, fluidos e contorções. Estava desfigurada pelos medicamentos. No velório, os irmãos já estavam nos cálculos e em cima do testamento. Não sabiam que iriam encontram um ninho jurídico e burocrático que os igualava aos meio-irmãos. O agregado, ao contrário, estava rico. Bancou os tratamentos da herdeira, em hospitais do Brasil e do exterior, mas compensou os gastos com novos investimentos, inclusive num dos hospitais de excelência em que ela se internava com freqüência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje ele só lamenta não carregar o nome da família. Sente falta da herdeira, ganhou inimigos e amigos poderosos, mas a madrinha sempre está em seus pensamentos. Foi dele o discurso à beira do túmulo. Emoção bem dosada, texto limpo, a peça fora encomendada a um bom cronista da província.  No final, uma frase de Shakespeare saltou da página: "A gratidão é a maior riqueza dos humildes"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-1715793598087159911?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/1715793598087159911/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/11/o-agregado.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/1715793598087159911'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/1715793598087159911'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/11/o-agregado.html' title='O agregado'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-6389519989865999531</id><published>2011-11-20T15:28:00.000-08:00</published><updated>2011-11-20T18:05:15.366-08:00</updated><title type='text'>No sol</title><content type='html'>No sol a pino, carregando suas sacolas com coisas sem importância, fica pensando em confortos. Um taxi e uma pizza, nessa ordem, seriam de bom tamanho, caso não tivesse caído na miséria de forma tão inesperada. Álcool, mulher e jogo não tiveram a ver com sua atual condição. A história é outra. Planejamento errado, perda de emprego, 60 anos, ausência de crédito e sumiço de parentes somaram-se todos e eis o homem no meio da rua. Não foi bem o desemprego que transtornou sua vida modesta, mas remediada. Simplesmente sua profissão deixou de existir, e com ela praticamente deixaram de existir os sete sujeitos que operavam a máquina na fábrica. A máquina, agora, opera sozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Na terra&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O personagem em questão é um desses plantados à terra natal, cheio de raízes, carregado de cultura nativa e popular, lotado de razões para acreditar naquilo que é nosso desde tempos imemoriais. Ele é avesso a estrangeirismos, mesmo os de seu país, pois tudo começou aqui, os mitos e os heróis, a história com suas revoluções, os ritmos, os ritos antigos e modernos. Tudo. “Fora desses coqueirais não há salvação”, ele diz, arrastando a provinciana certeza.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;No Mar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não viaje, Iraci, aqui tem o mar. Você desce e sobe a ladeira e sua casa não some da vista. A casa é grande, século 19, fachada bordada com o brasão da família. Lá fora, os meninos sempre dispostos a dar recados e levar pesos.  A festa é constante, Iraci, e eu preparo sua cama e seu banho. De manhã, eu compro pães frescos e sirigüelas com hífen. Às vezes dormimos à tarde e temos um I-Pad. Pode ser assim para sempre. Não viaje, Iraci.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-6389519989865999531?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/6389519989865999531/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/11/no-sol.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/6389519989865999531'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/6389519989865999531'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/11/no-sol.html' title='No sol'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-9181590356769627190</id><published>2011-11-09T08:00:00.000-08:00</published><updated>2011-11-22T10:28:24.769-08:00</updated><title type='text'>Enxurradas d’alma</title><content type='html'>Para minha amiga roteirista o texto é muito mais do que uma fonte de renda. É tudo. A vida diante do precipício, inferno e céu, mar calmo e mar bravio, amores e separações, juventude e morte. Um mundo real. Só que mais bem escrito e turbulento, emocionado ao extremo, sem meio termos, oito ou oitenta. Dramaticamente intenso. Escrevendo, ela chora, sua frio, ri feito um louca e, em casos mais graves, desmaia. Despeja sentimentos em forma de enxurrada, inundando sua alma sensível e seu quarto espaçoso. Já baixou ao hospital por causa de uma frase. Uma palavra pode provocar depressão ou ansiedade. Às vezes, uma letra tirar-lhe o sono. O “W”, por exemplo, espeta suas costas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto diz-lhe verdades, traz boas notícias, abre um vale de lágrimas ou um campo florido povoado de noviças rebeldes. A escrita explode a cada parágrafo, estoura os limites da emoção e se ela esbarra no mau gosto, acerta o passo na sequência, transformando um pântano de breguice numa delicada paródia. Chega a achar que não existe de fato – é apenas um personagem de si mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não tem a afetação pública de alguns escritores, mas é enormemente afetada quando escreve. Nem os ansiolíticos resolvem seu mergulho na história. Linhas tristes, tristeza de verdade. Quando a ouve, o analista sente-se num congresso de literatura. Só ficção. Nenhum pio sobre aflições reais. Mesmo porque o analista é mais do que analista; também é personagem dela. Está em seu próximo livro, numa trama sem saída, recheada de situações desagradáveis e um suicídio quase escatológico. Os dois terminam conversando sobre o desenrolar desse romance trágico. Ele não se conforma com a idéia de morrer no final – muito menos daquele jeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra fonte de desespero são as influências. Quanto se afunda na alma do personagem lembra que alguém já fez parecido, talvez Clarice ou Conrad. Noutras horas, sente-se escrevendo à Somerset Maugham e grita: “não!”. Se andou lendo Machado logo aparecem ironiazinhas bem clássicas e ela desce as escadas do prédio, correndo, para uma volta no bairro, sem destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha amiga quer uma literatura selvagem, sem interferências externas, ligada ao sistema nervoso central, com a exasperação no talo. Nem sempre consegue. Nessas horas, a família entra em cena e a recolhe para uma semana na Clínica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado no &lt;a href="http://malvadezas.com/2011/11/09/enxurradas-d%E2%80%99alma/"&gt;malvadezas&lt;/a&gt; em 09/11&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-9181590356769627190?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/9181590356769627190/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/11/enxurradas-dalma.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/9181590356769627190'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/9181590356769627190'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/11/enxurradas-dalma.html' title='Enxurradas d’alma'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-3101504701973048826</id><published>2011-11-07T13:15:00.001-08:00</published><updated>2011-11-07T13:15:25.194-08:00</updated><title type='text'>De carona na Fliporto</title><content type='html'>A marquesa de Varadouro Y Milagres, Daniella Miranda, convida para o lançamento do livro “Todo dia me atiro do Térreo”, de Lula Falcão, em seu solar da Rua Joaquim Nabuco, nº 5. O evento será nesta sexta-feira (11), às 21h, após a abertura da Fliporto. A histórica casa da marquesa de Monte Alegre está sendo restaurada e em breve será transformada em centro cultural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Todo dia me atiro do Térreo” (editora Bookess) - já lançado em São Paulo, Rio, Recife e Fortaleza – conta a história da fictícia Maria Lúcia, viciada em twitter, sexo virtual, vodka e literatura. Agora, o livrinho pega uma carona na Fliporto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-3101504701973048826?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/3101504701973048826/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/11/de-carona-na-fliporto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/3101504701973048826'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/3101504701973048826'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/11/de-carona-na-fliporto.html' title='De carona na Fliporto'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-1908965641530609237</id><published>2011-10-25T21:22:00.000-07:00</published><updated>2011-10-25T21:24:42.550-07:00</updated><title type='text'>Retrospectiva 2011</title><content type='html'>A ideia inicial era lambuzar o espaço aqui com um pouco de política. Olhei em volta, senti o drama, desisti. A seguir, pensei em algo confessional, mas faltaram coragem, novidade e conteúdo. Só haveria ruminações queixosas sobre 2011, este ingrato. Mesmo assim, para não virar a crônica do cara sem assunto, vamos então a uma retrospectiva do ano, à moda da casa, tirando da parada Steve Jobs, Osama e Kadafi. Não haverá critério jornalístico. Aliás, não haverá critério de qualquer espécie, mesmo porque as ocorrências abaixo ainda carecem de confirmação. Ainda mais imprecisa, mas com boas fontes, é a história do jovem escritor em Nova York. Segue resumida, com algumas omissões, embora ocupe dois meses deste balanço de coisas nebulosas e sem importância. &lt;br /&gt;Continua no &lt;a href="http://malvadezas.com/2011/10/26/retrospectiva-2011/"&gt;malvadezas&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-1908965641530609237?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/1908965641530609237/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/10/retrospectiva-2011.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/1908965641530609237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/1908965641530609237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/10/retrospectiva-2011.html' title='Retrospectiva 2011'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-6471475032988180046</id><published>2011-10-18T11:41:00.000-07:00</published><updated>2011-10-18T12:06:47.218-07:00</updated><title type='text'>Deus</title><content type='html'>Deus é assim, não tem religião nem se considera eterno. Está tão atormentado quanto seus adoradores. Vez por outra entra em crise.  Como é desprovido de vaidade, fica enjoado com orações e outras mesuras. Quando clamam por sua ajuda, Ele só lamenta: “Tudo eu, tudo eu”.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus contesta livros e sermões. “É ficção pura”, diz. “Não fiz o mundo em sete dias, não tenho filhos nem autorizei ninguém a falar em meu nome”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também não se acha responsável por mortes e tragédias. “Essas coisas podem acontecer com qualquer um, inclusive comigo”. Ele não interfere, não dá palpite, deixa rolar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os anos, Deus premia um ateu de sua preferência com férias remuneradas no Paraíso. O sujeito volta à Terra, esquecido tudo, e continua a levar sua vida de descrente. Deus adora as pessoas que não acreditam nele. Dão menos trabalho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-6471475032988180046?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/6471475032988180046/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/10/deus.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/6471475032988180046'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/6471475032988180046'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/10/deus.html' title='Deus'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-3382352484795608692</id><published>2011-10-16T12:18:00.001-07:00</published><updated>2011-10-17T19:33:48.202-07:00</updated><title type='text'>O jovem escritor e o seu duplo</title><content type='html'>Um dos riscos da criação de personagens é a criatura já existir, de fato ou de ficção. Nossa sã e malsã consciência às vezes constrói personalidades baseadas – baseadas até demais – em figuras de outros livros, pessoas conhecidas ou parentes. Ele, por exemplo, criou um doidinho enovelado por inimigos reais e imaginários, e só depois de colocar o sujeito na tela, já com uns 11 mil caracteres escritos, descobriu que se tratava do senhor Goliadkin, o conselheiro titular atormentado de “O Duplo”, de Dostoievski. Já a tentação de escrever sobre pais e mães também passa pela cabeça de quem se mete em literatura, seja num Best-seller mundial ou num blogspot.com. Muitos aceitam o chamado e jogam a família na roda, descontando nas palavras rancores de todos os tipos. Outros entram na embromação de inserir os defeitos dos progenitores – um nome muito feio, por sinal – em pessoinhas com nomes fictícios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois problemas são o suficiente por hoje, vamos nessa. O escritor russo pensou no senhor Goliadkin quando tinha apenas 24 anos. Só que isso foi em 1846. Ele, o jovem escritor, imaginou-o há um mês. Pense na decepção. Não era plágio, pois o escriba atual, em estado de prostrada depressão, nunca havia lido &lt;span style="font-style:italic;"&gt;O Duplo&lt;/span&gt;. Sacou quase a mesma coisa, mas com 165 anos de atraso. A primeira sensação que teve: todos os personagens já foram criados, não adianta mais, tchau. Com o tempo – duas horas, se muito – estava catando uma justificativa para a coincidência e chegou ao veredicto: mesmo lá atrás, aconteciam essas coisas. Freud, por exemplo, sempre gostava de citar Arthur Schnitzler, como seu escritor de cabeceira, mas havia mesmo tirado do senhor Goliadkin inspiração para escrever “Das Unheimliche” (1919). É ele, o jovem escritor, que lança tais suspeitas sobre o duplo e o pai da psicanálise - não eu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso personagem - o jovem escritor, não Freud – também ponderou que todas as histórias derivam das peças de Shakespeare, mas isso também não é um pensamento original, como não é original afirmar que o referido autor - Shakespeare, não o jovem escritor – bebeu na mitologia e de lá extraiu quase tudo. Então, nessa toada vamos indo, uns pegando as coisas dos outros e passando adiante. Só que tem um porém: para se contar a mesma história, existe a obrigação de contá-la bem, raciocina o jovem escritor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí o jovem escritor começou a simpatizar com o seu Goliadkin, também provido de um duplo, e retomou a história. Está concorrendo com Dostoievski, mas tudo bem, vamos construir um similar nacional de alto nível, embrulhado num preâmbulo de bom tamanho para explicar que o livro é uma imensa citação do autor russo, e tal procedimento se enquadraria num esquema de transtradicionalização, se é que isso existe. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda essa pensata, como dizem nas revistas semanais, é para especular que nem sempre pode ser pecado escrever a mesma história. Se for bom de ler, vamos em frente. No caso de a versão não ser lá essas coisas, ainda resta explicações conceituais que, em alguns casos, resolvem o problema. Basta que a citação seja boa, tão boa que a faça bem melhor do que livro e ai o livro fica sendo a sua justificativa e não a história em si. Talvez isso seja uma tendência de certa literatura, pensa o jovem escritor, que também é um personagem manjadérrimo – um truque de segunda para ancorar as linhas acima.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-3382352484795608692?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/3382352484795608692/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/10/o-duplo-e-o-jovem-escritor.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/3382352484795608692'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/3382352484795608692'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/10/o-duplo-e-o-jovem-escritor.html' title='O jovem escritor e o seu duplo'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-726572094866861458</id><published>2011-10-12T11:14:00.001-07:00</published><updated>2011-10-12T11:15:35.819-07:00</updated><title type='text'>Sempre será assim</title><content type='html'>Esse homem ainda existe por ai, perdido num subúrbio remoto, alheio ao tempo que passa, com seus costumes mantidos, igual a antigamente. Cria passarinhos em gaiolas, tem uma corrente de ouro e joga no bicho. Três filhos. Um deles com curso técnico, outro no Exército e o mais novo entregue à cachaça. O emprego cabe a seu tipo, é despachante. Depois do almoço, sempre feito em casa pela mulher-silêncio – sua esposa há 30 anos -, senta na calçada. O palito de dentes volteando na boca e os olhos no movimento da rua. Tira uma soneca antes de voltar ao escritório, que fica no mesmo bairro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida segue assim, como fora a de seus pais, e ali na sala estão o quadro da Santa Ceia, uma flâmula do time e fotos emolduradas da família. À noite, depois da janta, liga-se em programas populares da TV ou joga dominó com os amigos. Fuma Derby, usa bigodes e não sai sem o cortador unhas, anexado ao chaveiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No escritório, além de Vitorinha, a secretária, conta com um office-boy, ou melhor, um contínuo, o rapaz que faz as coisas, leva e trás, entra na fila do banco e faz a limpeza. Vitorinha é datilógrafa, nunca usou computador, nem o homem vê necessidade disso, pois tudo que interessa está no livro-caixa manuscrito, despesa e receita, e nos formulários em quatro vias, tiradas com papel carbono. O resto é reconhecimento de firma, fotocópias e autenticação de documentos. O trabalho de despachante não exige muita informática, exceto quando é preciso ir ao DETRAN e a outras repartições do Estado e do município. Mas ai é com eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de muita luta, o filho que bebe ainda tentou algo na vida, curso de correspondência comercial, para ajudar o pai no serviço. Mas deixou pela metade. Por desinteresse, preguiça e más companhias. O homem só resmunga, dá o caso como perdido e entrega a Deus. Os outros, não, são motivo de orgulho. O que está no Exercito e serve fora da cidade mande-lhe cartas ou telefona. Em casa, o aparelho é daqueles cor de abacate, com disco e bordinha branca no bocal. Mas o homem tem um celular, dos mais simples e pré-pago, que usa no cinturão, como um revólver. Ligar e receber ligações são o suficiente. Não tem e-mail. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando está emburrado ou triste, recolhe-se para ouvir seus discos, a coleção quase completa de Nelson Gonçalves, pela RCA Victor, ou Jorge Veiga – “Amor não tem idade” e outros sucessos, que provocam imensa saudade do rádio, onde o próprio cantor sempre repetia: “Alô, alô, aviadores que cruzam os céus do Brasil. Aqui fala Jorge Veiga pela Rádio Nacional. Queiram dar os seus prefixos para a guia de nossas aeronaves”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem não sabe que tem uma estratégia contra o passar do tempo: não deixar que ele passe; mantém-se lá atrás, apegado à moda da juventude, quando vivia de verdade. Agora recordar é viver, nostalgia não tem idade, serestas, seleção de 58 e Emulsão Scott - hoje tão raro nas farmácias. Não há muito que fazer. Apenas deixa os discos tocarem na vitrola Telefunken, modelo Dominante, comprada em 65. Às vezes prefere o silêncio. Então, fica olhando o estranho mundo lá fora, sentado na calçada, palitando os dentes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-726572094866861458?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/726572094866861458/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/10/sempre-como-antes.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/726572094866861458'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/726572094866861458'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/10/sempre-como-antes.html' title='Sempre será assim'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-2822385137463336611</id><published>2011-10-09T20:41:00.000-07:00</published><updated>2011-10-10T14:16:17.007-07:00</updated><title type='text'>O show</title><content type='html'>Nesta idade ainda faço coisas bacanas. Uma delas é imitar a mim mesmo quando jovem. Na verdade, é um retrato meio irônico da minha geração, seus trejeitos e modismos. Quem viveu o período, acha graça. Quem ainda estava para nascer, não entende, mas fica curioso. Mostro como os homens se comportavam naquela época diante das mulheres e da vida. Lembro frases interessantes, certos reclames de rádio e pessoas pitorescas. Na platéia, senhoras quase minhas contemporâneas se esbaldam, mas suas netas e bisnetas apenas fazem perguntas. Ficamos, eu e as jovens, naquele impasse: elas não sabem como foi nosso tempo; eu não sei quase nada sobre hoje. Enquanto dou o espetáculo, elas mexem em seus telefones portáteis – inimaginavelmente pequenos – e mais se admiram pelos meus 100 anos tão viçosos do que pelo script em si. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na forma e conteúdo é um show sobre comportamento. Creio que deveria tê-lo feito durante a juventude, ganharia em graça e atualidade, mas não faz mal. As meninas prestam alguma atenção, pelo lado épico, e eu uso aqueles momentos para olhar as mocinhas bem de perto. Suas ancestrais, ainda vivas e ali postadas, não me emocionam do ponto de vista sexual. Quando me refiro a sexo, não se enganem, estou tratando de algo subjetivo e distante, apenas o assombro de ver peles tão sedosas, em shorts justos, exibindo uma exuberância carnal lamentavelmente inexistente na segunda quadra do século passado. Por que não era assim antigamente? Por que aqueles vestidos que cobriam até os pensamentos? Sempre sonhei com mulheres quase desnudas, com as que existem agora, mas é tarde demais para anseios de ordem prática, embora algumas vezes tenha me imaginado o correr dos meus dedos nessas coxas grossas e rijas dos dias atuais. Essa Clarinha, então, poderia estar no meu colo. Ela não faria isso. Talvez por medo de triturar minha bacia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para não ser apenas uma aberração anacrônica, um velho centenário contando piadas de salão e ensaiando passos de maxixe, teria que remoçar ou pelo menos aprender como o funciona o universo dessas moças. Pode ser tarde, mas ando tentando. Como uma pessoa da minha idade pode sair à noite, falar em telefones que se levam para a rua, transmitir mensagens escritas e até imagens pelo mesmo aparelho? Como devo me vestir? A bengala e os suspensórios são tão presentes na minha indumentária. Lamento não ter nascido bem depois dos anos 10.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O importante é que sigo com o show e a audiência está cada vez maior. No jardim da velha casa temos chás ingleses e medicinais. As meninas trouxeram outras ervas. Elas fumam aquilo, não ligo, mas o cheiro não é muito agradável. Às vezes perco o fio da meada, fico olhando para a de saínha curta, mas logo me recomponho, pois a memória permanece viva, pelo menos para fatos com mais de 50 anos.  Dia desses desandei a falar sobre 1936, ano bom, cheio de histórias e progresso material. Pulei para 54, a morte de Getúlio, e uma das moças perguntou quem era Getúlio, eu disse Getúlio Vargas e ela se lembrou por causa dos livros de história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No começo da noite, todas vão embora – as velhotas e as gerações seguintes. Fico sozinho, meio triste, mas preparando o novo espetáculo. Não quero ficar repetitivo. Se estiver vivo no ano que vem vou montar o que pessoal chama de Stand up comedy.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-2822385137463336611?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/2822385137463336611/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/10/o-show.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/2822385137463336611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/2822385137463336611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/10/o-show.html' title='O show'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-2118891668126977899</id><published>2011-10-04T21:18:00.000-07:00</published><updated>2011-10-09T20:06:47.543-07:00</updated><title type='text'>Ciúmes transcendentais</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Não comece uma história sem&lt;br /&gt;saber como ela vai terminar&lt;br /&gt;Sir Walter Rawley&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começou a namorar e logo descobriu um desafio a ser enfrentado: a moça é esotérica, daquelas bem plurais, sincrética até o último chacra, dona de um altarzinho com Buda, Shiva, Jesus, gnomos, iemanjá e a foto do Doutor Matias (1890-1954), um espírito de luz. O pacote inclui ainda Tarô, I-Ching, Búzios e algo chamado “Teoria das emas totalizantes”, mistura de cabala, ensinamentos de Lao-Tse e Física Quântica. Pelo menos foi o que ele entendeu, assim, meio por cima.&lt;br /&gt;Continua no &lt;a href="http://malvadezas.com/2011/10/05/ciumes-transcendentais/"&gt;Malvadezas&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-2118891668126977899?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/2118891668126977899/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/10/ciumes-transcendentais.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/2118891668126977899'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/2118891668126977899'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/10/ciumes-transcendentais.html' title='Ciúmes transcendentais'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-2304684022748054303</id><published>2011-10-01T11:25:00.001-07:00</published><updated>2011-10-01T11:25:59.086-07:00</updated><title type='text'>Ateísmo: tipos</title><content type='html'>Sempre dizem que eles terminam cedendo na hora do juízo, nas últimas, mas a explicação é simples: no aperto, se apela até ao que não se acredita. Além disso, o ateu autêntico é apegado à dúvida, considera a possibilidade de estar errado. Assim, por que não manifestar essa incerteza na hora da morte?  Ao contrário, muitos religiosos jamais põem em dúvida sua crença e, tranquilamente, vão com ela até o fim. É mais confortável. A fé não é para todos – eles pregam. O ateu contra-ataca: a fé é justamente a fuga da dúvida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O debate é eterno, mas neste caso diz respeito aos tipos de ateus, a partir de um personagem cuja história é contada, e bem contada, pelo excelente dentista Halley Maroja. Existia na terra de Halley, Caruaru (se não exista, não vem ao caso), um farmacêutico que, todos os dias, colocava seu tamborete na porta farmácia, olhava pro céu e desafiava: “se Deus existe, que me jogue um raio agora em cima de mim”. Esperava alguns minutos e depois recolhia o baquinho. Saía fazendo muxoxos de desdém. Trata-se de um tipo de ateu muito específico, o que tem fé. Acredita piamente na não existência de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há ainda o ateu por conveniência. No fundo acredita que existe alguma coisa mais além, uma energia, mas como a namorada é incrédula até a alma, ele adere, declara-se seu amor e sua descrença. Afinal, a tal energia não deve estar ai para punir ninguém. O fato de acreditar ou não acreditar nela não vai interferir em sua existência ou não existência. É só uma energia e pronto. Este é o ateu sem culpa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ateu em conflito é outra espécie. Também desprovido de fé, não acha plausível a existência de Deus, mas a constatação o deprime. O fato de a vida ser apenas isso aqui, e lamentavelmente pode ser mesmo, joga o homem numa parada existencialista que o leva à leitura de filósofos da Igreja, como Santo Agostinho e São Thomaz de Aquino. Com eles, não encontra conforto para suas angústias, mas gosta do estilo e pelo menos se arrumou com os intelectuais católicos e eles devem ter alguma influência com o Criador, na possibilidade remota de ele existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por último, hoje, há o ateu militante. É metido em organizações ateístas de várias procedências e um brigão pelo estado laico. Alguns, não são apenas incréus. São contra Deus e até existência da idéia de Deus. Não leva em conta a possibilidade de estar errado e se o Supremo aparecer na sua frente, cercado de anjos, ele está pronto para convencer o próprio de sua inexistência.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-2304684022748054303?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/2304684022748054303/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/10/ateismo-tipos.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/2304684022748054303'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/2304684022748054303'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/10/ateismo-tipos.html' title='Ateísmo: tipos'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-2497471384666803994</id><published>2011-09-30T14:18:00.001-07:00</published><updated>2011-09-30T14:18:47.574-07:00</updated><title type='text'>O bom corrupto</title><content type='html'>Eu vou mostrar pra vocês como se dança o baião, vou abrir as portas do paraíso, fazer e acontecer enquanto estiver aqui, neste cargo, mandando e desmandando, comendo todo mundo e comprando com cartão de crédito corporativo. Só não gosto de ser injusto. Vamos dividir a merreca com os mais chegados, os moralistas, os sonsos e a imprensa falada, escrita e televisada. Quero marcar minha passagem como o bondoso, o Messias burocrático, o homem que multiplicou propinas no Vale do Amanhecer. Sou eu, o corrupto do bem, a mola do desenvolvimento, o criador de um novo conceito de desvio de verbas públicas para finalidades filantrópicas e culturais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não adianta ser feliz sozinho. Existem amigos em sérias dificuldades financeiras. Para eles, vai uma parte da comissão e do dízimo. Distribuição de renda funciona assim, em intervenção direta, e não com o blá-blá-blá de políticas oficiais, feitas para não resolver questões cruciais, como o pagamento de dívidas e os desvarios da patroa. O negócio é dinheiro vivo na mão do sujeito, sem formalidades. Não dá para todos, eu sei, mas ver aquelas carinhas alegres recebendo sua fatia já dá meu dia por ganho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ética, amigos, pode ser o alimento daqueles que estão na universidade, com salário mensal garantido, mas não cuida dos sem profissão definida nem dos esforçados do curso supletivo. Cheguei aqui quase sem nada, apenas com esforço e um enorme talento para a bajulação. Galguei degraus, peguei o meu, comprei um apartamento e uma casa na praia. Só que nunca me esqueci dos amigos, dos companheiros de miséria, hoje todos remediados graças a este espetacular projeto inventado por minha equipe e inspirado na mais pura caridade cristã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corrupção, portanto, não é o mal deste País. É sua salvação. Sem ela nada, as coisas não funcionam, os papéis se acumulam, produzindo mais lixo e a conseqüente devastação da natureza. Sem ela ninguém trabalha com alegria, pois só vislumbrará o mísero salário no final do mês. Sem ela não há esforço concentrado para a aprovação de matérias, movimentações nos lobbies de hotéis, incremento do comércio de maletas, patrocínios decentes, baladas, bons restaurantes, mulheres bem vestidas, viagens internacionais, prazer sexual e banhos de jacuzzi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nãos e enganem. Todo dinheiro, sujo ou lavado, termina voltando para o PIB, ainda mais encorpado, produzindo riqueza e melhoria do IDH. Acima de tudo satisfação das pessoas queridas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O futuro está em suas mãos. Use-as.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-2497471384666803994?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/2497471384666803994/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/09/o-bom-corrupto.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/2497471384666803994'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/2497471384666803994'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/09/o-bom-corrupto.html' title='O bom corrupto'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-3741547705196157486</id><published>2011-09-29T09:35:00.001-07:00</published><updated>2011-09-29T09:35:24.739-07:00</updated><title type='text'>Ansiedade do começo ao fim</title><content type='html'>O que estraga uma história, quando já se sabe como ela termina, é a vontade de chegar logo no fim. O cara quer aquele arremate já pensado antes de sentar para escrever o livro. A pressa leva a uma convergência prematura de acontecimentos, uns atropelando os outros, e muitas vezes o romance termina virando conto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O contrário traz outro tipo de problema. O sujeito parte de uma frase, mas esta frase precisa sair do canto e não ficar o tempo todo se gabando de si mesma. A sequência da história é um processo penoso porque o escritor começa achar que nada vale a pena depois daquela frase. Então, o conto pode virar um poema ou uma tirada espirituosa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Notei a primeira angústia ao ler “Um Sussurro nas trevas”, de H.P Lovecraft (1890-1937), editado pela Hedra. Doido para escrever o desfecho, o escritor de histórias fantásticas e influenciador de Stephen King coloca seu personagem nas costas – o cético folclorista amador Albert Wilmarth – e corre com ele em busca dos segredos escondidos nas colinas de Vermont (EUA), onde se escondem seres extraterrestres, segundo revelações feitas em cartas pelo acadêmico recluso Henry Akeley. Dá para sentir, a cada parágrafo, que Lovecraft já enxerga a linha de chegada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A surpresa do livro, no entanto, nem é o fecho do autor, mas um apêndice escrito Fritz Leiber, que gosta de Lovecraft, mas neste caso esboça uma série de restrições sobre a obra – até mesmo a respeito da verossimilhança dos personagens. O defeito essencial da narrativa, segundo Leiber, é a sua própria estrutura, pois Lovecraft “planejou um grande susto apoteótico para Wilmarth (e para o leitor) e escreveu de maneira obstinada rumo a esse objetivo, propositalmente evitando qualquer tipo de desvio”. O comentarista, também escritor de romances fantásticos - morto em 1992 - observa ainda que a marcha batida rumo à apoteose parece ser o motivo para a escassez de momentos dramáticos no miolo da história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caso número dois, aquele que prende o escritor ao início, tem muitos exemplos. Muitas frases geniais seriam um excelente ponto de partida para um romance. Mas os autores se contentaram com a frase ou mesmo não perceberam que, a partir dali, teriam uma bela história pela frente. Para ser mais breve – e também apressado em chegar ao final – pego o exemplo do crítico e dramaturgo George Jean Nathan (1882 — 1958). Como seria interessante que um livro começasse assim: "Bebo para tornar as outras pessoas interessantes." O mesmo poderia ocorrer a frasistas de primeira, como Dorothy Parker, Groucho Marx, Millor Fernandes, entre tantos. Modestamente, pensei numa boa frase outro dia. Dali comecei a escrever uma história. Mas não rendeu sequer um conto. Virou post do twitter.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-3741547705196157486?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/3741547705196157486/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/09/ansiedade-do-comeco-ao-fim.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/3741547705196157486'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/3741547705196157486'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/09/ansiedade-do-comeco-ao-fim.html' title='Ansiedade do começo ao fim'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-7107427191364163273</id><published>2011-09-25T12:55:00.001-07:00</published><updated>2011-09-25T13:41:36.990-07:00</updated><title type='text'>Tempos modernos</title><content type='html'>Acorda cedo num dia, acorda tarde no outro. Remédio para dormir, remédio para encarar a rotina, remédio para agüentar a existência e outros tantos compridos amarelos, verdes e cor de abacate para não sair por ai, muito eufórico, distribuindo sorrisos gratuitos e comentários impertinentes. A farmacologia ataca por um lado, mas sempre deixa emoções a descoberto, alguns pensamentos sombrios e alegrias descabidas no momento errado. Tantas drogas tornam sua vida num ping-pong entre o entusiasmo descabido e o tédio profundo. Sem contar os efeitos colaterais, combatidos com mais medicamentos, que às vezes aumentam a indiferença pela manhã e provocam agitações noturnas sem motivo aparente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As emoções humanas mais regulares não se apresentam em situações próprias. Chegam como surto e inquietação. Apaixona-se apenas por ícones inatingíveis para não correr riscos, pois uma das cápsulas, esta quase dourada, impede sentimentos mais profundos em relação a seres próximos. Existe, no entanto, outra medicação, capaz de esconder o vazio da alma e a falta de dimensões no relacionamento com as pessoas. A pílula evita que as coisas se passem apenas no presente, sem perspectiva geométrica, num plano longo e exaustivo. Por sorte, a dor no peito, antes constante, foi apagada da memória por um antidepressivo de quarta geração, cuja literatura médica só adverte para alguns lapsos, pânicos e impulsos suicidas.  Em tais situações, ele ingere dois tipos de ansiolíticos, que trabalham em direções opostas, bombardeando neurônios como numa frente de batalha. Nessas horas, ele dorme. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A indústria farmacêutica parece ter cumprido sua parte. Mas o apagão é precário. Logo surgem os pesadelos escatológicos, os gritos de todas as dores do mundo e um despertar recheado daquelas recordações quadro a quadro. Hora de medicar-se de novo para esquecer tudo aquilo, ou pelo menos um pedaço, pois hoje hora marcada com o analista e precisa de assunto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A busca da cura também o levou a terapias alternativas, à base de chás e outras beberagens, apesar de seu ceticismo. Não funcionou. Precisava de alguma bomba de laboratório, algo sintético, alopatia selvagem. O resultado é que virou um monstro de sete cabeças, mas o que lhe resta de razão sempre lhe conforma: foi o jeito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com todos esses sintomas, o homem ainda lê. Além das bulas, com suas reações adversas, precauções e advertências, atenta para um tipo de literatura pouco indicada para seu estado. Os livros despejam mais desespero em sua alma. Os autores prediletos são aqueles tipos pessimistas, cheios de becos sem saída e vidas sem sentido. Então, após percorrer a última página, engole um agente antipsicótico atípico, que interage com uma ampla gama de neurotransmissores, e acalma-se. Sabe que suas angústias permanecem intactas, sob o cimento das drogas, mas aceita o alívio momentâneo como algo bem parecido com felicidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-7107427191364163273?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/7107427191364163273/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/09/tempos-modernos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/7107427191364163273'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/7107427191364163273'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/09/tempos-modernos.html' title='Tempos modernos'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-5796939713247260967</id><published>2011-09-22T14:39:00.001-07:00</published><updated>2011-09-22T14:40:58.253-07:00</updated><title type='text'>Itálicos críticos</title><content type='html'>Vivia de escrever passados para pessoas sem memória. Vez por outro aparecia um cliente, esquecido de outras épocas, sem nenhuma para contar, e ele tinha como primeira tarefa uma longa entrevista com o amnésico. Conversava sobre hoje para construir um ontem verossímil. Quase todos saiam felizes ao deparar, alguns dias depois da consulta, com uma infância cheia de esperança, brilho e revelações. Lembranças acolhedoras não custavam mais caro, mas sempre aparecia alguém pedindo uma pitada de sofrimento em suas recordações. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um único caso a mercadoria foi devolvida. Por engano, foram feitas duas memórias iguais e elas terminaram nas cabeças de dois homens de cidades diferentes. Mesmo assim, eles se conheceram, ficaram amigos e com o tempo descobriram que suas infâncias eram descaradamente iguais, em todos os detalhes, desde o braço esquerdo quebrado ao triciclo verde do Natal.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Meloso, colegial, quase pastoso. Se continuar com a história, nem com boa vontade os dois homens embarcarão numa comédia sessão da tarde. Falta tensão e, aqui pra nós, “pitada de sofrimento” é a putaqueospariu.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desespero de que todas as carapuças lhes cabem não é boa coisa de se ver. Vivia culpado. Qualquer insinuação, viesse de onde fosse, trazia um aperto no peito e a imediata vontade de cair em campo para se defender. Mesmo diante de uma notícia de jornal, citando um vago personagem sem nome, o sujeito se apavorava e pensava: “Com certeza, sou eu”. O anonimato não era motivo para barrar paranóias de grande porte. Atos de terrorismo pelo mundo, denúncia contra uma quadrilha na Argentina, rombos bancários, quase tudo ele pensava: “vão me envolver”. Obviamente, era inocente, mas temia um erro de investigação ou da Justiça. Um erro de qualquer natureza, capaz de colocá-lo no centro de crimes hediondos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Elegia à falta de assunto. Trata-se, obviamente, daquele texto não concluído porque não valia a pena concluir. Mas ficou lá, em stand by, à espera de uma emergência ou de uma carona numa antologia de bobagens.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vê-se logo na criatura sinais de frouxidão moral. Vê-se ainda que dá para abatê-lo com argumentos apenas razoáveis. O fulano, quase sempre, segue no rabo da maioria, mas aparenta muita certeza ao condenar comportamentos aqui e ali com palavras que fecham a questão - “maconheiro safado” e “viado sem vergonha” constam de seu habitual repertório. Nem passa por longe que o interlocutor possa se enquadrar em uma das categorias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;br /&gt;O politicamente correto também vale pros adjetivos? Não fica claro e tem tudo pra não ficar. Por falar em frouxidão, o texto é frouxo. Se apertar piora e se afrouxar ainda mais, se dissolve. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-5796939713247260967?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/5796939713247260967/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/09/italicos-criticos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/5796939713247260967'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/5796939713247260967'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/09/italicos-criticos.html' title='Itálicos críticos'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-6025504662113336916</id><published>2011-09-22T09:03:00.000-07:00</published><updated>2011-09-22T09:04:42.600-07:00</updated><title type='text'>Ela, vinte e poucos anos</title><content type='html'>O lado mais desagradável da convivência com os jovens era o fato de não ser mais um deles. O professor, no entanto, insistia. Estava sempre nas mesas de bares com alunas e agregadas nascidas depois de sua tese de doutorado em Filosofia na prestigiosa Universidade de Princeton. Por que não procurava sua turma? O problema é que ficava entediado com colegas acadêmicos, divididos entre Fenomenologia e artroses, quase todos vovôs, em vias de embarcar na aposentadoria e, pluft, na morte. Então ele escolheu a galera, extasiado com o sorriso d’Ela, eternamente curioso em mundo que não lhe pertencia. No mais, tinha certa destreza no trato com as meninas: cuidadoso para não parecer insinuante, mas não ao ponto de ser considerado fora de cogitação para o sexo. Sonhava com um caso mais duradouro ou amor eterno. Com Ela, vinte e poucos anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era agraciado com freqüentes convites para programinhas. O professor ia, quase sempre, mesmo certo que as coisas terminariam mais ou menos. Ia pelo processo em si. O apelo visual, o sorriso d’Ela, o gosto de expor suas idéias para tão seleta audiência. Vaidade. Por volta das duas da manhã, quando o jogo ficava fisicamente pesado, o som da festa abafando as palavras, ele se recolhia. Algumas vezes experimentou a continuação da balada e terminou só, num canto, sem expor-se ao ridículo de cair na pista de dança. Saia à francesa. Elas entendiam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao observar que não era páreo para homens e mulheres de vinte e poucos anos que sobrevoavam sensualmente suas moças, também tomava o caminho de casa. Parecia insensível diante de decepções e constrangimentos. Simplesmente desarmava o circo. Depois, numa poltrona de couro, cercado de livros em francês (quase um clichê Hautes Études), apenas fazia um balanço de sua performance na noite sob o ângulo mais positivo. A habilidade cinqüentenária para enrolar baseados – um espetáculo diante dos olhos d’Ela – e as informações sobre bandas antigas cultuadas nos dias de hoje devem ter somado uns seis pontos em sua escala imaginária. Sem contar que passou uns bons minutos discorrendo sobre a obra de Gilles Deleuze e, de quebra, serviu fartas doses de Mario Faustino, Noel Rosa e Psicanálise. Coisinhas caras à moçada urbana com pretensões intelectuais. O abismo etário era deixado de lado, embora seu trabalho mais recente fosse a respeito da passagem do tempo, a velhice e a morte na ótica de Nietzsche.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cuidou das dores nas costas, comprou roupas adequadas (nem pateticamente juvenis nem explicitamente “tiozinho”) e estava de volta à arena. Naquele dia, o professor teria um encontro apenas com Ela, uma conversa a dois. Melhor de tudo: marcada por Ela, sua obsessão, razão de viver etc. Parecia preparado. Andou lendo Philip Roth, “Homem Comum”, mas não se abalou tanto. Ainda se achava na idade da batalha, não do massacre. Tomou meio Rivotril para conter a ansiedade e, cuidadosamente, acomodou o Viagra no bolso esquerdo. O pequeno míssil azul só seria usado em extremo caso, alerta vermelho. Saiu cheio de esperança e desejo. Romance no horizonte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a vida no universo juvenil se desfez da forma mais dolorosa possível naquela tarde. Ela queria um emprego, uma vaga no Departamento de Ciências Humanas, nem que fosse na burocracia. Precisava de uma grana para ajudar nas despesas do pequeno apartamento onde iria morar com um namorado. O cara ganhava pouco, era músico, vinte poucos anos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-6025504662113336916?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/6025504662113336916/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/09/ela-vinte-e-poucos-anos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/6025504662113336916'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/6025504662113336916'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/09/ela-vinte-e-poucos-anos.html' title='Ela, vinte e poucos anos'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-6145732976288933572</id><published>2011-09-18T11:59:00.000-07:00</published><updated>2011-09-18T12:01:31.952-07:00</updated><title type='text'>Odete</title><content type='html'>Por anos estive ao relento da existência. Os projetos fracassaram, não havia saída. Mas agora, às vésperas do meu cinquentenário, vejo como as coisas mudaram. Estou de pé, sadio e com dinheiro no banco. Os filhos estão criados e se mulheres se foram, ficou esta ao meu lado, prestativa e heróica, testemunha de meus piores momentos, de vícios e males de década e meia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha vida era uma tempestade sem abrigo e ela chegou justamente no instante de maior desespero, quando a enxurrada de danos já travava meus sentidos. Seu nome: Odete, 43 anos. Eu estava a caminho do fim. Só mulheres desse calibre são capazes de repor a dignidade de um homem, salvá-lo do naufrágio. Eu era um fardo pesado – não sou mais, graças a seus préstimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Renovado e disposto, livre de todos os dramas, presto-lhe a última homenagem nesta hora de dor e despedida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lamento, Odete, que tenhas partido no auge da minha glória. Lamento, Odete, que tenhas morrido para me salvar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-6145732976288933572?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/6145732976288933572/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/09/odete.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/6145732976288933572'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/6145732976288933572'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/09/odete.html' title='Odete'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-8663220940629589840</id><published>2011-09-16T14:10:00.000-07:00</published><updated>2011-09-16T14:30:13.246-07:00</updated><title type='text'>Dilemas ideológicos e o amor</title><content type='html'>Tinha que arrumar uma mulher que não me deixasse vendido ao sistema. Cansei de escrever textos com os quais não concordo – e no capricho. De dia, dou expediente como neoliberal para um líder classista do empresariado; à noite, bato ponto na esquerda, numa revistinha ao estilo realismo socialista. Nos dois casos, preciso demonstrar certo entusiasmo ideológico e, pior, voltar pra casa de ônibus. Há três anos estou nessa bipolaridade mal remunerada e mal resolvida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei a pensar em mudar de vida depois de seguidos encontros com uma jovem senhora de Higienópolis. Ela encantou-se com meus escritos – sim, tenho um blog – e aos poucos foi se chegando. Descobri que herdou uma fortuna da família e, pelo jeitão, estaria disposta a um mecenato com contrapartida sexual e aconchegos pertinentes. Estou vendo o custo-benefício dessa história. Pensei: é a chance de me livrar do empresário reaça e da publicação soviética. Poderia chutar o balde e passar a escrever só o que penso, sem melindrar meus patrões e minha consciência, como ocorre agora, pois só trato de cinema e literatura, mesmo assim de forma meio neutra. Nada de política ou filosofia porque suja a relação empregatícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tem a questão da canalhice. Não estou apaixonado, não tenho tesão por ela, embora ache agradável ouvir seus elogios sobre minhas tentativas literárias. A voz é boa. O corpo deixa desejar, mas relevo porque também não sou essas coisas. O importante é que não dá a mínima se o sujeito é de direita ou de esquerda. Diz que gosta dos inteligentes e cultos. Enquanto isso, embalo meu dilema: como ou não como?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que não escondo meu desconforto com os dois empregos, mas ela não pensa assim, jamais pensará. Gostou do que saiu na revista (um texto meio que defendendo a Coréia do Norte) e do blog do empresário, onde detonei o gigantismo do Estado e floreei o empreendedorismo privado. “Você é eclético”, ela falou, manhosa. Não se tratava de ignorância; apenas seu mundo não estava assim dividido, entre direita e esquerda, como já disse, e se estivesse, acredito, os dois lados teriam seus defeitos e qualidades.  O regime político ideal, segundo ela pensa, é uma mistura de capitalismo e comunismo, em que pobres levam uma vida decente sem perturbar a paz dos bem nascidos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se assim foi resolvida a questão política, pode significar que ela não me quer em seu apartamento de quatro quartos e duas suítes. Prefere me ver nessa confusão. Nada disso. Sempre repete que faço muito bem o meu trabalho, mas mereço coisa melhor e - gostei dessa parte – preciso de tempo para pensar e escrever sobre o que me vier à telha, de preferência um romance. Oferta irrecusável, mesmo dita de forma indireta. O que viria a seguir seria no campo romântico, algo parecido com jogo da conquista, pois a dama necessitava disso para oficializar o negócio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estratégia, que envolvia alto grau de cafajestice, começava por deixar de lado aquele papo sobre crise ideológica e criar um auto de bar a propósito de sua exuberante presença neste mundo tão carente de sentido. Disse-lhe que ela surgia como tábua de salvação, última tentativa de um relacionamento, meu bem, meu mal etc e tal, e daí aconteceu, disparei todo meu repertório, que ia ficando adequadamente meloso à medida que ela cedia e acedia e seus olhos brilhavam. A mulher da minha vida, enfim, estava ali, com seu Ap de não-sei-quantos metros quadrados e uma conta bancária suficiente para bancar um escriba desconhecido e agente duplo no campo ideológico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se pode, depois disso, simplesmente organizar a mudança. Há ainda um período de namoro, parte especialmente enjoada, em que fomos a cinemas, jantares e passeios a beira mar. Com imenso sacrifico, dividi as contas. Nesse tempo, mantive minhas atribuições antagônicas, correndo da direita para esquerda e vice-versa, protestando contra o governo num canto e defendendo o mesmo governo no outro. De manhã, conferências empresariais sobre qualidade total e outras merdas; à tarde, discussões intermináveis sobre a crise do capitalismo e outras merdas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquilo era estranho. Não tinha ilusões socialistas, mas ao mesmo tempo detestava aquele discurso descarado e sem culpas em defesa do lucro. E o que é pior? Sacanear suas convicções, por mais frouxas que fossem, ou sacrificar uma mulher no altar do mau-caratismo? Não dormi bem nesse dia nem dormiria nos seguintes. O drama moral me afetava e isso, por um lado, era bom. Mostrava minha capacidade de ter dramas morais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então marquei uma conversa aqui por perto. Chega de pegar ônibus. Abri o jogo de maneira escancarada a ponto fazê-la chorar, comovida com minha sinceridade. Parecia até mais apaixonada, e estava de verdade, porque finalmente fomos para o apartamento e ela me surpreendeu com encantos inesperados, o cheiro agradável e petinhos em razoável estado de conservação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O certo é que a mudança de vida ficou para outro momento. O desfecho foi o seguinte: estamos num namoro, mas cada um em sua casa. Continuo com meus dois empregos aparentemente irreconciliáveis - direita de manhã, esquerda à tarde. Só que agora plenamente ajustados ao pensamento terceira via da amada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-8663220940629589840?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/8663220940629589840/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/09/dilemas-ideologicos-e-o-amor.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/8663220940629589840'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/8663220940629589840'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/09/dilemas-ideologicos-e-o-amor.html' title='Dilemas ideológicos e o amor'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-7765088079387775190</id><published>2011-09-14T07:58:00.000-07:00</published><updated>2011-09-14T21:58:35.871-07:00</updated><title type='text'>Encontro o amor e depois perco</title><content type='html'>@ Viajei. Uma viagem incomum, no meu caso. Dessas de um lugar para outro. Ônibus, paisagens, rodoviária. Nada de drogas. Pelo menos por enquanto. Fazia tempo que não saia de casa, mas cá estou, numa cidade estranha, fugindo de mim mesma e atrás de alguém que conheci no twitter. Nem sei se é homem ou mulher, mas não estou em condições de exigir muito. O nome dele (a) é @I-Toy. No momento é o que basta.&lt;br /&gt;(Leia o capítulo no &lt;a href="http://malvadezas.com/2011/09/14/encontro-o-amor-e-depois-perco/"&gt;malvadezas.com&lt;/a&gt;) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trecho do livro &lt;a href="http://lulafalcao.blogspot.com/2011/05/promocao-por-tempo-ilimitado_28.html"&gt;Todo Dia me Atiro do Térreo&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-7765088079387775190?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/7765088079387775190/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/09/encontro-o-amor-e-depois-perco.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/7765088079387775190'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/7765088079387775190'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/09/encontro-o-amor-e-depois-perco.html' title='Encontro o amor e depois perco'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-4123293495541195196</id><published>2011-09-11T12:34:00.001-07:00</published><updated>2011-09-11T17:11:11.272-07:00</updated><title type='text'>O Evento</title><content type='html'>Quando a luz se apagou para sempre, o último homem sobre a face da terra ainda tentou uma sobrevida com sua pequena lanterna mecânica, dessas que acendem a custa de freqüentes apertos de mão. Aquele fio luminoso bateu contra uma das poucas paredes em ruína e ele divisou um quadro – o retrato da mãe – e um velho mancebo coberto por um casaco de couro. Como provisão para os próximos minutos ou dias, tinha duas garrafas de água mineral, um lençol azul e uma pilha de jornais e revistas da semana anterior ao evento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recarregando a lanterna com esforços restantes, leu as notícias sobre a iminente catástrofe planetária e um infográfico a respeito daquele pedregulho do tamanho de Sergipe que se aproximava da Terra. Tudo foi grandioso: o estrondo, a poeira que cobriu o Planeta e, em segundos, somente a sensação de estar só em seu cantinho escuro. Quais as providências nessa hora implacável: um gole d’água, um oração, um grito? Não importava. Optou pela continuação da leitura dos impressos para entender porque as pessoas foram tão frias e indiferentes diante do inevitável. As notas oficiais das autoridades, por exemplo, tinham a mesma carga emocional de uma portaria do banco Central. As religiões trataram o caso como um desígnio de Deus e estamos conversados, enquanto a ciência alegou falta de tempo hábil para alguma providência eficaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida seguiu seu curso. Os campeonatos regionais não foram interrompidos e a política continuou com suas sessões plenárias e traições. A TV ocupou-se bastante do caso, mas novelas e sitcoms não foram suspensas. Houve a festa da primavera, concurso de misses, festivais de cinema, feiras literárias, seminários sobre boas práticas empresariais, lançamento de Iphone e anúncios de revolucionárias dietas de emagrecimento. Além, é claro, de mais uma temporada do Cirque Du Soleil na América Latina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Notava-se enfado e cansaço em relação ao noticiário apocalíptico. Aquela pedra gigante, em rota de colisão, banalizou-se, embora já pudesse ser vista a olho nu, em noites estreladas. Mas não foram registrados sinais de melancolia ou desespero e ninguém caiu na esbórnia, como se o mundo fosse acabar amanhã ou logo mais – e iria acabar, conforme todos os cálculos das instituições científicas. Havia sempre a esperança de a rocha se estilhaçar na atmosfera e causar prejuízos de menor porte – tsunamis e terremotos – mas esse não era o ponto. O fato é que anúncio tornou-se chato e repetitivo, começou a perder força e até virou piada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar da má vontade dos leitores, o fim do mundo rendeu alguma arte. Duas bienais escolheram o tema, mas as instalações submeteram o juízo final às suas subjetividades - a ponto de expor a extinção da vida como mais uma mudança de rumo conceitual das artes plásticas. Espaços vazios e páginas lotadas de interpretações nos cadernos de cultura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de certo tempo, só os canais a cabo produziam programas especiais e rodadas de debates sobre o corpo sólido cada vez mais próximo. Nessas ocasiões, astrônomos e ambientalistas se digladiavam, pois os defensores da natureza insistiam em culpar o homem pela deterioração do Planeta, mesmo que o perigo real estivesse vindo de bem longe. Num desses conclaves televisivos, um cético metido a engraçadinho lembrou que o seixo descomunal não escolheu a terra porque não reciclamos devidamente as nossas garrafas PET. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem já estava exausto de carregar manualmente a bateria da lanterna em seu precário bunker. Mesmo assim, prosseguiu com a leitura da nossa imprensa - dividida entre a crítica e o apoio ao governo. Divertiu-se com o ministro que lançou um planto quinquenal de desenvolvimento quando o bagulhão já estava quase do tamanho da Lua. Na coluna social, Elisinha Proença Gouveia anunciava seu enésimo casamento justamente para o dia do “evento” (o pessoal do marketing usou o termo, disseminado pela imprensa, para evitar o clima de baixo astral associado a expressões como “hecatombe” ou “Armageddon”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, quando ocorreu o evento ninguém contava em sobreviver. Nem o homem da lanterna, que agora tentava entender o fim de tudo a partir do noticiário das semanas passadas. Parecia tranqüilo, aconchegado em seu lençol azul, enquanto o céu ardia em fogo. Só lamentava a falta de um maço de cigarros, com o qual aquela leitura terminal se tornaria bem mais fluída e agradável.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-4123293495541195196?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/4123293495541195196/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/09/o-evento.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/4123293495541195196'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/4123293495541195196'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/09/o-evento.html' title='O Evento'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-7796426739859278090</id><published>2011-09-09T14:04:00.001-07:00</published><updated>2011-09-09T15:44:55.907-07:00</updated><title type='text'>O deserto de Mojave e seus petinhos</title><content type='html'>Quando atravessei o deserto de Mojave estava sem papel e caneta e o diário de viagem foi deixado de lado em troca de outras atrações. Pensava em cinema e Geologia. Sentia o clima hostil. Lembro que os pneus do carro precisavam ser trocados, pois quase derretiam depois de certo tempo de rodagem. Mas havia cerveja no isopor e a motorista de Los Angeles, amiga da minha namorada e prima distante de Robert de Niro, estava com os seios à mostra por causa do calor.  Passei boa parte do tempo entre duas visões. Lá fora, o Vale da Morte, lagos secos e a sequência de postes. No retrovisor, os biquinhos perfeitos da moça. Até hoje, desertos norte-americanos me remetem a peitos, apesar dos faroestes da infância, do cemitério de aviões, do Sam Shepard e de Win Wenders, que acabara de lançar “Paris, Texas”. Coitado do Harry-Dean-Stanton. Ser pedestre naquelas bandas não é fácil nem em filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu Road-movie, no entanto, era confortável e equipado: peitos da lourinha, cerveja, jazz a bordo, nacos e béquis.  No caminho parávamos para observar o nada ou cascáveis se arrastando naquela caatinga estrangeira. Eu olhava para a estrada sem fim, refletia um pouco sobre essa adoração intelectual do deserto e novamente voltava discretamente o olhar para o meu oásis: os petinhos da Anne. Nunca presenciara uma exposição mamária tão longa e disponível como naquela viagem de 1984, coast to Coast, Los Angeles – Nova York.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por falta de assunto, entre uma apreciada e outra na motorista, recordo que tentei engatar uma comparação entre o deserto de lá e o daqui, o sertão brasileiro, enfiando Graciano Ramos na história, Vidas Secas, Glauber Rocha, Terra em Transe, enfim quase todo o repertório possível de um nordestino provinciano e completamente bestificado com exibição natural, espontânea e trivial daqueles peitos. No mais, com o tempo a paisagem desértica vai se tornando monótona, cansativa, cheia de repetições. Já os peitos, não. Sem apresentar qualquer variação mais espetacular, conseguem prender a atenção full time, sem contar que eu não poderia me fixar no busto da moça durante todo o percurso. Além da necessidade de parecer blasé, havia o deserto lá fora e minha namorada estava sempre me mostrando pequenos montes erodidos e locações de filmes famosos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim foi a viagem até o clima começar a estragar a paisagem interna do potente Nissan. Bateu um friozinho, escureceu e Anne repôs a blusa, de modo tão maquinal quanto a tirou. Só restava dormir. O deserto ainda estava lá, mas aqueles peitos se foram para sempre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-7796426739859278090?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/7796426739859278090/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/09/o-deserto-de-mojave-e-seus-petinhos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/7796426739859278090'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/7796426739859278090'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/09/o-deserto-de-mojave-e-seus-petinhos.html' title='O deserto de Mojave e seus petinhos'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-1680258595659970589</id><published>2011-09-08T09:19:00.000-07:00</published><updated>2011-09-08T09:24:04.859-07:00</updated><title type='text'>Memória</title><content type='html'>Nunca sabe o nome do filme, muito menos o do diretor, tampouco pouco se lembra dos atores. Pior: se atrapalha na hora de contar a trama. “É aquele que...”. Disso não sai, a memória falha, embora ele tenha quase todo o roteiro na cabeça, peça por peça, quase um story board, com músicas e algumas falas, que no momento não lhes vêm para uso em público. Acontece a mesma coisa com os livros daquele autor (“como é mesmo nome dele, meu Deus?”), músicas e bandas ou uma peça que viu, salvo engano, em um teatro do Rio, São Paulo ou Curitiba – ou será que só leu a crítica? Deixa pra lá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só depois do bar, antes de dormir, a ficha técnica cai. Inteira. O letreiro final completo, o IMDb de cada ator, resenhas completas, momentos especiais. É capaz de recitar tudo sem vacilações, diante do espelho, mas ai não adianta mais. Amanhã, quando voltar à mesa, a memória vacilará de novo. Já culpou o álcool pelos esquecimentos, mas é assim desde criança.  Tantos filmes, peças e livros passaram por suas vistas. Acolheu os significados, algumas obras marcaram sua vida, mas ele queria mesmo era exibir suas informações aos amigos e nada aparece no momento certo. Pode ser timidez, falta de vitamina B12, problemas de sinapses com sinopses ou egoísmo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi consultar um psiquiatra, tipo esquisito, e ele achou que poderia ser um vírus. Daqueles que migram dos computadores para as pessoas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;@_lulafalcao&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-1680258595659970589?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/1680258595659970589/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/09/memoria.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/1680258595659970589'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/1680258595659970589'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/09/memoria.html' title='Memória'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-4617217613338382529</id><published>2011-09-06T11:13:00.000-07:00</published><updated>2011-09-06T11:14:20.533-07:00</updated><title type='text'>Tiques</title><content type='html'>Os tiques ao estilo Slavoj Zizek já existiam há muito tempo, mas agora ele apresentava novas manias e incômodos, especialmente com cores, sons e cheiros. Ao verde, por exemplo, reagia com um fungado longo, melancólico, quase um adágio laringológico. Tinha rápidos espasmos ao ouvir determinadas palavras e vertia lágrimas ao perceber o aroma de café vindo da cozinha. A cada minuto ajeitava os óculos, embora o aro não tivesse se movido um milímetro. Coçava uma coceira imaginária, parecia pedalar uma bicicleta invisível, se abanava em clima frio e costumava ir escorregando da cadeira quando não estava com a palavra. Sem contar que fumava feito um louco e quase sempre acendia o cigarro no lado do filtro. Ao beber – o álcool era outro problema – todos os sintomas se apresentavam de uma só vez, numa simultaneidade que deixava o interlocutor exausto. Era um magma em eterna ebulição. Os movimentos involuntários, súbitos e repetitivos já eram da conta de todo mundo, mas seus amigos não tocavam no assunto por não saber explicar porque, apesar daquele conjunto de esquisitices, ele estava sempre cercado de belas mulheres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;@_lulafalcao&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-4617217613338382529?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/4617217613338382529/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/09/tiques.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/4617217613338382529'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/4617217613338382529'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/09/tiques.html' title='Tiques'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-2016126909946024257</id><published>2011-09-01T19:54:00.001-07:00</published><updated>2011-09-03T12:17:19.642-07:00</updated><title type='text'>Casal teoria e prática</title><content type='html'>- Você não acha que Câmara está colocando em risco a democracia representativa no País?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não acho nada, Alberico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que é sempre assim, mulher, você nunca acha nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Já achei. Não acho mais. Achar adianta alguma coisa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro que sim. Já ouviu a frase “quem não gosta de política será governado por quem gosta”?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, mas qual é o problema? Quem gosta que governe. E tem mais: você adora política e não governa porra nenhuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu bem, não é por ai. O fundamental é que a alienação política termina te deixando alienada de tudo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como assim? Já fiz um bocado de coisas hoje. Levei as crianças na escola, paguei as contas e ainda trabalhei das nove até agora. Lembra? Sou eu quem sustenta essa casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro, nunca neguei isso. Estou sem emprego fixo, mas não parado. Reflito sobre o Brasil, sobre as questões institucionais. Escrevo meu blog, tenho 1200 seguidores no twitter. Estou clamando por um país melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alberico, esse twitter e esse blog não dão um tostão furado. Tanto concurso público por ai e você não se mexe...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ Você acha que quero viver à custa do Estado, virar funcionário público, ser cúmplice de um sistema permeado pela corrupção?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que cúmplice coisa nenhuma, Alberico. É só um emprego como outro qualquer. E tem um salário no final do mês. Ficar ai escrevendo nesse blog é que não vai resolver porra nenhuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Um blog que você não lê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alberico, eu lá tenho tempo pra ler blog?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem que arranjar um tempo. Não falo especificamente do “meu blog”. Você precisa se informar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se você gosta tanto de política por que não vai ser cabo eleitoral?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Heleninha, pelamordedeus, eu penso a política como algo superior, acima de questiúnculas partidárias, de campanhas eleitorais, essas coisas. Meu negócio é o Bobbio, a Ciência Política, a teoria, as questões do Estado, as relações com a sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que Mané Bobbio, rapaz. Você vive citando esse cara e até agora, necas. Em vez de ficar na dos outros por que você não arruma emprego de cientista político?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você sabe muito bem que não é assim. Não tenho diploma universitário. E não por falta de capacidade. É que sou bastante crítico em relação à vida acadêmica, aos seus vícios, às suas “verdades”...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alberico, você é crítico de tudo que pode te tirar desse maldito computador. Se soubesse não tinha comprado essa merda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha, Heleninha, você deveria agradecer por ter em casa uma pessoa que reflete e escreve sobre política. Lembre do meu livro. Não sou qualquer um, tenho um livro publicado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Um livro que ninguém leu. Até hoje você deve à gráfica. Melhor dizendo, eu devo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Heleninha, sabe o que me irrita? Essa sua falta de classe pra viver uma relação em que um é o provedor material e o outro se dedica a pensar, questionar e formular teorias. Conheço vários casais que tratam isso de uma forma, digamos, mais elegante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olhe, Alberico, enchi o saco dessa sua vagabundagem enfeitada com teoria política. Não fosse casado comigo, você estaria morando na rua, sem blog e sem teto, ou arrumava outra besta quadrada como eu para segurar sua onda de intelectual fracassado. O que você produziu até hoje? Sim, tem o livro. Mas ninguém ligou, Alberico. Aquilo é um emaranhado de soluções à procura de problemas; você não alinha fatos concretos e faz uma análise simplista da realidade brasileira a partir de leituras rasteiras de jornais e revistas. Não há uma única idéia inovadora, nenhum pensamento original naquele labirinto de citações fora do lugar. Sem contar os erros históricos. Sua análise da Era Vargas, por exemplo, não leva em conta a conjuntura internacional e a própria guerra é deixada de lado para embarcar num cozido mal feito de Gilberto Freyre e Caio Prado. Encontrei vários parágrafos completamente descontextualizados, talvez por falta de conhecimentos sobre a engrenagem econômica do pós-guerra. E tem mais: o que O Gramsci está fazendo ali, ciscando sobre todos os temas, das artes plásticas ao sindicalismo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabe de uma coisa, Heleninha? Você me deu uma idéia: vou preparar uma segunda edição do livro. Levarei em conta suas observações. Algumas são equivocadas, mas você tem razão sobre Vargas. Preciso mergulhar nesse tema nos próximos meses. Enquanto isso, você bem que poderia escrever no meu blog a cada quinze dias...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quer saber, Alberico? Vai te fuder!&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-2016126909946024257?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/2016126909946024257/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/09/teoria-e-pratica.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/2016126909946024257'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/2016126909946024257'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/09/teoria-e-pratica.html' title='Casal teoria e prática'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-5587872525381658422</id><published>2011-08-25T15:02:00.001-07:00</published><updated>2011-08-25T15:02:35.495-07:00</updated><title type='text'>O hóspede</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele poderia morar no hotel pelo resto da vida. A impessoalidade era essencial à elaboração de um pensamento neutro, sem influências das coisas e odores da casa. Não queria recolhimento e solidão. Saia à noite, tinha amigos, eventualmente namorava.  Amplamente sociável, usava boas frases no momento certo, bebia com moderação, barbeava-se cuidadosamente antes de adentrar ao lobby. Não estava ali cinematograficamente: garrafas vazias pelo chão, folhas rasgadas de romances mal começados e cheiro de cigarro. Não. O personagem, depois da aposentadoria precoce, escolheu o hotel pela razão mais pura: a combinação perfeita entre seu jeito de ser e o ambiente do quarto. O frigobar com suas necessidades sempre repostas, a arrumação diária, o comportamento discreto dos funcionários conseguiam deixá-lo livre para construir um mundo sem interferências. Sem rastros nem escombros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheci o cara sábado à noite. No hotel. Não falou nada que revelasse características de quem passaria o resto da vida pegando a chave na portaria. Também não foi inventado a partir do nada. O modo de operar o cotidiano era a principal pista. Ao contrário dos demais hóspedes, ele não demonstrava qualquer sinal de afetação, por menor que fosse. Comportava-se como se estivesse em casa. Melhor: numa casa, com suas relíquias e lençóis retorcidos, jamais teria o desembaraço que estava a exibir naquele dia e nos dias seguintes.  O inquilino do 510 amava o ambiente hoteleiro, com especial destaque para os canais a cabo, a cadeira verde-musgo e a dobradura das roupas de cama. A cada vez que voltava, sentia-se aliviado em não ter ali um passado. Tudo era solucionado de forma prática: livros lidos, eram vendidos ao sebo. Não havia o sentido da coleção. Nem pequenos objetos trazidos da rua, como o Cristo cafona que acendia, passavam mais de uma noite em seus aposentos. Iam ao lixo com os jornais de ontem, as garrafas de refrigerante e o papel higiênico usado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Avançar mais um pouco em sua vida seria especulação, como está sendo um pouco, mas o homem do 510 não deixava dúvidas. O fato de morar ao lado de tantos desconhecidos, renovados diariamente, abria espaço para a construção daquela personalidade. Primeiro, trata-se de um cidadão sem culpas, embora tenha razões subjetivas para tê-las. Mas, concretamente, estava dentro dos parâmetros requeridos pelas regras sociais. Em suma, não havia cometido crimes e nunca pensou em cometê-los. Pelo contrário, era um típico cosmopolita civilizado, incapaz de furar uma fila ou de não devolver qualquer centavo aos Achados e Perdidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperei sinceramente que, ao longo da semana, sua máscara caísse. Aparecesse enfim abatido com a escolha, reconhecesse uma derrota qualquer ou simplesmente se atirasse do quinto andar. Não. O mesmo comportamento, certa alegria com a chegada de um ônibus de turistas estrangeiros. Parecia entender cada língua deste planeta e se divertia ao presenciar a felicidade de mocinhas croatas, o shortinho das alemãs, a piada do irlandês sobre o Brasil e a eterna insatisfação dos franceses em relação aos serviços das camareiras e à vida em geral. Jamais alguém teria no recesso de um lar tamanha variedade de seres a circular pelos corredores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As diversões cotidianas, no entanto, apenas emolduravam sua existência. No quarto, tinha paz e sossego para pensar e escrever e construir um mundo particular sem o olhar de parentes. Mas tinha família, adorava pais e filhos, enviava e-mails constantes para a irmã do meio. Sexualmente, estava dentro dos padrões. Nenhuma anormalidade capaz de chamar a atenção dos outros – ou até da sua. Não freqüentava putas, não se masturbava em excesso, visitava as namoradas e poderia dormir fora de seu habitat, embora achasse ser mais confortável ter sempre à mão as toalhas brancas limpas, o controle remoto e uma revista qualquer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria sentir-se radicalmente consigo mesmo num ambiente sem intimidades e sem afeto de outros. Uma opção pela vida seca, sem adereços. Outra vantagem: a cidade também não lhe pertencia. Caminhava nas ruas como turista, embarcava em excursões guiadas, ia ao teatro, conversava com estranhos. Mas sempre sonhava com a hora da volta. O quarto trancado – seu único bem nesta vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;@_lulafalcao &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-5587872525381658422?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/5587872525381658422/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/08/o-hospede.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/5587872525381658422'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/5587872525381658422'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/08/o-hospede.html' title='O hóspede'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-2519642183960221499</id><published>2011-08-20T07:45:00.001-07:00</published><updated>2011-08-20T17:45:59.227-07:00</updated><title type='text'>Na prisão</title><content type='html'>Além de pão e água, nesta cadeia nojenta em que me encontro, preciso de papel e lápis. Algumas idéias me ocorreram quando cheguei aqui, acusado de corrupção, carreira política acabada por um anacronismo jurídico. É sempre assim: usam um como bode expiatório para deleite dos indignados de sempre, moralistas do público e da imprensa, quando a prática é quase uma tradição nacional, um modo de vida das nossas elites e do povaréu, um jeito de fazer as coisas andarem com mais rapidez. Mas não adianta. Mesmo seus aliados nos negócios tidos como escusos vão fazer aquela cara de nojo diante das câmeras, clamarão por CPIs, apurações doam a quem doer e outras coisas da boca para fora. Não paro de pensar naquelas algemas, fotos nos jornais, desmoralização. Por que eu? Quero papel e lápis antes que os ratos comecem a entrar pela minha boca nesta cela úmida. Nada de biografia, por enquanto. É ficção. Não vou voltar ao parlamento, mas planejo uma saída literária deste inferno. Quer dizer, pode ser até que eu volte – a política, como dizem, é dinâmica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto começa a sair. A prisão é real, mas esse laptop não combina com memórias do cárcere, daí o papel e o lápis. Mamãe, coitada, correu para cá com ravióli ótimo e também trouxe a TV e os livros. O pessoal do partido mandou uns intermediários, estão mexendo os pauzinhos, eu acho, mas também preocupados com revelações desnecessárias. Não vou abrir a boca, se é isso que eles temem, e o advogado, um dos melhores da cidade, também desaconselha qualquer movimento brusco. Espero o habeas-corpus e escrevo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria mesmo era um diário, em capítulos, numa revista da moda, antes de lançar o livro pela editora do amigo que ganhou aquela licitação. Fiz um esforço enorme, no ministério, e espero naturalmente uma contrapartida, nesta altura bem pequena, porque nem os tais 15% apareceram. Os jornalistas precisam saber que às vezes é coisa de pai para filho, sem compensações financeiras. A gente também atua por amizade e até por admiração pelo trabalho de certos correligionários. Foi o caso da editora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora que tudo escorreu pelo ralo, só tenho medo da solidão. Não é mais a solidão do poder; é a solidão da ausência de poder, o desprezo, o exílio na fazenda em Goiás, a pérgula vazia da piscina, o celular mudo e mamãe coitada, chorando pelos cantos. Dinheiro não é mesmo tudo na vida. Daria tudo por um tapinha nas costas. Queria mesmo uma sequência de tapinhas nas costas, um beija-mão, aplausos na convenção do partido, um telefonema do governador. Por isso escrevo enquanto espero o habeas-corpus. Tenho medo e pena de mamãe. Por que eu? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lula Falcão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-2519642183960221499?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/2519642183960221499/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/08/na-prisao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/2519642183960221499'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/2519642183960221499'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/08/na-prisao.html' title='Na prisão'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-19129748388629167</id><published>2011-08-13T19:36:00.001-07:00</published><updated>2011-08-14T10:15:28.383-07:00</updated><title type='text'>O fraudador e as mulheres imaginárias</title><content type='html'>Seu trabalho, neste mato sem cachorro, era criar gente de mentira, nomes falsos, notas frias, aposentadorias fantasmas e histórias nebulosas. Não se considerava no mundo do crime, mas no campo das artes e da ciência. A freguesia queria boas desculpas para as autoridades; ele as construía com esmero e rapidez. De um morto fazia um vivo e vice-versa, dependendo da necessidade do cliente, e ia montando uma vida, com biografia, fatos necessários ao objetivo, documentos em estilo da época requerida, um passado entre outros seres imaginários, um presente para uso imediato, além de músicas prediletas e, se fosse o caso, cartas, bilhetes, escritos para a posteridade, livros de cabeceira, jeitão de ser, aparência e aventuras amorosas. Religião, time para torcer e partido para votar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minúcia caia no exagero na hora de compor uma mulher. A parte física era mais fácil, pois ela era o conjunto de várias fêmeas do planeta, moídas e retocadas no fotoshop, e depois saia um álbum de fotografia, RG, CPF, uma nota na coluna social, um perfil no Facebook. O trabalho mais longo, pensativo e penoso, era o caráter, as maneiras, o modo de olhar e o pensamento, ou seja, o miolo, o enchimento da existência, a parte de dentro, as entranhas, os líquidos, a alma. Tinha ainda um nome que combinasse com tudo isso e nessas horas recorria a programas de computadores que cruzavam todas as possibilidades, desde sonias com asma a clarinhas bipolares, heleninhas bem magrinhas e marcelas com doutorado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em relação às mulheres ele sempre queria mais. Não apenas seres que circulassem nos canais obscuros da burocracia, fraudando o governo e a rede bancária. Sonhava em fazer mulheres que deixassem o vento bater em suas saias, bebessem nos bares, contassem piadas e escrevessem blogs. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;@_lulafalcao&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-19129748388629167?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/19129748388629167/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/08/o-fraudador-e-as-mulheres-imaginarias.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/19129748388629167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/19129748388629167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/08/o-fraudador-e-as-mulheres-imaginarias.html' title='O fraudador e as mulheres imaginárias'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-2204469818468172110</id><published>2011-08-12T10:45:00.001-07:00</published><updated>2011-08-12T10:45:36.606-07:00</updated><title type='text'>O pequeno Pedro Nava</title><content type='html'>&lt;br /&gt;Desde cedo, dez anos de idade, começou a escrever sobre o um único assunto: sua família. Não era ficção, no início. Anotava tudo o que se passava em casa numa espécie de diário em papel pautado. Detalhes inocentes sobre a vida sexual dos pais e das irmãs, questões econômicas, cardápio de frango quase todo dia, problemas com o carro, doenças, relação com vizinhos, mentiras, pequenas traições, ódios e ataques de fúria. Mantinha uma disciplina quase profissional. Escrevia à tarde, depois da escola, cuidando de pesquisar assuntos mais recorrentes, como as menstruações e a temporada de cistos no ovário, por volta de setembro, sabe-se lá por que. As mulheres, como sempre, rendiam mais. O pai, gerente de supermercado, não despertava bons ou maus sentimentos. Era ausente e oco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos 12, o menino havia acumulado cerca de mil páginas sobre o universo familiar, com o diário manuscrito passado para o Word. Pouco tempo depois, graças à Internet, pôde rever algumas de seus enganos de ordem técnica. A procriação, por exemplo. Sabia desde o começo que o sexo estava relacionado com o nascimento da prole, mas não esperava que fosse de forma tão direta. O ginecologista era apenas um observador do processo, conforme constatou em um site. Seres sobrenaturais, entre ales a cegonha, há muito haviam saltado da suspeita para a mitologia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com 14 anos, já um pequeno Pedro Nava em tempo real, estava precocemente na idade da razão. Sentia-se seguro para entrar no mundo dos adjetivos e das comparações.  Resolveu então criar imagens deploráveis para si e para os outros – “percorro os esgotos da família como tartaruga Ninja” – e seguiu adiante, dissecando a parentalha de forma cada vez mais impiedosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o tempo, a precisão da infância foi se esvaindo, se esvaindo e o diário virou um livro de ficção, com nomes trocados, porque a irmã mais velha entraria na prostituição, o pai se daria ao álcool, a mãe trairia abjetamente como o primeiro que aparecesse. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi assim que entrou na adolescência. Não era mais o memorialista meticuloso, o pequeno Pedro Nava, mas um Nelson Rodrigues reencarnado, escrevendo um livro-bolero à Vicente Celestino, turbinado com incestos, alcoolismo de sarjeta e pecados mortais. Certo moralismo católico caiu em suas páginas, mas a experiência narrativa, o senso de romance e o comando das aliterações terminaram por transformar aquela casa normal, com suas crises corriqueiras, num mafuá de episódios ignóbeis e em estado de permanente depravação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada batia com a realidade. O que fora escrito antes servia apenas de cenário. Seus personagens viraram pó, lama, podridão; pais e irmãs enlouqueceram em praça pública, sob o olhar de censura da vizinhança. O retrato do cruel esfacelamento de uma típica família brasileira deu ao ex-pequeno Pedro Nava o prêmio Juriti de autor revelação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lula Falcão&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-2204469818468172110?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/2204469818468172110/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/08/o-pequeno-pedro-nava.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/2204469818468172110'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/2204469818468172110'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/08/o-pequeno-pedro-nava.html' title='O pequeno Pedro Nava'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-3287550858985614679</id><published>2011-08-10T09:09:00.000-07:00</published><updated>2011-08-10T09:11:38.850-07:00</updated><title type='text'>Ela, vinte e poucos anos</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O lado mais desagradável da convivência com os jovens era o fato de não ser mais um deles. O professor, no entanto, insistia. Estava sempre nas mesas de bares com alunas e agregadas nascidas depois de sua tese de doutorado em Filosofia na prestigiosa Universidade de Princeton. Por que não procurava sua turma? O problema é que ficava entediado com colegas acadêmicos, divididos entre Fenomenologia e artroses, quase todos vovôs, em vias de embarcar na aposentadoria e, pluft, na morte. Então ele escolheu a galera, extasiado com o sorriso d’Ela, eternamente curioso em mundo que não lhe pertencia. No mais, tinha certa destreza no trato com as meninas: cuidadoso para não parecer insinuante, mas não ao ponto de ser considerado fora de cogitação para o sexo. Sonhava com um caso mais duradouro ou amor eterno. Com Ela, vinte e poucos anos.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://malvadezas.com/2011/08/10/ela-vinte-e-poucos-anos/"&gt;&lt;br /&gt;Continua&lt;/a&gt; no www.malvadezas.com.br&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-3287550858985614679?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/3287550858985614679/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/08/ela-vinte-e-poucos-anos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/3287550858985614679'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/3287550858985614679'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/08/ela-vinte-e-poucos-anos.html' title='Ela, vinte e poucos anos'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-8989489701481560309</id><published>2011-08-07T17:13:00.000-07:00</published><updated>2011-08-07T17:27:00.808-07:00</updated><title type='text'>Teoria e prática</title><content type='html'>O que dizer de moças que verbalizam sua sexualidade com palavras nuas e cruas e correm do sexo propriamente dito? Quem sabe não é o gosto pela palavra acima de tudo? No mundo online ou em terra firme, especialmente mesas de bares, as ninjas intelectuais constroem e desconstroem o discurso amoroso e sexual com extrema destreza. Seria uma temeridade interromper aquela palestra envolvente com propostas objetivas. O melhor a fazer é ficar na plateia. Já é um privilégio e tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sexo de fato tornou-se coisa de patricinhas, é o que dizem por aqui. São elas que saem à noite com real disposição para concretizá-lo. Em busca de prazer e aventura – essências da balada -, mas sempre com a esperança de encontrar o amor de suas vidas – um efeito colateral desejado e nem sempre explicitado.  Estilo: jeans apertados e sapatinhos altos, método no lugar de teoria e guia da semana bailando no Facebook.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No primeiro caso, as perguntas giram em torno do que você disse ontem à noite. No segundo, o que vale é o que você fez. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma terceira possibilidade: muitas vezes, o olhar de vistas cansadas produz maniqueísmos ou simplesmente deixam o observador privado de informações de bastidores. Ou seja: pode não ser nada disso – ou isso seja só uma pequena parte de um todo ainda a ser entendido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-8989489701481560309?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/8989489701481560309/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/08/teoria-e-pratica.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/8989489701481560309'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/8989489701481560309'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/08/teoria-e-pratica.html' title='Teoria e prática'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-3310518370631389650</id><published>2011-08-04T14:17:00.001-07:00</published><updated>2011-08-04T14:20:08.393-07:00</updated><title type='text'>Historinha do além</title><content type='html'>Uma forte dor no peito, o baque. De repente estava morto, no outro mundo, Olhou em volta, um hall elegante, duas recepcionistas do seu lado – dessas de eventos chiques.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Deus existe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não necessariamente - informou uma das moças - Temos um CEO.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Céu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não. C.E. O, Chief Executive Officer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para um ateu em vida, tudo era estranho. Mas a principio gostou da decoração moderninha do ambiente e especialmente das garotas, vestidas de preto básico. Usavam crachás: Cláudia e Fernanda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo na entrada ele ganhou um kit: livro capa dura com informações sobre o local, camiseta para uso obrigatório, DVD e pulseirinha. No primeiro dia haveria festa, com a presença dos principais executivos da corporação, e boas bandas que se foram daqui, mas estão lá, nas paradas. Se é que dá para entender. A balada teve certa formalidade, pouca gente na pista de dança, mas os aperitivos e salgadinhos eram da melhor qualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia seguinte, no entanto, foi de trabalho duro. Quase igualzinho ao que era Terra. Muito stress, cafezinhos, fofocas e aniversários da morte de colegas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-3310518370631389650?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/3310518370631389650/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/08/historinha-do-alem.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/3310518370631389650'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/3310518370631389650'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/08/historinha-do-alem.html' title='Historinha do além'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-7625161263389757561</id><published>2011-07-31T18:19:00.000-07:00</published><updated>2011-08-01T17:53:51.843-07:00</updated><title type='text'>Gente</title><content type='html'>Maria José tinha uma péssima mania: organizar festas e jantares para convidados que não se davam uns com os outros. Alguns eram inimigos ferozes entre si. Desde criança gostava de provocar constrangimentos e quando virou adulta tornou-se quase uma promoter de eventos com essa característica. O mal-estar geral era sua principal fonte de prazer, talvez o único, mas os convivas também tinham culpa no cartório, especialmente aqueles que repetiam a dose. Anteviam saias justas, cumprimentos falsos, olhares de desprezo e até barracos. Mas iam sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-0-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adriano não dorme há três anos. Andou em médicos e nenhum soube explicar o que aconteceu com ele, naquele sábado, quando se deitou e não conseguiu pegar no sono. A partir de então são 1.095 dias de insônia. Tomou os mais potentes soníferos e ansiolíticos, mas continua acordado, pesquisando sobre a provável doença. Talvez seja má-formação de Chiari, uma coisa rara, mas ninguém tem certeza. Passa as madrugadas escrevendo versões de seu último sonho, com diversos desfechos. Muda os personagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-0-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rita também tem uma doença rara. Dez anos de seu passado foram apagados. Nenhuma lembrança. Nada. Mas não lhes fazem falta.   Está mais jovem e agora não precisa carregar o peso daquela década pelo resto da vida.  Foi um tempo difícil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   -0-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando tinha 12 anos Roberto resolveu ser crítico de cinema. Enquanto os garotos de sua idade sonhavam com profissões habituais – jogador de futebol e astronauta -, ele lia &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Cahiers du Cinema&lt;/span&gt;. Hoje é gerente de uma concessionária de automóveis. Gosta de filmes de ações. No DVD.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-7625161263389757561?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/7625161263389757561/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/07/gente.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/7625161263389757561'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/7625161263389757561'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/07/gente.html' title='Gente'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-4575106431710763900</id><published>2011-07-29T11:55:00.000-07:00</published><updated>2011-07-29T11:59:13.381-07:00</updated><title type='text'>Malvadezas</title><content type='html'>Clique &lt;a href="http://malvadezas.com/2011/07/27/a-revolta-dos-personagens/"&gt;aqui&lt;/a&gt; para ler o o texto "A Revolta dos Personagens", no Malvadezas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-4575106431710763900?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/4575106431710763900/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/07/malvadezas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/4575106431710763900'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/4575106431710763900'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/07/malvadezas.html' title='Malvadezas'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-3326238841566943660</id><published>2011-07-27T07:49:00.000-07:00</published><updated>2011-07-27T08:25:34.867-07:00</updated><title type='text'>Viver não é assim</title><content type='html'>O cheiro de morte chegou antes da morte. Algumas partes do corpo já exalavam o trailer do desfecho. Contas vencidas na porta, não recolhidas, era outro sinal. No meio da sala, deitado e nu, perdia peso e líquidos, embora a mente continuasse ativa, para não deixar o rito final despedido de alguma substância literária. Imaginava pequenos contos, cada vez mais delirantes, enquanto o cérebro se separava do corpo dormente. Não sentia nada abaixo do pescoço, mas os pensamentos fluíam com certa qualidade e estilo e personagens complexos. Ele próprio, naquele estado, já era um deles. Havia ainda o ar pesado dentro de casa, já formando gases, criando uma atmosfera bioquímica lúgubre e fedorenta, ideal para o momento. Deu tempo para imaginar a presença do poeta Augusto dos Anjos, sentado num cantinho, anotando tudo. Deu tempo de dar várias voltas e retornar ao mesmo lugar quando a porta foi arrombada.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O cortiço paulistano foi enfim exposto à visitação pública: dois PMS, três vizinhos e depois a ambulância. A sobrevivência não estava nos planos porque o nojo de si, de repente, veio à tona. Não queria dar ao espetáculo o grau de tentativa de suicídio. Ele estava ali esperando qualquer coisa, menos a realidade. Enfim, não queria ser mais um a observar a cena. Mas foi.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Vinte dias no hospital público – um suplício bem maior do que sua sala infectada vermes. Sim, os vermes chegaram para completar o serviço. Viscosos e dispostos, não contavam com a intervenção de terceiros. A enfermaria coletiva era pior e o fato de estar ali, diante de doentes comuns, era constrangedor. Caso tivesse morrido as pessoas seriam mais compassivas. Sentiriam asco, claro, mas não sentiriam tanta pena. A morte encerraria o processo, o local seria limpo e vida – a dos outros – seguiria normalmente.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alternativa provisória: estado de coma. Talvez aqueles pensamentos prosseguissem e poderia ser uma delícia desfrutar os momentos em que a imaginação se separa do corpo, sem nenhuma conotação religiosa, apenas uma ocorrência neurológica. Outra vantagem, também momentânea de estar inteiramente alheio, noutra: a saída. Sentiria medo, vergonha e preguiça. Depois da alta hospitalar teria que correr dos credores, procurar uma casa, tentar um emprego. Foi ai que os sintomas do velho Transtorno Explosivo Intermitente, o&lt;a href="http://lulafalcao.blogspot.com/2011/07/tei.html"&gt; TEI&lt;/a&gt;, voltaram com força total.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Continua no próximo capítulo?&lt;br /&gt;- Acho que não, né? O cara começou a andar em círculos. A história está num impasse.&lt;br /&gt;- Só que não pode terminar assim...&lt;br /&gt;- Ah, pode. Vai fazer o que? Ele morre? Não. Se dá bem na vida? De jeito nenhum. A volta à sala seria óbvia, mais circular ainda. Além disso, a sala já está limpa, lembra?&lt;br /&gt;- Meio manjado, também acho.&lt;br /&gt;- Tem mais: saídas absurdas nem pensar.&lt;br /&gt;- Deixa assim, então?&lt;br /&gt;- Deixa. Vê se esquematiza melhor nas próximas histórias...&lt;br /&gt; - O diálogo também é meio fraco.&lt;br /&gt; - Que diálogo.&lt;br /&gt;- Este nosso, aqui, agora.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lula Falcão&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-3326238841566943660?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/3326238841566943660/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/07/viver-nao-e-assim.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/3326238841566943660'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/3326238841566943660'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/07/viver-nao-e-assim.html' title='Viver não é assim'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-7359723083293777273</id><published>2011-07-25T15:43:00.000-07:00</published><updated>2011-07-25T15:45:10.802-07:00</updated><title type='text'>TEI</title><content type='html'>Vai funcionar assim. À moda dos seriados. No &lt;a href="http://lulafalcao.blogspot.com/2011/07/no-recesso-do-lar.html"&gt;capítulo anterior&lt;/a&gt; ele estava deitado na sala imunda, nu, sem saída para a falta de dinheiro. Não conseguiu vender o rim. O desespero virou calma absoluta. Tinha que tomar uma decisão, tomou: entregar os pontos. Permaneceria ali, inerte, até fundir-se com a sujeira da casa. Os vizinhos iriam notar, um dia, pelo cheiro de cadáver e de restos de pizza. A vigilância sanitária e o serviço funerário cuidariam da cena. Para isso servem os impostos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No escuro da luz cortada, ainda assim fechou os olhos, deslocando o pensamento para outras paisagens. As pedras lisas de sua pequena cidade, noites de chuva, velhos amigos sumidos. O último emprego apareceu num canto da mente, pois fora demitido – desse e de outros – por uma doença, ainda pouca estudada, que deixa as pessoas com o pavio curto, briguentas, os nervos a flor da pele por qualquer coisinha. O nome é TEI (Transtorno Explosivo Intermitente). Disso, agora, ele estava curado. O pavio apagou. A bomba interna foi se concentrando num ponto até sumir. Big Crunch. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No trabalho, anos antes, era assim. A simples existência de um chefe soava inadmissível para ele. Chamado ao aquário do escritório, para ouvir algum tipo de reclamação, tentava seguir as instruções do médico. Contar até dez para não explodir. Não funcionava sempre. Quando conseguia, descia as escadas até a garagem do prédio, engolia dois ansiolíticos e subiu para ouvir novas broncas quase em estado de catatonia em sua fase passiva. O jeito nervoso não passou despercebido e, pior ainda, em se tratando de um escritório, o uso de remédios logo ficou muito na cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em casa, a mesma coisa. Morava só, mas tinha vizinhos, e eles faziam os barulhos de sempre. Numa escala de 1 a 10, estavam no topo de sua irritação móveis arrastados, barulho talheres no prato, aspirador de pó e, ocupando o primeiro lugar, música. Os vizinhos repisavam o senso comum das FMs até seu cérebro começar a zunir. A solução era a rua, também barulhenta, mas se estivesse no campo, como esteve algumas vezes, a estridulação dos grilos igualmente mexiam no limite de sua paciência. (continua – ou não)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lula Falcão&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-7359723083293777273?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/7359723083293777273/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/07/tei.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/7359723083293777273'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/7359723083293777273'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/07/tei.html' title='TEI'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-6589353160794948910</id><published>2011-07-16T19:27:00.000-07:00</published><updated>2011-07-16T19:32:09.602-07:00</updated><title type='text'>A Lacraia</title><content type='html'>Tinha tudo nas mãos: boa história, personagens densos e um narrador de primeira. Ele mesmo. Faltava, no entanto, uma fonte de renda que não exigisse expediente tão puxado. Lembrava sempre que Machado e Drummond tinham merecidos empregos públicos. No seu caso, ao contrário, tratava-se de uma empresa de alta tecnologia, cheia de exigências, gráficos, planilhas, atualizações permanentes, estudos de mercado e outras aperreações que tomam o dia e a vida do sujeito. Havia ainda chefes. O dele, então, era quase o site da empresa, com sua missão e portfólio, nomes dos clientes, característica de cada um deles, produtos, serviços, vendas e vendas. Nada além disso. Um paletó e gravata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Boa desculpa para não escrever o que tinha em mente porque as horas fora da empresa eram gastas com a mulher dos seus sonhos, uma lacraia inculta, consumidora voraz de seu tempo e dinheiro. Mulher que para em vitrine, pergunta “não é lindo, esse?”, depois entra na loja, experimenta vários e finalmente dá uma patada de respeito no saldo bancário do casal. E ele, nada, pagando, ouvindo detalhes sobre tamanhos e cores, concordando que o preço foi muito bom em se tratando de uma calça com aquelas qualidades e marca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus poucos momentos para a escrita ficavam restrito ao banheiro, nas madrugadas. Ali rascunhava num caderninho as idéias sobre o romance e sobre ela, a selvagem na cama, a mulher que parecia ser parte de seu corpo, como um pulmão, mas que roubava seu sonho de tornar-se escritor. A dama do segundo expediente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lacraia – designação íntima dele – possuía alguma coisa que não podia ser perdida: o corpo, o olhar, o cheiro e a aguda inteligência para perceber o que poderia deixá-lo de quatro a qualquer momento. Talvez algo mais sutil. De resto, ela ouvia com desdém seus comentários sobre literatura, embora nunca se esquecesse de perguntar como foi no trabalho. Ele: “o de sempre”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vontade era largar tudo. O emprego e a mulher. Raciocinava que se abandonasse o trabalho também perderia a lacraia. Não seria necessário tomar as duas providências ao mesmo tempo. Deixaria que o conflito se armasse sozinho, ancorado na falta de dinheiro e no fervor consumista da amante. Foi o que fez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao voltar para casa, numa sexta-feira, anunciou o pedido de demissão. O chefe havia recebido a notícia com a frieza de sempre.  Ela, inesperadamente calma, só quis saber a razão. “Enchi o saco de tudo”, disse. “O que vamos fazer?”, perguntou a lacraia, já menos lacraia e com jeitinho de personagem de filme francês. Ele: “vou escrever o livro”, informou, cabisbaixo. Esperava que a ex-lacraia dissesse que “dá para fazer as duas coisas ao mesmo tempo, meu bem”. Não. Ela parecia procurar uma solução no ar, mas sem desespero, sem engolir a seco, sem esboçar qualquer desses gestos que ele costumava usar em seus diálogos manuscritos no banheiro quando se referia à lacraia do livro que um dia iria escrever. Não ficou pasma. Apenas disse: “a gente dá um jeito”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com aposentadoriazinha privada, o tempo passou sem maiores sustos.  Só que, aos poucos, ele começou a sentir falta da mulher consumista de antes, da perua de antes, das lojas, dos sapatos, das sacolas, do rosto contente da mulher ao entrar no shopping; do jeito sensual dela ao retirar o cartão de crédito da bolsa. A mulher mudou, adaptou-se à nova vida do casal, passou a ler como nunca, tomou gosto por livrarias e até esteve com ele na Flip. E o livro não saiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não saiu o dele. Saiu o dela. Um belo romance sobre os conflitos de um casal, elogiadíssimo pela crítica – e dedicado ao marido.     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;@_lulafalcao&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-6589353160794948910?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/6589353160794948910/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/07/lacraia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/6589353160794948910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/6589353160794948910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/07/lacraia.html' title='A Lacraia'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-6540440621431299619</id><published>2011-07-14T19:28:00.000-07:00</published><updated>2011-07-14T19:29:09.387-07:00</updated><title type='text'>No recesso do lar</title><content type='html'>Andava nu pela casa, olhava o lixo ao redor, recolhia-se ao que restava da cama. De novo em pé, nova perambulação pela sala, uma conta surge por baixo da porta, uma barata passeia sobre a caixa redonda de pizza podre. Ele vai até a cozinha, uma montanha de pratos para lavar, panos de chão fedorentos, jornais velhos por todo canto, telefone mudo, computador quebrado, sem cigarros, os sons da rua – os mesmos que ouvia na infância, durante gripes-sarampo-catapora. Tinha uma roupa no armário ainda em condições de uso. Saiu com ela para uma volta no quarteirão, pensando o tempo todo, falando um pouco sozinho, esboçando planos pela metade, como sair dessa? Encontrou uma solução precária: vender um rim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que não dá para negociar um órgão do corpo sem o mínimo de organização, capital inicial, logística e informação sobre o mercado. A primeira tarefa seria arrumar a casa. Mas não há material de limpeza e a água foi cortada. Todos os bolsos foram revirados a procura de centavos. Nada. Poderia vender um único bem valioso – “Aves Canoras do Brasil”. Livro esmerado, capa dura, 300 páginas, 1989. Ficaria bem numa residência com o mínimo de pendor ornitológico. As avezinhas são bonitas, o sebo pode querer, por dez reais, no mínimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grande objetivo era comprar sacos pretos de lixo, dos grandes, sumir com tudo aquilo. Depois: molhar um pano com água, em qualquer água por ai, e dar uma passada geral no chão. Falta uma vassoura. Como foi feita a primeira vassoura? Leu em algum lugar que poderia improvisá-la. Os índios já conheciam o instrumento antes da chegada dos portugueses. Eram feitas com Malváceas, Sida acuta, Burm, escrofulariáceas e Rubiáceas. Melhor esquecer. Improvisaria uma vassoura com tiras de jornais velhos e um cabo de guarda-chuva.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O maior investimento, no entanto, seria em Internet. Lan House. Três reais a hora. Naquele período poderia obter informações suficientes sobre nefrologia, transplantes e, finalmente, venda e compra de rins no mercado negro. Com cinco reais no bolso, resultado da venda de “Aves Canoras do Brasil”, desistiu da limpeza da casa e foi direto ao ponto, a Internet. Num site, o professor Ninos P. Malek, da San Jose State University, afirma: “Se o governo federal quer realmente amenizar a atual crise de escassez de órgãos, deveria, então, remover as barreiras à compra e venda organizada”. Só que ele queria vender no mercado nacional, as duas partes sairiam ganhando: “alguém quer um rim; eu quero dinheiro”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma idéia: ante-salas de sessões de hemodiálises. Foi. Não poderia simplesmente chegar e anunciar seu produto. “Vendo rim”.  Tentou puxar conversa transversa com candidatos a transplantes, mas não chegava ao nó da questão, ao negócio. Tinha medo, vergonha e era ruim de comércio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltou para casa. Uma hora depois estava deitado na sala imunda. Nu. À espera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;@_lulafalcao&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-6540440621431299619?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/6540440621431299619/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/07/no-recesso-do-lar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/6540440621431299619'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/6540440621431299619'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/07/no-recesso-do-lar.html' title='No recesso do lar'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-412379518190640339</id><published>2011-07-12T12:57:00.001-07:00</published><updated>2011-07-12T13:13:45.327-07:00</updated><title type='text'>O falsificador</title><content type='html'>Em seu país, ele inventou uma maneira de fazer dinheiro. Não era um negócio que gerava lucro, uma empresa ou investimentos na bolsa. Seu ofício era fabricar cédulas – um trabalho perfeito, verossímil demais, uma arte. Chamar as notas de falsas seria um insulto. O dinheiro era integralmente igual ao da Casa da Moeda. Nos aspectos mais microscópicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marca d’água, marca tátil, microimpressões, numeração, fibras coloridas e luminescentes. Tudo perfeito. O desenho impresso em um lado se ajustava com precisão ao desenho que está no outro das notas postas em circulação pelos meios institucionais. Ele trabalhava, sabe-se lá como, num mundo de manipulação da matéria em escala atômica e molecular. Por uma caixa postal, chegou a enviar algumas notas para um desses institutos especializados em análises físico-químicas. Controle de qualidade. O diagnóstico, no entanto, era sempre o mesmo: dinheiro de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ela produzia apenas seu salário. Grana de subsistência. Não queria ficar rico. Estabeleceu um rendimento para si e, todo o mês, emitia três mil. Se precisasse de algo extra, como uma nova geladeira, fazia um auto-empréstimo: deduzia nos lotes seguintes as prestações, fazendo menos dinheiro. Só lamentava não poder declarar seus ganhos ao Imposto de Renda. No fundo, era um legalista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;@_lulafalcao&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-412379518190640339?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/412379518190640339/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/07/o-falsificador.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/412379518190640339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/412379518190640339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/07/o-falsificador.html' title='O falsificador'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-5126941451925671245</id><published>2011-07-09T13:47:00.000-07:00</published><updated>2011-07-09T13:53:00.051-07:00</updated><title type='text'>Woody Allen na Caatinga</title><content type='html'>Um professor de Harvard entediado sai do conforto de Cambridge (Massachusetts) para uma temporada na caatinga. Busca o sentido da vida no semi-árido. Encontra Graciliano Ramos escrevendo à mão, sentado numa pedra (emprestada por João Cabral), e segue sua jornada, sob o sol escaldante, em companhia do escritor. Tira o escritor. A idéia já foi usada em Paris. Corta ou chama o Cláudio Assis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- o -&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Woody Allen, no papel de Woody Allen, desembarca no Recife porque o avião teve que fazer um pouso de emergência. Vinha de Buenos Aires, onde o cineasta procurava locações para um musical com tangos deprimidos. No voo, ele conhece Patrícia Amaral, que apesar do sobrenome nasceu no Estado de Utah de uma família de imigrantes brasileiros ilegais. Trabalhou como modelo em Salt Lake City e depois virou cuteleira (para não confundir: cuteleira faz facas, adagas, punhais etc). Priscila não é mórmon, como muita gente em sua cidade natal. É atéia. Foi ela, sentada na poltrona ao lado, que segurou na mão de Allen, quando os passageiros se viram diante da morte. Ficam amigos. Os dois resolvem não embarcar no próximo voo – ele com medo de avião; ela à procura de aventuras – e rumam para o alto sertão. Os motivos da decisão e a escolha do destino ficam a cargo do roteirista. Na viagem, o cineasta presencia fatos que irão mudar o futuro de sua cinematografia. Com algum atraso, adere ao Cinema Novo. Rascunha um argumento. Sugere Benício Del Toro para o papel de Glauber Rocha. Sinopse recusada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- o - &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda sob os efeitos de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Meia Noite em Paris&lt;/span&gt; - mas pensando em Marshall McLuhan em &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Annie Hall&lt;/span&gt; -, Woody Allen encontra Dom Sebastião numa sertaneja madrugada estrelada. O personagem mítico aparece na história, assim sem muita explicação, apenas para destacar a cenografia armorial, supervisionada por Ariano Suassuna. Na sequência, bodes saltitantes, uma liderança do PMDB local, aquele bispo que faz greve de fome, motos-táxis e um cego que recita Walt Whitman. O desafio é transformar tudo isso numa comédia romântica. Allen volta à Nova York e consulta um psicanalista judeu do Brooklyn. Projeto arquivado por recomendação médica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- o - &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Allen, encarnando um turista acidental, resolve filmar um roteiro que não é de sua autoria, mas de um cineasta brasileiro. Um Road-movie, uma viagem no sertão profundo. Graças às cenas sobre eletrificação rural, a Chesf entra como patrocinadora. No filme, o cineasta percorre trilhas desérticas enquanto fala sobre sua obra. É meio documentário, meio ficção. As falas são aproveitadas, em off, mas a paisagem é substituída pelas planícies costeiras do Connecticut. A Chesf retira o patrocínio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;@_lulafalcao&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-5126941451925671245?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/5126941451925671245/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/07/woody-allen-na-caatinga.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/5126941451925671245'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/5126941451925671245'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/07/woody-allen-na-caatinga.html' title='Woody Allen na Caatinga'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-1267749625504851528</id><published>2011-07-07T06:55:00.000-07:00</published><updated>2011-07-07T07:14:26.029-07:00</updated><title type='text'>O velho sem literatura</title><content type='html'>Depois de determinada idade, a literatura passa a ter mais importância do que a vida. Derrida já disse coisa parecida, sem entrar na questão etária. Mas são os mais velhos, com certeza, que se apegam a essa perspectiva. Os mais velhos que gostam de ler, obviamente. E aqueles que não gostam ou não tiveram oportunidade de aprender a gostar? Como é o mundo deles, desprovido de histórias que compensam a falta de movimentos do corpo. O velho simples, aquele da esquina, cada dia mais ensimesmado, absorto, olhando o tempo passar quase literalmente.  Sem se dar conta das coisas escritas, sem apegar-se a nenhuma história que não seja a sua própria. Às vezes, tenho mais curiosidade em saber o que se passa em sua cabeça do que teria em relação ao senhor que é rato de livraria, devorador de Proust e que sabe de cor quem estará na próxima Flip.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O velho sem livros passa suas manhãs sentando numa cadeira, certamente pensando em alguma coisa que já ocorreu há muito tempo e que agora lhe vem, subitamente, como um filme sem legendas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A velhice, já tratada por um monte de escritores, especialmente os de idade avançada, pode ser mesmo o período da vida em que só a literatura tem condições de fornecer algum consolo diante da fragilidade física, do desejo sexual dissimulado, das dores da alma.  Mas o velho da esquina não tem essa compensação. Só o olhar perdido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- o - &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante algum tempo as companhias aéreas chamava as pessoas da “melhor idade” para ocupar os primeiros lugares da fila. Acho que pararam com essa besteira. Não era politicamente correto, não era eufemismo. Era um escárnio. Certamente o povinho do marketing não leu Philip Roth: “A velhice não é uma batalha; a velhice é um massacre”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;@_lulafalcao&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-1267749625504851528?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/1267749625504851528/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/07/o-velho-sem-literatura.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/1267749625504851528'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/1267749625504851528'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/07/o-velho-sem-literatura.html' title='O velho sem literatura'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-7205280024711441168</id><published>2011-07-05T08:05:00.000-07:00</published><updated>2011-07-05T18:33:18.745-07:00</updated><title type='text'>Anotações subjetivas sobre a escrita</title><content type='html'>Com duas ou três páginas já dá para descobrir se o que você está escrevendo caminha para mais um texto pretensioso e, nesses casos, na melhor das hipóteses, desigual. Você faz então o que parece mais adequado: puxa freio, tenta a leveza, procura tirar dos personagens aquela falsa densidade. Não dá mais. Depois desses dois acontecimentos conjuminados tudo está definitivamente perdido. Melhor começar por outra coisa – ou outra coisa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- 0 -&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Situação muito comum. Ali pela sexta página o autor se dá conta que está sendo excessivamente autobiográfico. Revela pensamentos íntimos que às vezes dá até medo de pensá-los. Ronda-lhe também o temor de ser percebido, de estar usando momentos de terceiros, e trava. Neste caso, nem tudo está perdido. Melhor parar, deixar a decisão para depois. Os fatos da sua vida têm uma fantasia circundante ou intrínseca que vale a pena prosseguir? Há muitos senões sobre o discurso de fatos vividos misturados com o irreal. Mas o texto, sempre ele, dirá se é negócio ir em frente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- 0 -&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um olho na crítica, outro no público. Melhor, não. Siga a história como um solitário. Nenhum desses entes está observando você nesta hora. O texto e o diabo no corpo pertencem só a você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- o -&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes o fato de tudo parecer sob controle pode ser equivalente a não haver controle algum. Se a história segue seu percurso quase no piloto automático, toda arrumadinha para a festa final, é sintoma que vem coisa sem graça por ai. Não é uma regra, claro, mas texto sem sofrimento é quase sempre um texto sem alma. Não precisa ser literatura. Pode ser jornalismo mesmo. Um dos grandes chefes de redação da minha terra gostava de ver repórteres colocando e tirando papel da máquina, envolvidos em cenas de quase desespero. Dizia sempre: “esse ai tem futuro”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- 0 –&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na maioria dos casos, escrever não é um meio de vida. Cuidado com as contas no final do mês. O desespero pode levá-lo a textos interessantes, mas também ao SPC. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- o - &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que está acima é muito subjetivo. Talvez desnecessário. Importante: não é conselho. São impressões&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;@_lulafalcao&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-7205280024711441168?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/7205280024711441168/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/07/anotacoes-subjetivas-sobre-escrita.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/7205280024711441168'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/7205280024711441168'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/07/anotacoes-subjetivas-sobre-escrita.html' title='Anotações subjetivas sobre a escrita'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-3746927250817761012</id><published>2011-07-04T12:54:00.000-07:00</published><updated>2011-07-04T12:57:42.768-07:00</updated><title type='text'>Páginas Amareladas: Emanuel Malindre, o escritor,  troca a ficção pela Auto-ajuda</title><content type='html'>Até há pouco tempo, Emanuel Melindre era um escritor independente. Tinha um círculo de admiradores, restrito ao grupo de amigos, também escritores ao seu estilo, e os elogios dos pares parecia suficiente. Não para sobreviver com a literatura, claro, mas para sustentar o ego em condições razoáveis. Dava ainda para justificar sua eterna falta de dinheiro, suas roupas puídas e a cabeça erguida. Pelo menos até o ponto em que se via premido ao dinheiro emprestado e a outros favores de natureza prática. O trabalho tinha qualidade, foi citado algumas vezes em blogs do ramo, vez por outro participava de pequenos saraus e debates e namorava uma estudante de Letras fanática por suas sacadas sobre a perdição humana e a falta de sentido de vida. No início do ano, no entanto, Emanuel deu uma guinada em sua vida: migrou para o mundo da auto-ajuda. Seu livro mais recente, Problema não é problema, está no topo das listas dos mais vendidos há mais seis semanas e já tem traduções anunciadas em inglês, francês e búlgaro. Ele já comprou um apartamento, viajou pela primeira vez à Europa e percorre o país em concorridas noites de autógrafos. Nesta entrevista, feita no escritório de seu agente, na Alameda Itu, em São Paulo, Emanuel conta como ocorreu a transmutação, fala da perda dos antigos camaradas de letras e da conquista de um novo universo. “A vida é curta demais para vivê-la sem grana”, justifica-se. “Sei que o dinheiro não compra tudo, mas na minha condição anterior eu não comprava nada”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;P - Alguns de seus amigos se assustaram com a mudança. Afinal, aquelas aliterações, os parágrafos curtos e as mensagens certeiras - tão destacadas em sua obra anterior - pareciam indicar que um grande escritor estava a camin&lt;/span&gt;ho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Emanuel - Agora é tarde. Por que vocês não disseram isso antes? Não deram uma linha sobre meus três livros. E pense bem: O cara faz um produto de qualidade, mas as editoras trabalham com escala, como toda empresa capitalista, e vendem o que a maioria quer comprar. No meu caso, era mais grave. Nem editora eu tinha. Aliás, nem livraria. Eu era um marginal, que não cumpria a lei. Agora não. Se existe uma lei que cumprirei ao pé da letra é aquela da oferta e da procura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;P- O Sr. acha que auto-ajuda ajuda?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E – A quem lê, tenho minhas dúvidas. Minha preocupação era saber se ajuda a quem escreve. Neste particular, não tenho reclamações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;P- O Sr. Tenho algum dilema moral por ter, digamos, mudado de lado?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E – No principio experimentei certa inquietação, mas só durou até o adiantamento da editora para um segundo livro de auto-ajuda. Hoje, acredito que dilema moral não tem mais lugar em um mundo globalizado. Essa coisa é um atraso de vida, faz mal à saúde, atrapalha os negócios das empresas e das pessoas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;P- Os críticos têm reclamado que o Sr. trocou frases bem construídas e reflexões profundas sobre a civilização Ocidental por lugares-comuns. O que tem a dizer sobre isso?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E- Eu estava muito preocupado com a civilização ocidental, mas aos poucos descobri que a civilização ocidental não estava nem ai pra mim. Só fiz me fuder com esse negócio de ficção. Cadê a revista Piauí, cadê o Prosa @ Verso, o Sabático? Ninguém apareceu. Hoje é diferente. Minha foto está quase toda semana na Caras. Antes, o máximo que eu recebia em troca por meu trabalho era um “curti” no Facebook. Você acha que eu estaria aqui dando esta entrevista se continuasse a escrever aquelas bobagens pessimistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;P- O Sr não acha que, agora, há uma perda da vaidade intelectual?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E – A auto-ajuda deixa o escritor mais despojado. Você se livra de subjetividades – e isso é uma libertação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;P – Que conselho o Sr.daria aos novos escritores?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E- Parem de reclamar da vida. Ninguém agüenta mais personagem que sofre da primeira a última página. O leitor que alegria, mensagens otimistas, coisas úteis para o seu dia a dia. Se isso resolve alguma coisa, não importa. O que interessa é que vende e estou precisando fazer um pé de meia. Um dos meus melhores amigos ficou chocado com isso tudo, mas no início do ano pedi R$ 100 emprestados e ele disse não. Em parte, posso dizer que naquele momento eu resolvi pular fora.   &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;P – Há alguma coisa em sua obra anterior que pode ser usada na atual?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E- Acho que sim. Tem uma equipe cuidando disso.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;P- Qual o saldo dessa mudança tão radical?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E – Ainda não consultei minha conta hoje, mas ontem era de R$ 1,5 milhão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;@_lulafalcao&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-3746927250817761012?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/3746927250817761012/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/07/paginas-amareladas-emanuel-troca-ficcao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/3746927250817761012'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/3746927250817761012'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/07/paginas-amareladas-emanuel-troca-ficcao.html' title='Páginas Amareladas: Emanuel Malindre, o escritor,  troca a ficção pela Auto-ajuda'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-5793698095014265966</id><published>2011-06-30T12:48:00.000-07:00</published><updated>2011-06-30T13:14:22.256-07:00</updated><title type='text'>A vida chata depois da morte</title><content type='html'>A vida depois da morte tem uma série de inconvenientes. O primeiro deles é o fato de muito provavelmente não existir. Então, a pessoa morre e pronto. Nada. Zero. Acabou. Não entendo porque os ateus não caem na maior esbórnia, não tomam todas e não promovem orgias diárias. Afinal, é agora ou nunca. Mas são até bem-comportados e não cobram dízimo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ai vem a questão mais complicada. Deus existe e depois do último suspiro a alma segue sua viagem para destinos que variam de acordo com as religiões. Os católicos, por exemplo, só dispõe de três: Céu, inferno e Purgatório, sendo que este último não é o terminal, mas um ponto de baldeação, uma escala. Deve ser o lugar mais caótico e congestionado do além, pois ali estão bilhões de mortos que não foram nem bons nem ruins em vida. Questões infindáveis devem passar pela cabeça dessa galera do além-túmulo: onde fica o balcão de informações? Que fila é essa? Onde compro uma cerveja? Pode fumar? Estou aqui há 70 anos e ninguém diz nada. Não por acaso a palavra purgatório está associada a sofrimento e castigo, mesmo durante a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com os ritos latinos, no purgatório o espírito passa por julgamento particular em que o destino é especificado. Quem reclama da morosidade da Justiça brasileira nem imagina – ninguém imagina – o que é aquilo. Julga-se um a um ou há processos coletivos, como nos casos de formação de quadrilha ou bandas de Axé? Seja como for, uns vão para o Céu e outros para o Inferno. Mas o purgatório continua cheio, com novas almas chegando, completamente atordoadas, sem saber em que condução vão embarcar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe-se lá como, os processos são julgados e começa o check-in para o Inferno. A ordem é se livrar logo dos maus elementos. Pelo menos nessa ocasião, o nada é mais interessante. A descrição mais suave da nova morada é de um fogaréu descomunal, em que os mortos vão arder pela eternidade, mesmo aqueles que já foram cremados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O contrário é o Céu. A maioria das religiões descreve o Céu como um lugar maravilhoso, um paraíso, embora cada crença tenha seu próprio portfólio a respeito. Segundo a Bíblia e a Wikipédia, o céu é onde se encontra o trono de Deus. Também moram lá Jesus, os anjos e as pessoas que vieram do purgatório. Alguns privilegiados podem ter chegado sem escala. É o caso dos santos.  Ainda de acordo com a Bíblia (com informações do site www.gotquestions.org), o Céu é uma cidade cheia do brilho de pedras preciosas e jaspes claros como os cristais. “O céu tem 12 portas (Apocalipse 21:12) e 12 fundamentos (Apocalipse 21:14). O paraíso do Jardim do Éden é restaurado: o rio da água da vida corre livremente e a árvore da vida está disponível novamente, dando fruto mensalmente com folhas que são para “a cura dos povos” (Apocalipse 22:1-2).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Informações mais práticas, nenhuma. Como afirma Woody Allen, não se sabe nada a respeito do funcionamento do Céu, seus horários, como é a vida noturna, o sexo etc. O certo é que, para os católicos, o céu é como o sonho da casa própria. O lugar onde se vai morar para sempre. Para sempre mesmo. Quem não gostar dessa Alphaville da eternidade, dançou. De lá nunca mais sairá. O consolo é ser melhor do que o Inferno – é o que dizem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra opção disponível na praça é voltar à Terra, encarnado em outra pessoa e, se não der sorte, numa lhama ou numa barata. Pode também vagar por ai, invisível, assustando as pessoas, mas essa hipótese tem mais amparo em Hollywood do que nas religiões ocidentais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer maneira, morrer é sempre desagradável. Uma mudança muito brusca na sua rotina. Vai embora com a roupa do corpo, sem saber para onde e, pior, talvez para lugar nenhum. &lt;br /&gt; &lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vale destacar que o texto acima é de um leigo, ou seja, de alguém que nunca morreu&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;@_lulafalcao&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-5793698095014265966?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/5793698095014265966/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/06/vida-chata-depois-da-morte.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/5793698095014265966'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/5793698095014265966'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/06/vida-chata-depois-da-morte.html' title='A vida chata depois da morte'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-4400590652145643202</id><published>2011-06-28T08:59:00.001-07:00</published><updated>2011-06-28T19:03:11.621-07:00</updated><title type='text'>Blogs: os últimos suspiros</title><content type='html'>Blog. Eu tenho, tu tens, ele tem. Outros têm mais de um.  Crianças, adultos e até algumas espécies animais – com ghost writer humano, claro - mantêm suas páginas na Internet para dizer uma variedade enorme de coisas que parece não caber mais em qualquer armazém de palavras, seja o cérebro humano ou o Google. Alimentar um blog tornou-se tão urgente e inexplicavelmente necessário quanto possuir um CPF ou um RG. Mas ai surge um problema: quem vai ler? Poucos. Em muitos casos, ninguém; e na maioria das vezes só por engano alguém acessa seu blog por uma conjunção de letras escritas em tal ordem que equivale, por exemplo, a acertar na megasena. Mas, nessas ocasiões, o “leitor” abre e fecha, sem ao menos olhar o conteúdo, e suas idéias vão navegar pelo éter, junto com partículas desconhecidas. Nenhuma repercussão e escritos frustrados, especialmente para aquelas pessoas que não escrevem apenas para elas próprias - num tipo de comportamento que, para um jornalista, soa como meio maluco. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem. Atualmente, segundo o Technorat, existem 55 milhões de blogs no mundo, num cálculo por baixo e defasado, pois a cada minuto ou segundo surgem novas páginas, numa velocidade tão impressionante quando a reprodução de bactérias e de alguns insetos mais férteis.  Com a blogosfera engarrafada, alguns eleitos conseguem cair no gosto do público, seja por qualidade, acaso, milagre e, obviamente, por pesados investimentos em marketing. A maioria, no entanto, continua navegando no mar escuro. Seus posts são como mensagens dentro de garrafas jogadas na água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tema do anonimato dos blogs pessoais é recorrente aqui. Mas a volta ao assunto tem a ver não apenas com a visível saturação da blogolândia, mas com a pregação de alguns teóricos sobre o esgotamento deste meio de comunicação e a perda da sua razão de existência. Alguns até decretam seu fim, apostando que o futuro da escrita na Internet é incerto, mas que obviamente o blog independente não é o caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Marcelo Träsel, ex-colaborador do CardosoOnline, os blogs terminaram. Acabaram. Foram comer capim pela raiz. “São um ex-formato de mídia alternativa na Web”, afirma. “E o motivo principal dessa desaparição é justamente o sucesso que o formato blog obteve, tornando-se onipresente”. O futuro, segundo ele, está um modelo, em um killer app ainda não inventado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já o jornalista Paul Boutin, em matéria publicada na revista Widered, vai mais longe: "Está pensando em criar um blog? Aqui vai um conselho de amigo: não faça isso. E, se você já tem um, tire ele do ar". Em seu texto, ele acrescenta que a blogosfera se profissionalizou tanto que as chances de um blogueiro independente construir relevância caíram imensamente nos últimos quatro anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quer dizer 1: se você não tem um esquema empresarial por trás, desista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quer dizer 2: o imenso sucesso dos blogs é o motivo de seu o fracasso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quer dizer 3: a ideia de que cada pessoa seria uma espécie de jornal de si próprio e de suas idéias pode ter sido mera ilusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo assim alguns vão continuar existindo, cambaleando por ai, almas penadas, com poucos leitores, como este aqui. Até o dia do Juízo final da blogosfera. Que ainda não chegou, mas vai chegar. Tudo nasce, cresce e morre. É assim que funciona. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;@_lulafalcão&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-4400590652145643202?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/4400590652145643202/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/06/blogs-os-ultimos-suspiros.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/4400590652145643202'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/4400590652145643202'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/06/blogs-os-ultimos-suspiros.html' title='Blogs: os últimos suspiros'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-1574137241962392349</id><published>2011-06-24T11:37:00.000-07:00</published><updated>2011-06-24T12:07:14.916-07:00</updated><title type='text'>Celebridades 2 - Emanuel</title><content type='html'>O problema de Emanuel, escritor independente, é que sempre mistura as coisas. Vida real e literatura num mesmo pacote. Então para ter o material do próximo capítulo, é preciso de um algum desregramento – ou melhor, muito. Nada contra a farra. O problema é o livro. O risco é enorme, pois grandes impressões de si próprio podem ter pouco interesse para o leitor – ou pior, até para o bêbado da esquina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Emanuel, no entanto, se acha o máximo nas festas, um Scott Fitzgerald. Mas expõe aquilo, no livro, em frases pretensamente espirituosas, que tinham a ver como o momento em que foram ditas. Depois se perderam para sempre. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na vida festeira, Emanuel repara muito nas pessoas, no que elas falam, para depois reproduzir neologismos e gírias como se fosse íntimo delas. Soa falso – Emanuel prefere fake – porque aquilo, nos seus escritos, não sai da boca de uma personagem, mas da sua própria, numa situação que fica entre o voyeurismo e o plágio. O defeito dele, porém, não é só esse, antes fosse. O escritor piora o que as pessoas disseram e até mesmo o que ele disse. Trata-se, na prática, de uma reprodução medíocre da vida real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Emanuel nasceu para ser primeira pessoa. Autocentrado, sempre está apegado ao “fiz e aconteci”, em grande parte porque ele tem, sim, alguns poucos leitores. Leitores tão fiéis que se transformam no seu restrito grupo de amigos. São amigos-personagens. Todos estão em seus livros, todos sabem quem é quem, não ligam em serem maltratados em algumas linhas, porque acham legal viver duas vezes: no real e no imaginário do amigo escritor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que Emanuel assume, no grupo, uma posição implicitamente superior, que é respeitada. Não escreve em jornais, não aparece na TV, não está nas redes sociais e mesmo assim seu pessoal não arreda o pé, achando que toda essa falta de evidência não é defeito, mas qualidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia Emanuel tentou colocar um crítico contra a parede. Um dos raros que se interessaram por sua obra. Perguntou, com toda solenidade e quase soberba: “por que a literatura tem que ser melhor do que a realidade?”. O cara reagiu no suplemento de domingo, dizendo, em suma, que sim.   A literatura tem que ser superior à vida. O jornalista citou até Gilles Deleuze: “Não se escreve com as neuroses. A neurose, a psicose, não são passagens de vida, mas estados nos quais se cai quando o processo se interrompe, quando está impedido, preenchido”. Emanuel reagiu com uma carta à redação mais ou menos afirmando que a literatura é uma forma de loucura, mas não houve a esperada repercussão e o caso morreu por ai. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhum abalo. A vida e a literatura de Emanuel seguem seu curso. Sempre juntinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;@_lulafalcao&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-1574137241962392349?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/1574137241962392349/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/06/celebridades-2-emanuel.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/1574137241962392349'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/1574137241962392349'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/06/celebridades-2-emanuel.html' title='Celebridades 2 - Emanuel'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-5612441112270914712</id><published>2011-06-22T21:49:00.000-07:00</published><updated>2011-06-22T21:56:22.434-07:00</updated><title type='text'>Celebridades</title><content type='html'>Nilza queria ser atriz pornô. Mas era mais culta do que gostosa. Seu primeiro vídeo amador, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Ass cream&lt;/span&gt;, era uma tentativa de trocadilho com uma frase do filme de Jim Jarmusch. Tinha trilha de Karlheinz Stockhausen. Foi pouco visto nos cinemas do centro e não despertou tesão em ninguém. O segundo tratava de sodomia e mitologia grega. Confuso e brochante. Outro fracasso. Casou-se com um professor de Literatura Inglesa de uma universidade americana. Fez doutorado, tem dois filhos e três netos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- 0 – &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apolônio escrevia críticas devastadoras contra seu próprio livro. Assinava com pseudônimo. Queria criar polêmica. Mas até seus poucos conhecidos concordavam com ele. Virou blogueiro. Seus comentários contra o governo não deram resultado. Mudou de lado. Também não funcionou. Pedia a palavra em encontros de escritores. A platéia dormia e roncava. Apolônio enviava cartas à redação. Nunca foram publicadas. No final da vida pensou em se vender ao capitalismo, mas o capitalismo não quis comprá-lo. Apolônio morreu. Nenhuma notinha no jornal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- 0 – &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antônio, 32 anos, desempregado, teve duas idéias para sair da miséria: criar uma igreja evangélica ou uma ONG. Ficou com a primeira opção. Proclamou-se pastor, arrebanhou 20 fiéis e consegue sobreviver com uma renda mensal equivalente a dois salários mínimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- 0 – &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sonho de Aderaldo era ser corrupto. Lia tudo sobre propinas, desvio de verbas e licitações fraudadas. Mas não tinha jeito pra coisa. Conseguiu o que parecia impossível: foi preso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;@_lulafalcao&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-5612441112270914712?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/5612441112270914712/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/06/celebridades.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/5612441112270914712'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/5612441112270914712'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/06/celebridades.html' title='Celebridades'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-698092046818824158</id><published>2011-06-21T12:56:00.000-07:00</published><updated>2011-06-21T12:57:19.917-07:00</updated><title type='text'>O fim da privacidade na privada</title><content type='html'>Um cara chamado Mark Holden, citado pelo @Bluebus, está prevendo que em pouco tempo mundo será ainda mais integrado em termos de tecnologia digital, com consequências espetaculares na vida das pessoas, especialmente em relação à privacidade. “Viveremos em uma sociedade em tempo real, orientada para a socialização virtual”, diz ele. Mais adiante, o sujeito cita um monte de inovações, como a realidade aumentada, para afirmar que cairemos numa “gameficação” das nossas relações, ou seja, levaremos nosso dia a dia dentro da lógica dos jogos, como personagens de uma second life. Pelo menos é o que entendi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode ser exagero de leigo assustado, mas o mundo dessa forma, cheio de vigias virtuais em todo canto, acabará totalmente com aqueles momentos mais íntimos, como a ida ao banheiro com o jornal do dia. Basta fazer isso e em questão de segundos, assim imagino, o Departamento de Estado dos EUA, o IBGE e as agências de publicidade já terão todos os dados referentes, por exemplo, à composição de sua urina e fezes, que serão repassados por dispositivos instalados na bacia da privada. Em pouco tempo, todo mundo saberá o que você comeu naquele dia e qual a procedência dos alimentos, bebidas e outras substâncias, formando assim um perfil do consumidor a partir do mais privativo ambiente doméstico. Sem contar que tais informações podem dizer muito mais sobre você: por onde andou e o que aprontou, histórico de consumo de drogas e doenças, e se de alguma forma representa um perigo para o mundo ocidental. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do mesmo modo, a pessoa não poderá dar qualquer tipo de escapadinha. Tudo registrado. Uma ida ao bar da esquina será filmada, escaneada e analisada não apenas para saber a marca da cerveja que você toma e o quanto gastou na farra. Também vão estar de olhos e ouvidos no conteúdo de sua conversa, nos seus gestos e tiques, nos olhares para a mulher da mesa ao lado e na roupa que está vestindo. Serão informações de interesse para a indústria em geral, o Ministério da saúde, a Receita Federal, a CIA e, eventualmente, maridos traídos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O 1984 de Orwell chegando atrasado, mas chegando com tudo, poderá jogar o cidadão numa rede social de grandes dimensões, mesmo que ele não queria. O pior desse admirável mundo novo é que, pelo menos segundo Holden, boa parte de nós estará viva para presenciá-lo. Será daqui a cinco anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;@_lulafalcao&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-698092046818824158?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/698092046818824158/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/06/o-fim-da-privacidade-na-privada.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/698092046818824158'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/698092046818824158'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/06/o-fim-da-privacidade-na-privada.html' title='O fim da privacidade na privada'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-1292938848585590196</id><published>2011-06-17T13:52:00.000-07:00</published><updated>2011-06-17T13:54:45.225-07:00</updated><title type='text'>Consultoria para minúsculos empresários</title><content type='html'>Faça as coisas de improviso e, dentro dele, você terminará descobrindo detalhes ainda mais improvisados, que precisam de uma gambiarra aqui e acolá, e a coisa termina andando da pior forma possível, mas andando, de modo que no final das contas tudo termina mais ou menos. Quer dizer: não deu certo nem errado, mas surtiu algum efeito sem a precisão de grandes planejamentos, planilhas, reuniões e principalmente de muito dinheiro. Para os grandes teóricos corporativos, o improviso é a pior dos mundos, e eles estão certos, mas em se tratando de uma pessoa que tem apenas uma idéia e nenhuma estrutura é melhor tentar um drible do que passar a bola de acordo com a jogada ensaiada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vantagem desse esquema meio destrambelhado é que se der merda, você faz tudo de novo, insiste no erro, porque alguns erros não são eternos. Um dia dá certo. Certo, certo, não. Dá pro gasto e é assim que funciona o mundo de grande parte dos minúsculos empresários que tentam sobreviver a partir de um ponto, mas sem estudo de viabilidade, cenários, análises de mercado, essas complicações todas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, meu microscópico empreendedor, a idéia é ir levando como Deus quer e se Ele não quiser você leva do mesmo jeito porque em muitos casos não tem outra saída pra quem começou assim, na base da intuição, sem pensar nas conseqüências, atirando no escuro. O grande mérito desse negócio – se é que assim pode ser chamado – é o baixo investimento. Tem tudo para não funcionar, mas em caso contrário, pode, lotericamente falando, resultar numa grana extra, ou seja, numa espécie de milagre.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, vejam o caso de grandes corporações que colocam milhões em consultorias e marketing, calculam tudo direitinho, mas na hora agá o resultado é um desastre completo. Não vou citar nomes para não incorrer em problemas legais, porque além de tudo essas empresas ainda gastam com departamentos jurídicos e assessorias de imprensa. Ocorre que grandes transações não têm espaço para gambiarra, um jeitinho, um arranjo, nada disso. Foram feitas para seguir os conformes e fora deles seja o que for se torna um peixe fora d’água, um beco sem saída, um poço sem fundo.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em nosso mercado, não. Sempre tem um jeito. Você dá outro nome ao projeto, se desvia completamente da idéia inicial, se vira com o agiota, vende a geladeira ou simplesmente muda de ramo ou de cidade, nos casos mais graves. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;@_lulafalcao&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-1292938848585590196?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/1292938848585590196/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/06/consultoria-para-minusculos-empresarios.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/1292938848585590196'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/1292938848585590196'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/06/consultoria-para-minusculos-empresarios.html' title='Consultoria para minúsculos empresários'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-8801192137969979504</id><published>2011-06-13T13:01:00.000-07:00</published><updated>2011-06-13T13:03:11.181-07:00</updated><title type='text'>A morte do senador</title><content type='html'>O velho político estava na cama do hospital, agonizando, clamando por todos os santos, pedindo perdão pelos pecados, chorando diante da morte, agarrado à existência de forma meio obscena, pois perdeu um pouco daquele catolicismo que apregoava em plenário. Em todo caso, cedeu ao arrependimento. Lamentou as propinas - especialmente as de menor porte -, o tráfico de influência, o desvio de verbas públicas, as mentiras ao eleitorado.   A família saiu, ele chamou o assessor, cuja tarefa era lustrar da imagem do parlamentar, mesmo nesse momento de moribundez. “Senador, morra com elegância”, disse o conselheiro. “Não terá mais jornais daqui uns dias, mas restam os livros de história”. O doente terminal revirou-se no leito, pensou em acolher a idéia, mas recordou que suas relações com o mundo acadêmico sempre foram inamistosas. Fez a última proposta: “cuide da minha memória só no meu Estado, no meu Estado, entendeu?”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O parlamentar tinha deixado um livro de memórias. Valia pouco para historiadores se contemplado com documentos oficiais. Edição esmerada, capa dura, foto de estadista. Só não se podia determinar se ele viveu aqueles fatos, se foram contados por terceiros ou se eram pura lenda. Pior: a parte mais saborosa de sua biografia estava em mãos do Ministério Público. Sobre isso, nenhuma referência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe-se que o senador deixou este mundo a pulso. Talvez gostasse mais do mandato do que da vida ou considerasse os dois indissociáveis. Áulicos, discursos cheios de citações, jogadas políticas manhosas, carros oficiais, solenidades, prostitutas de luxo, viagens internacionais, dinheiro, poder e ternos bem cortados. Tudo isso acabou. No monitor de batimentos cardíacos, uma linha reta e aquele tradicional apitinho contínuo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O passamento, porém, saiu a contento. O País fez piadinhas de mau gosto sobre a morte do senador (algumas de bom gosto, também), mas seu Estado chorou. Enterro de primeira, promessas de mais avenidas com o nome do filho ilustre, discursos inspirados em poetas da província e um cargo no Arquivo Público para o fiel assessor.  Muitos disseram: “morreu como um passarinho”. Um correligionário, mais afeito às letras, lembrou a frase atribuída ao filósofo Caio Souza Leão: “A vida é uma questão local”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;@_lulafalcao&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;br /&gt;O post acima é ficção. Qualquer semelhança com vivos, mortos ou mortos-vivos terá sido mera coincidência&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-8801192137969979504?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/8801192137969979504/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/06/morte-do-senador.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/8801192137969979504'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/8801192137969979504'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/06/morte-do-senador.html' title='A morte do senador'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-2417578985920720944</id><published>2011-06-12T11:55:00.000-07:00</published><updated>2011-06-12T11:56:36.009-07:00</updated><title type='text'>Essências</title><content type='html'>Há frases que ganham o gosto popular, perduram no tempo, se transformam em oração religiosa e agora são repetidas ad nauseam nas redes sociais. Uma delas: “O essencial é invisível aos olhos”, de Saint-Exupéry. Meu pai, que não enxerga, discorda. E Goethe: "Pensar é mais interessante do que saber, mas menos interessante do que olhar." E William Blake: “As alterações do olhar alteram tudo." Já o Super Homem poderia dizer, a propósito de sua visão de Raios-X: “O invisível é essencial aos olhos”. Em todo caso, pode ser mais uma opinião de torcedor do Bonsucesso &lt;span style="font-style:italic;"&gt;(apud&lt;/span&gt; Nelson Rodrigues). Nunca li “O Pequeno Príncipe”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-0-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Latinha&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na latinha que já foi de biscoitos importados, havia um baseado pela metade e uma pequena faca de cozinha, que servia para dichavar o fumo. À noite, ela sonhou com a manchete: “Presa com armas e drogas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-0-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Namorados&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para alguns homens, o segredo é fazer que presta atenção em tudo o que ela fala. Na verdade, ele está pensando em outra coisa e só dá uma atençãozinha ao tema da história. Ao final, com as mãos encenando certa condescendência, explica que não é exatamente isso, minha querida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;@_lulafalcao&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-2417578985920720944?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/2417578985920720944/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/06/essencias.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/2417578985920720944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/2417578985920720944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/06/essencias.html' title='Essências'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-843202136622802171</id><published>2011-06-07T09:21:00.001-07:00</published><updated>2011-06-09T17:06:14.633-07:00</updated><title type='text'>Cinema sonhado</title><content type='html'>O homem sonhava da forma mais cinematográfica possível. Eram sonhos editados e com legendas em português no caso de histórias formadas por lembranças estrangeiras. No final, descia o letreiro, com nomes dos participantes - atores e técnicos, além dos patrocinadores. Sonhos independentes, cenas soltas, trailers, grandes produções, curtas metragens. Alguns traziam logos da Lei Rouanet, da Petrobras e do BNDES. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma noite veio Brasília, o Congresso Nacional. Coisa triste. Gabinetes transformados em clínicas de aborto, lugares que vendem ouro, consultórios dentários, lotéricas, bingos clandestinos, camelôs, produtos chineses, sex shops, bancas de revistas usadas e homens-sanduíche circulando pelos corredores outrora legislativos. Cheiro de urina.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outra noite, acordou suando frio. O sonho-filme era sobre ele mesmo, o velho e sua vida amorosa. Aparecia a mulher de meia idade, sua companheira imaginária. Eles não faziam sexo, mas ficavam juntos, abraçados, para aplacar a carência. Com as outras, mais jovens, não. Era obrigado a um esforço sobre-humano, principalmente com Júlia, 26 anos, que sempre aparecia nas horas mais esquisitas, como às três da manhã. Dar conta do recado era um suplício: dor no peito, orgasmo com sintomas de enfarte, morte rondando o quarto abafado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto mais velho o sonhador de filmes ficava, mais dolorosos eram os roteiros. Finais infelizes, entre a inação e o desespero. A história de um homem cuja velhice ninguém mais agüentava. Nem ele mesmo. A vida numa ilha, a solidão e alguns diálogos internos bem sofridos. Ao retomar o sono, a custa de comprimidos, finalmente o tempo clareava num ponto perdido do Atlântico, com brilhante fotografia de Jean Manzon. Ai as musas desciam de árvores ao som de “La Engañadora”, trilha de Enrique Jorrín e sua Orquestra América. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;@_lulafalcao&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-843202136622802171?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/843202136622802171/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/06/cinema-sonhado.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/843202136622802171'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/843202136622802171'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/06/cinema-sonhado.html' title='Cinema sonhado'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-5773645480473759562</id><published>2011-06-02T15:12:00.000-07:00</published><updated>2011-06-02T15:13:12.105-07:00</updated><title type='text'>Caios e clarices</title><content type='html'>Puro exercício de adivinhação é especular sobre os motivos que levam centenas de tuiteiros a encher suas timelines com frases e mais frases de Clarice Lispector e Caio Fernando Abreu. Que os dois escritores merecem, não há dúvida. O que intriga é: por que eles? Talvez o gosto por textos curtos que encerram imagens reflexivas, típico dos dois, tenha encontrado boa pousada no mundo dos 140 caracteres. Mas ainda não é uma boa explicação. De qualquer forma, é estranho não ler com tanta freqüência no twitter escritores como Paulo Leminski. A prosa de Catatau (Ed. do Autor, 1975, e Sulina, 1989) daria um ano de boas tuitagens para os apreciadores das citações.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-o-&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Lampião no inferno&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Nordeste é cenário para a novela das seis, enquanto o enredo das nove se passa habitualmente no Leblon, com seus personagens urbanos e cheios de negócios a tratar. Homens e mulheres da Zona Sul carioca – e às vezes dos Jardins, em São Paulo – povoam o horário principal entre amores, angustias, intrigas empresariais e bons restaurantes É o momento da vida real. Já a matinê traz figuras farsescas e o indefectível sotaque criado pela TV Globo. É tudo meio circense, armorial, cômico, pitoresco, medieval, lúdico, longe da realidade. Seja de época ou não, quase sempre essas novelas trazem coronéis, capatazes, cangaceiros, curandeiros e uma versão agreste de Romeu e Julieta. Dois mundos.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;@_lulafalcao&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-5773645480473759562?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/5773645480473759562/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/06/caios-e-clarices.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/5773645480473759562'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/5773645480473759562'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/06/caios-e-clarices.html' title='Caios e clarices'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-5569048638412006263</id><published>2011-05-28T11:34:00.000-07:00</published><updated>2011-12-02T10:02:19.625-08:00</updated><title type='text'>Promoção por tempo ilimitado</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-WpwcHfc0NKM/TnInWQN-MAI/AAAAAAAAAJY/8N2NQ8T-ThM/s1600/Lula_Falcao_TUITEIRA_capa_BAIXA.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 146px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-WpwcHfc0NKM/TnInWQN-MAI/AAAAAAAAAJY/8N2NQ8T-ThM/s320/Lula_Falcao_TUITEIRA_capa_BAIXA.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5652623745567567874" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O livro “Todo dia me atiro do térreo”, editora Bookess, R$ 20.00, está à venda aqui.  Quem ainda não tem seu exemplar pode adquiri-lo da forma mais confortável possível: pede pelo email livrotododia@gmail.com e ele será enviado, frete grátis, e só depois o satisfeito leitor depositará a grana. Tudo na base da confiança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em São Paulo, o livro também está à venda na  Loja do Bispo (Rua Dr. Mello Alves, 278 – Jardins e na Livraria do Espaço (Espaço Unibanco - Rua Augusta)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://blogs.estadao.com.br/jt-variedades/tag/maria-lucia/"&gt;Resenha de Felipe Branco Cruz (JT)&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-5569048638412006263?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/5569048638412006263/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/05/promocao-por-tempo-ilimitado_28.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/5569048638412006263'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/5569048638412006263'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/05/promocao-por-tempo-ilimitado_28.html' title='Promoção por tempo ilimitado'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-WpwcHfc0NKM/TnInWQN-MAI/AAAAAAAAAJY/8N2NQ8T-ThM/s72-c/Lula_Falcao_TUITEIRA_capa_BAIXA.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-7800037346340447911</id><published>2011-05-24T12:00:00.001-07:00</published><updated>2011-05-24T17:10:55.035-07:00</updated><title type='text'>Intelectuais e o fim do mundo</title><content type='html'>Ela entrou com “Eichmann em Jerusalém” debaixo do braço para dar um toque ainda mais intelectual àquele primeiro encontro. Com o mesmo propósito, ele portava o “Homem sem qualidades”. Eles se conheceram na Internet, trocaram milhões de idéias sobre tudo, especialmente filosofia e psicanálise, e ao final de um interminável seminário a dois, resolveram que chegara a hora de a onça beber água. O local escolhido, por aclamação, foi uma livraria com café espresso. Um não conhecia o rosto do outro, mas o fato de serem ambos deleuzianos poderia facilitar as coisas. Só que ela observou de longe o homem que deveria ser ele e não gostou de alguma coisa. Talvez o olhar perdido. Não sabia ao certo. Bateu em retirada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-o-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que não uma revista para os intelectuais que detestam a Caras? Longe do fait divers da publicação de celebridades, o novo semanário retrataria o apartamento do enjoado psicanalista e de sua mulher especialista em literatura inglesa. Uma relação difícil, exposta com texto ferino e até niilista. Fotos em PB do casal (num encontro com Michel Foucault), livros por toda parte e uma tese de doutorado na escrivaninha. Logo a seguir, opiniões sobre ética, estética e filosofia. Nada de fofocas mundanas sobre separações e reatamentos. Na capa, o personagem contaria, com todas as mágoas e decepções, como se deu seu rompimento com Lacan. Agora está com Melanie Klein. A fila anda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-o-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na terça-feira da semana passada, o homem que havia previsto o fim do mundo para o dia 21 de Maio refez seus cálculos. Como o planeta continua mais ou menos inteiro, o radialista evangélico Harold Camping, de 89 anos, anunciou uma nova data para o apocalipse: 21 de outubro deste ano. Não deverá ser levado a sério, ninguém ficará assustado. Mas imaginem o falecido polvo Paul fazendo a mesma predição? O molusco alemão não errou uma na Copa de 2010. Assim como o futebol, o universo também é uma caixinha de surpresas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;@_lulafalcao&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-7800037346340447911?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/7800037346340447911/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/05/intelectuais-e-o-fim-do-mundo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/7800037346340447911'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/7800037346340447911'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/05/intelectuais-e-o-fim-do-mundo.html' title='Intelectuais e o fim do mundo'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-2236445757223225788</id><published>2011-04-30T10:17:00.001-07:00</published><updated>2011-04-30T10:17:52.650-07:00</updated><title type='text'>O bêbado moderado</title><content type='html'>Ele foi ao bar beber com moderação. Com moderação, tomou a primeira, a segunda, a terceira. Moderadamente, pediu a quarta, a quinta, a sexta. Cada vez mais moderado, encheu a cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, existe o bêbado moderado. Quando mais bebe, mais moderado fica. Aos poucos, enquanto os outros se exaltam, ele perde a estridência, busca o acordo, tenta apaziguar os ânimos. Com sucessivos e moderados goles, ele fala para dentro, quase ninguém entende, mas está sempre batendo nas costas do interlocutor, pedindo calma e bom senso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bebedor moderado já é um alcoólatra moderado há uma mais de duas décadas. Bebe moderadamente como poucos. Sua predisposição ao diálogo, no entanto, nunca é abalada pelo álcool. Pelo contrário. Ele está ali para evitar conflitos, mediar desentendimentos, sugerir saídas. Diante de posições exaltadas, tenta encontrar uma terceira via, um ponto em comum, uma solução satisfatória e, obviamente, moderada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suas intervenções mais comuns: “não foi assim tão grave”, “ela não quis dizer isso”, “vamos parar com essa história”, “foi sem querer”, “essas coisas acontecem” e, mais importante, nunca se cansa de pedir moderação aos amigos que, segundo sua visão turvada, estão bebendo sem método. A lógica é simples: bebida é uma coisa; moderação é outra. As duas podem se encontrar exemplarmente quando se fica embriagado. Nessas horas, ele não para. Continua a beber de forma ainda mais moderada, entre a ponderação e a aquiescência.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só para ele, o conselho dos rótulos – “beba com Moderação” – parece ter algum sentido e nenhuma hipocrisia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;@_lulafalcao&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-2236445757223225788?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/2236445757223225788/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/04/o-bebado-moderado.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/2236445757223225788'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/2236445757223225788'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/04/o-bebado-moderado.html' title='O bêbado moderado'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-3982218224844216145</id><published>2011-04-27T12:05:00.000-07:00</published><updated>2011-04-27T14:07:25.568-07:00</updated><title type='text'>Brasil majestático</title><content type='html'>Todo o rebuliço em torno do casamento do príncipe William com Kate Middleton nos faz lembrar a nostalgia monarquista do brasileiro. Nossa coroa não teve o charme, o veneno e as degolas das congêneres européias, mas hoje, passados 122 anos do reinado de Pedro II, ainda são visíveis os sinais de nobreza. No Brasil, toda superioridade se ampara na figuração imperial. Não bastassem os reis Pelé e Roberto Carlos, temos o Rei da Cocada Preta, a rainha do Funk, o imperador Adriano, a imperatriz das Sedas e aquela menina que mora aqui do lado, inquestionavelmente uma princesa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na terra dos reinados e reinações - de Narizinho a Collor de Mello - há ainda o “meu rei” da Bahia e as expressões “reina sozinho”, “cabeça coroada”, “quem é rei nunca perde a majestade”, “Vai para o trono ou não vai?” (Chacrinha – 1917-1988) e “Em terra de cego quem tem um olho é rei” – esta última, provável adágio de Desidério Erasmo (&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Em regione caecorum luscus est rex&lt;/span&gt;), mas que foi adotada aqui com incomum entusiasmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, temos impérios para todos os gostos – dos camarões às tintas. Copacabana ganhou o título de “Princesinha do Mar”, Caruaru é a “Princesa do Agreste”, o carnaval tem um Rei Momo, a bateria de cada escola de samba a sua rainha e todos os nascidos reinaldos passam a “Rei” - uma espécie de apelido-reverência. Alguns levam uma “vida de príncipe”; outros têm “o rei na barriga”, enquanto os mais exigentes só usam a “massa real”.  Em São Paulo, uma das mais pobres favelas da Zona Sul, a Real Parque, está encravada numa região onde prédios e condomínios receberam nomes que remetem à nobreza francesa. Não dá para percorrer um bairro sem esbarrar num Château de Versailles ou algo do gênero. Da plebe rude à classe média alta, reinam os nomes imperiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo com a impressão de que já escreveram sobre isso, e até demais, vamos em frente: a monarquia está mais presente no mundo dos produtos e serviços – lojas, restaurantes, empresas de ônibus e centenas de outros estabelecimentos descontam sua ausência da lista das Maiores e Melhores Empresas com algum toque de nobreza. Exemplo: Expedito, o Rei da Carne de Sol (Recife). Até o pornô tem suas realezas - rainhas do bumbum, do Anal, do sexo grupal e de outras partes corporais e modus operandi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que isso?  Talvez porque a realeza seja vista como uma medida de qualidade, um lugar dos ungidos, o topo, a última escala na direção das divindades. Como não fica bem usar santos nomes em vão (tipo “O Deus do cachorro Quente”), paramos em reis, rainhas e princesas. Talvez seja isso. Talvez, não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;@_lulafalcao&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir de um post de Sônia Nunes, no facebook.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-3982218224844216145?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/3982218224844216145/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/04/brasil-majestatico.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/3982218224844216145'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/3982218224844216145'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/04/brasil-majestatico.html' title='Brasil majestático'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-9010205481869414238</id><published>2011-04-25T08:14:00.000-07:00</published><updated>2011-04-25T08:16:26.406-07:00</updated><title type='text'>Literatura contemporânea e Cu,  uma biografia</title><content type='html'>Em o Globo do último domingo de abril, a literatura contemporânea brasileira comeu um pão amassado pelo crítico literário Alcyr Pécora, da Unicamp. Em essência, o doutor de Campinas afirma que a escrita produzida hoje é uma bosta. Não nesses termos, claro. Num texto apenas mediano, ele observa que ocorre hoje “uma impressionante expansão de narrativas no cerne da própria existência”. Quem viu ali uma cutucada no ótimo “Pornopopéia”, de Reinaldo Moraes, acho que acertou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Doutor Pécora enxerga um relacionamento prejudicial entre literatura e redes social. “É como se o mundo inteiro fosse virtualidade narrativa antes de ser existência particular, e principalmente como se todo mundo fosse interessante o bastante para ser visto/lido”, decreta Pécora. Em troca, nos oferece um eterno retorno ao século XIX, aos braços confortáveis de Machado, como se o mundo virtual também não fosse feito por gente de carne e osso.  Tudo bem em relação a Machado, mas por que um café oitocentista seria assim tão melhor do que a rede?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em todo caso, a trolha acima não tem pretensões de ser uma crítica da crítica. Nem mestrado eu tenho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-0-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por falar em literatura contemporânea, presenciei um debate curioso no Rio. Assunto: cu. Um grupo de intelectuais, durante uma festinha, começou a dissecar o dito com todo o rigor acadêmico. Não se falou em escatologia ou Proctologia. O caso esteve no âmbito da Filosofia e da Psicanálise. Fiquei impressionado com a bibliografia existente sobre esta, digamos, área de estudo. Conhecia apenas “A história do olho”, de Georges Bataille, e ao final sugeri que já era o momento de alguém escrever algo mais abrangente, tipo “Cu, uma biografia”. Ninguém achou a menor graça. A referência foi tratada como politicamente incorreta por um emérito tradutor presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;@_lulafalcao&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-9010205481869414238?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/9010205481869414238/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/04/literatura-contemporanea-e-cu-uma.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/9010205481869414238'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/9010205481869414238'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/04/literatura-contemporanea-e-cu-uma.html' title='Literatura contemporânea e Cu,  uma biografia'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-8498460091241236915</id><published>2011-04-19T20:03:00.001-07:00</published><updated>2011-04-20T06:49:38.006-07:00</updated><title type='text'>O elogio da vaidade</title><content type='html'>O fato de que qualquer pessoa pode morrer a qualquer momento e que se não for agora ou daqui a alguns anos será algum dia, torna espetacular o fato de tudo continuar andando e funcionando normalmente no mundo. Mais do que isso, é impressionante a quantidade de planos para o futuro quando se sabe que o único futuro que nos espera é a morte. Alguém pode explicar tal comportamento com a imortalidade da alma, mas se pegarmos os ateus veremos que são do mesmo jeito: planejam, pesquisam, fabricam, constroem, estudam, trabalham, fazem um monte de coisas como se fossem ficar aqui para sempre. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que muita gente percebe isso e detona a vida, como se ela fosse para arder, não para durar, como já observou um desses caras bons de frases. Mas daí para a vadiagem é um passo. O sujeito pensa: Se vou morrer porque devo me mexer muito. É umas. Mas se todo mundo pensasse assim, desde o início dos tempos, ainda estávamos sem fogo, sem roda e sem I-Phone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa questão, a vaidade explica muita coisa. Mais do que religiões. As pessoas querem deixar algo escrito, construído, esculpido, pintado, descoberto, embelezado, etc e tal, porque sonham com um futuro em que não estarão presentes. Não querem ser esquecidas depois de mortas. Embora o defunto não possa usufruir dessas recompensas e elogios, o sujeito aproveita a sensação enquanto vivo, numa espécie de posteridade pré-gozada. Pelo menos sonha com um velório concorrido, uma nota de jornal, uma biografia ou mais modestamente com uma foto sua no álbum do neto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os artistas e intelectuais, a finitude parece mais sentida, mais aguda e mais curtida - mesmo porque vem sempre acompanhada de Psicanálise, Filosofia e Literatura. O certo é que, para essas pessoas, especialmente as que hoje são mortas e famosas, a realidade do fim tornou-se também material de trabalho. Basta ler um pouquinho de Spinoza e de outros menos votados para descobrir que é mais ou menos assim. O ser angustiado diante da morte aprofunda mais seus pensamentos em torno de um assunto que a maioria prefere fazer de conta que não existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para resumir, é a vaidade, mesmo escondida, a grande responsável pela civilização. Sem ela, multidões de seres humanos estariam aos prantos, nos braços do desespero, sem qualquer projeto ou saída, apenas esperando dolorosamente o inevitável. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;@_Lulafalcao&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-8498460091241236915?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/8498460091241236915/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/04/o-elogio-da-vaidade.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/8498460091241236915'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/8498460091241236915'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/04/o-elogio-da-vaidade.html' title='O elogio da vaidade'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-6155559175645278820</id><published>2011-04-14T07:44:00.000-07:00</published><updated>2011-04-14T08:16:32.134-07:00</updated><title type='text'>Avatar</title><content type='html'>No ônibus, ela cutuca a vizinha de cadeira, e pergunta: “eu estou aqui, agora?” Claro que a outra desdenha: “você é louca”. Talvez. O problema não era de hoje. Há dois anos ela vinha experimentando a sensação de não estar em determinado lugar, embora estivesse. Pela primeira vez, no entanto, o mal estar persistia por mais de segundos, quase um minuto, e depois no trabalho, atrás da mesa, olhando perplexa para pessoas que sabia que eram colegas, mas a certeza formal não dizia muita coisa. Tudo estava inadequado e esquisito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À noite, diante do computador, começou a pesquisar a condição de não estar, estando. Não achou muita coisa no Google, mesmo porque não sabia exatamente o que perguntar ao oráculo. A pesquisa, mesmo assim, resultou em algumas possibilidades: síndrome do pânico, esquizofrenia, encosto e morte. Talvez ela estivesse morta e essa ausência de si própria seria o que sentem os mortos, vagando por ai, com a ilusão de que um bom dia no elevador ou uma ordem no trabalho é real. Deixou pra lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais tarde, ao entrar no Facebook e no twitter todos aqueles problemas sumiram de repente. Sentia-se inteiramente familiarizada com seus pares. Trocou idéias, fez comentários, curtiu, cutucou, mandou DMs, postou fotos de Paris, sentiu-se feliz, enfim, com a descoberta: ela era um avatar. Fake. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;@_lulafalcao&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-6155559175645278820?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/6155559175645278820/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/04/avatar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/6155559175645278820'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/6155559175645278820'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/04/avatar.html' title='Avatar'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-1458897872179772963</id><published>2011-04-07T13:55:00.000-07:00</published><updated>2011-04-07T13:57:51.150-07:00</updated><title type='text'>A Solidão e seus equipamentos</title><content type='html'>O mundo dos separados funciona bem até o ponto em que o dinheiro some. Sem emprego e sem mulher, a vida dele afunda quando começa a desaparecer aquele aparato necessário à solidão: Internet e TV a cabo. O ponto alto – no caso, baixo – dessas situações é a noite de domingo. A TV só pega a Globo. Insônia. A emissora anuncia que dará uma parada em sua programação para a manutenção dos transmissores. Último recurso: comprimidos para dormir. A cartela está vazia. Todos os livros foram lidos ou vendidos ao sebo. Por sorte, logo chega a segunda-feira, com suas possibilidades e imprevistos. Os imprevistos terminam dominando tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto o País cresce, ele diminui. A grana do FGTS está no fim e as contas do mês nem são abertas. A faxineira é outra perda irreparável. O celular da empresa virou pré-pago. O aparelho fixo está mudo por falta de pagamento. A cozinha é uma cidade-fantasma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia a ex-mulher aparece para cobrar a pensão. Ela vê, num traveling, que o sujeito está a zero. Mas não há acordo. O fracassado terá que acertar suas contas na Justiça, embora ela seja funcionária concursada do Tribunal de Contas do Estado. Lei é lei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai ocorre o inesperado: outra mulher. Bonita, até. Mas desempregadíssima. Os dois vão morar juntos. Em pouco tempo aparecem empregos para ambos, o casal progride, nascem alguns filhos. O mundo estava uma beleza, até que a vida os separa. De novo. A diferença é que agora ele tem TV a cabo, wireless e aposentadoria. Mas logo tudo isso não terá a menor importância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;@_lulafalcão&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-1458897872179772963?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/1458897872179772963/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/04/solidao-e-seus-equipamentos.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/1458897872179772963'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/1458897872179772963'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/04/solidao-e-seus-equipamentos.html' title='A Solidão e seus equipamentos'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-6562354672811946583</id><published>2011-03-30T06:58:00.000-07:00</published><updated>2011-03-30T06:59:04.222-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-_65DjeM7-yg/TZM3IHjj6kI/AAAAAAAAAFs/cHcsEup1l_Q/s1600/mail_rio.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-_65DjeM7-yg/TZM3IHjj6kI/AAAAAAAAAFs/cHcsEup1l_Q/s320/mail_rio.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5589872175103601218" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-6562354672811946583?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/6562354672811946583/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/03/blog-post.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/6562354672811946583'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/6562354672811946583'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/03/blog-post.html' title=''/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-_65DjeM7-yg/TZM3IHjj6kI/AAAAAAAAAFs/cHcsEup1l_Q/s72-c/mail_rio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-5540861744079188452</id><published>2011-03-23T17:21:00.000-07:00</published><updated>2011-03-23T17:23:43.837-07:00</updated><title type='text'>Rebotalhos</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;br /&gt;No início deste ano, lancei o livro “Todo dia me Atiro do Térreo”. Alguns trechos ficaram ruins ou não se encaixavam no encadeamento da história. Nem no blog entraram. Aos poucos, vou soltar os refugos da #tuiteira. Apenas para não deixar este espaço vazio.  Segue, junto com as desculpas do autor:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;@ Nem venha dizer “você não segura a onda do mundo hostil lá fora, minha filha”, porque eu não vou acreditar. Quer mundo mais hostil do que esta casa? Até meu quarto é um lugar perigoso. É lá que eu penso e só penso besteira. Quantas vezes esse negócio de matar a família não me passou pela cabeça? Você e meu pai são uns trastes, vivem resmungando pelos cantos, um contra o outro e os dois contra mim. Pra vocês, não faço nada que preste e meu pai tem sempre que entrar em cena para dizer que aquilo não foi nada, pois em 1959 ele fez muito melhor e em condições bem piores. Tudo foi mais bacana no passado, nada presta hoje em dia, inclusive computadores, porque vocês são ranzinzas ordinários que não se contentam em combater a juventude dos filhos e a juventude em geral e parte para esculhambar todo que é moderno. Então, vão pro anos 50, com suas geladeiras de querosene, carros poluidores, TV em preto e branco cheia de chuvisquinhos, papas de maisena, paralisia infantil e outras merdas. Vão se fuder. Eu não fico nem mais um minuto nesta porcaria de casa.&lt;br /&gt;@ Foi mais uma discussão com minha mãe depois da segunda volta à casa dos pais. Sabe como é. A crise apertou para todo mundo e não foi só pra mim. Veja os Estados Unidos em petição de miséria. Resumindo: voltei e voltei para ficar por muito tempo.&lt;br /&gt;@ Apesar dos pequenos entreveros domésticos, família tem sempre um lado de carinho, apoio, conforto. Embora isso seja raro aqui, existe. Meu único medo é que um dia aconteça uma cena que já me apareceu em sonhos: minha mãe, que deverá viver uns 200 anos, trocando minhas fraldas pela segunda vez na vida. Só que as fraldas nos sonhos, são geriátricas.&lt;br /&gt;@ Não tenho jeito para filha pródiga – nem meus pais querem isso. Eles querem notícias dos filhos – boas, de preferência – e não um encosto diário cheio de manias: eu. Mas procuro me preservar. Tranco o quarto. Já bati alguns recordes de permanência no quarto quando morava sozinha. É moleza. Leve um bom estoque de biscoitos, duas garrafas de vodka, uma cartela de rivotril e maconha a gosto. Dá para uma semana.&lt;br /&gt;@ Uma TV ajuda. Já me especializei nas falas de toda a série Bourne, que é repetida no canal a cabo como uma missa. Tem todo dia, várias vezes (pelo menos era assim em 2010). Mesmo assim é legal porque uma hora o cara está em Paris, noutra aparece em Moscou, daqui a pouco desembarca nas Bahamas. Doidona, viajo junto.  Só que o Matt Demom está fugindo da CIA; eu estou fugindo de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: em abril o livro será lançado no Rio. Aviso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-5540861744079188452?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/5540861744079188452/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/03/rebotalhos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/5540861744079188452'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/5540861744079188452'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/03/rebotalhos.html' title='Rebotalhos'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-3998359539071985095</id><published>2011-03-13T15:05:00.001-07:00</published><updated>2011-03-14T06:52:14.523-07:00</updated><title type='text'>Terra perigosa</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-f6XG7UypgWA/TX4diAel2GI/AAAAAAAAAFk/0Cyn3NsMEDI/s1600/cia_letras_brevehist_quasetudo.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 311px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-f6XG7UypgWA/TX4diAel2GI/AAAAAAAAAFk/0Cyn3NsMEDI/s320/cia_letras_brevehist_quasetudo.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5583933058067060834" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A tragédia do Japão ainda é tratada como resultado da interferência do homem na natureza. Na verdade, antes de existir vida humana na Terra os tremores eram ainda mais terríveis. Está certo que o progresso causa o aquecimento global, mas quente, mesmo, é o centro do planeta – ferro e níquel sempre em combustão, com temperaturas que chegam a cinco mil graus Celsius. Não há muito que fazer, por enquanto, para evitar desgraças vindas das profundezes. Mesmo porque as informações sobre essa mecânica ainda são precárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seu livro “Breve História de quase tudo” (Companhia das Letras, 2007), o jornalista Bill Bryson observa que sabemos mais sobre o que se passa no centro do Sol do que no centro da terra. Para ele, é inacreditável que, quando Ford começou a fabricar automóveis, ainda não soubéssemos que Terra possui um núcleo. “A idéia de que os continentes flutuam na superfície como ninféia só se tornou um conhecimento comum há menos de uma geração”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De certa forma, Bryson coloca também em dúvida a tese de que a exploração petrolífera e as minas podem provocar terremotos, como afirmaram com alguma convicção cientistas ouvidos pela TV sobre a tragédia japonesa. A distância entre a Terra e o seu centro é de 7.370 quilômetros. Nem a Petrobrás chegou ou chegará a tanto com o pré-sal. “Se o Planeta fosse uma maçã ainda não teríamos rompido a casca”, afirma o autor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que diante de tantas energias em ação, Bryson especula sobre o fim do mundo. A este respeito, ele tem a boa notícia de que é muito difícil extinguir uma espécie. Mas há o outro lado: “a má notícia é que não podemos nos fiar na boa notícia”. Segundo ele, não é preciso olhar para o espaço em busca do perigo petrificante. “A Terra, sozinha, pode oferecer perigo suficiente”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;@_lulafalcao&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-3998359539071985095?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/3998359539071985095/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/03/terra-perigosa.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/3998359539071985095'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/3998359539071985095'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/03/terra-perigosa.html' title='Terra perigosa'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-f6XG7UypgWA/TX4diAel2GI/AAAAAAAAAFk/0Cyn3NsMEDI/s72-c/cia_letras_brevehist_quasetudo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-6767146510696437556</id><published>2011-03-08T14:21:00.000-08:00</published><updated>2011-03-08T18:03:20.882-08:00</updated><title type='text'>Notas desconexas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-ok4RiihQ9lw/TXasb1HcdCI/AAAAAAAAAFc/z_Ku1Q_79KU/s1600/mulher-melancia-03.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-ok4RiihQ9lw/TXasb1HcdCI/AAAAAAAAAFc/z_Ku1Q_79KU/s320/mulher-melancia-03.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5581838382287057954" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passava na TV um documentário sobre o fim do mundo em 2012 quando desabou um temporal em São Paulo. Logo caiu o sinal da TV a cabo, em seguida a Internet e finalmente a energia elétrica. Um amigo apocalíptico, que andou lendo a Veja, anunciou que o problema tinha origem numa tempestade solar. Segundo ele, o Sol vai explodir em 2013. Boa notícia: teremos mais um ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-o-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em todos os carnavais, Salvador apresenta uma dança nova. Impiedosamente parecida com a anterior. Mudam os movimentos, mas a fixação anal é recorrente. Pior: a música é praticamente a mesma. 2012-2013 teria pelo menos o mérito de encerrar esse ciclo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-o-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Recife, a praga é Vassourinhas. Tantos frevos maravilhosos e a TV só mostra o hit de Matias da Rocha e Joana Batista Ramos, composto em 1909. Só pode ser boicote. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-o-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A bunda sempre foi uma preferência nacional, como gostam de dizer aqueles que se jactam da nossa trindade mulher-samba-futebol. O problema é que as bundas foram crescendo, crescendo e se transformaram em anomalias físicas daquelas mostradas pelo Discovery Channel. Mulher Melancia, Mulher Melão, Valeska Popuzuda e outras tantas continuam em processo de expansão do derrière até descobrirem que são apenas gordas, como bem observou uma moça no twitter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-o-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até o fechamento desta edição, como afirmam os jornais, Kadafi ainda não tinha caído. Mas não importa. A questão é o comportamento de certos setores políticos e jornalísticos sobre a revolta na Líbia. No caso do Egito e de seu aliado norte-americano Hosni Mubarak, todos torceram pela queda. Com o ditador da líbia, que já peitou os EUA, as reações foram mais moderadas. Afinal, trata-se (ou tratava-se) de um revolucionário, o reitor dos governantes árabes, o Imã de todos os imãs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-o-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A outra face da moeda. Muita gente ainda encara os conflitos no Oriente Médio como um choque de civilizações, à moda de Samuel Huntington. Cultura cristã contra a cultura islâmica.  No fundo, um tremendo banzo da guerra fria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;@_lulafalcao&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-6767146510696437556?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/6767146510696437556/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/03/notas-desconexas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/6767146510696437556'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/6767146510696437556'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/03/notas-desconexas.html' title='Notas desconexas'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-ok4RiihQ9lw/TXasb1HcdCI/AAAAAAAAAFc/z_Ku1Q_79KU/s72-c/mulher-melancia-03.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-8964680307500225353</id><published>2011-03-06T15:39:00.000-08:00</published><updated>2011-03-06T15:47:03.747-08:00</updated><title type='text'>Galo da Madrugada, mito e apartheid social</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-GLjNidLDUxI/TXQc8J3jJwI/AAAAAAAAAFU/Mn8huYETPQ0/s1600/Galodamdruga.gif"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-GLjNidLDUxI/TXQc8J3jJwI/AAAAAAAAAFU/Mn8huYETPQ0/s320/Galodamdruga.gif" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5581117657985525506" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Homero Fonseca&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na terça-feira passada, 1º de março, os jornais do Recife publicaram um Comunicado do Clube de Máscaras O Galo da Madrugada posicionando-se no sentido de “salvaguardar direitos e obrigações inerentes ao uso da marca Galo da Madrugada”.&lt;br /&gt;Assinada pelo presidente da agremiação, a nota adverte: “a utilização de suas marcas em quaisquer meios de comunicação, propagandas, festas, camarotes, eventos e afins, em quaisquer de suas modalidades, escrita, imagem, falada ou reproduzida, de forma integral ou parcial, sem a prévia e expressa autorização do seu titular, constitui violação” à Constituição e à Lei de Propriedade Industrial. Vazada em autêntico juridiquês, a nota detalha as interdições ao uso comercial da valiosa marca. A parte aspeada sugere até uma inibição ao noticiário, coisa, além de absurda, inócua e que, se lograsse êxito, seria totalmente contraproducente, pois o que seria do Galo sem a mídia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um documento curioso, merecedor de análise e registro por historiadores, pesquisadores e instituições de pesquisa social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na realidade, escancara uma realidade sabida de todos: como o futebol, a música popular e qualquer atividade que reúna grandes massas, o Carnaval é movido a dinheiro. É inescapável. Sempre foi assim, isto é, desde que o Carnaval assumiu, entre nós, as feições atuais, a partir das primeiras décadas do século passado, convivendo, essa inserção no mercado, com iniciativas basicamente lúdicas, mas integradas, afinal, ao gigantesco sistema. O que mudou é a escala e a franqueza expostas no comunicado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Lembremo-nos de que, desde épocas recuadas, mesmo as chamadas agremiações populares sempre dependeram de subvenções governamentais para desfilar, o que veio a determinar um crescente dirigismo dos festejos pelas instâncias estatais, substituindo o cassetete pelas verbas e induzindo por completo a formatação da festa, especialmente a partir da década de 1930. Hoje o poder público, consciente do trunfo mercadológico em mãos, vai em busca de patrocínios privados, como as grandes cervejarias, por exemplo, repassando parte da receita às agremiações. Os meios de comunicação completam o circuito, dedicando espaços mais que generosos à folia, arrecadando os tubos em publicidade. É a roda da fortuna girando a todo vapor.]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fundado em 1978, quando exatamente 75 foliões, devidamente fantasiados de almas penadas, sacolejaram ao ritmo do frevo pelas ruas estreitas dos bairros de São José e Santo Antônio, às primeiras horas do Sábado de Zé Pereira, o clube cresceu de uma maneira vertiginosa por uma série de fatores, espontâneos ou planejados à luz das ferramentas do marketing. Era realmente uma sacudida renovadora nos festejos de rua no Recife, à época definhando pelo abusivo controle policial-militar-ideológico imposto pelo regime de 1964.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos anos 80, o Galo, vitaminado pela adesão constante de mais e mais foliões, já se tornara robusto e se apresentava com várias orquestras em cima de caminhões. Dois anos depois – conforme o saite do clube – “já era impossível o som das orquestras alcançarem ‘naturalmente’ a multidão” e recorreu-se à fórmula dos trios elétricos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aí, salvo engano, ocorreu um fato que seria fundamental para a explosão dos números: competindo por espaços nos noticiários nacionais, os setores de jornalismo da Rede Globo da Bahia e de Pernambuco fizeram um curioso leilão de público, a cada ano aumentando delirantemente o tamanho da festa no Recife e em Salvador (isto rendia mais prestígio e faturamento para as emissoras locais). Obviamente que todos se beneficiavam dessa emulação: o próprio clube, as prefeituras, o patriotismo bairrista. Então, as coisas deixaram de ser espontâneas e viraram uma jazida explorada em todos os seus filões. E, em 1991, chegou-se ao número mágico: o Galo arrastara “mais de um milhão de foliões”! Daí para chegar ao Guinness Book, em 1994, foi moleza. E a marca consolidou-se definitivamente como “o maior bloco de Carnaval do planeta” (desconfio de que, se a corrida espacial houve avançado mais, chegaríamos às raias do sistema solar).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada contra. Assim caminha a humanidade. Apenas creio ser necessário “contar o caso como o caso foi”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Um adendo: em 1996 ou 97, quando eu chefiava a redação de um jornal recifense, comecei a desconfiar do coro da Maria-vai-com-as-outras, trombeteando, como já se fazia, que o colossal desfile já ultrapassava o número de um milhão e meio de pessoas. Ora, o Recife contava com pouco mais de um milhão e duzentos mil habitantes, ou seja, tinha mais gente no Galo do que a população da cidade! Tudo bem, vem o pessoal da região metropolitana e os turistas, mas também é preciso descontar quem não gosta de Carnaval, os evangélicos, os católicos que fazem retiro, as crianças de berço, os muitos velhos, os que fogem para as praias e as serras, os doidos internados, os doentes, os presos etc. Há ainda o problema do espaço físico. Estávamos no campo dos mitos. Chamei um engenheiro e pedi-lhe para, em cima de um mapa da região por onde o clube se espraiava, e levando em conta os parâmetros para cálculo de multidões, aferir o público do desfile. Ele fez um estudo preliminar cujo resultado apontava algo como 350 mil pessoas, no máximo 400 mil (o que é gente pra caramba). A disparidade era tão grande em relação ao número mítico (menos de um terço) que resolvi suspender a pesquisa. Não valia a pena entrar em choque com o “resto do mundo” (rssss) e virar um inimigo do povo. Mas fiz uma recomendação expressa à redação: nada de falar em milhões e que tais – a cobertura seria a mesma, com o mesmo destaque de sempre, mas registrando “a grande multidão”, sem dimensionar o número exato, que aliás ninguém conhece com certeza. Ir de encontro a mitos é um pouco como combater moinhos de vento e essa não era minha prioridade.]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me incomoda substantivamente é o ‘apartheid social’ evidenciado no Carnaval: as multidões embaixo, como coadjuvante, e a elite nos camarotes refrigerados tietando celebridades vazias e efêmeras. Claro que desde o entrudo, povo e elite nunca se misturaram completamente na festa, apesar do seu razoável caráter democrático e da oportunidade mais ou menos consentida de inversão de papéis sociais (e até sexuais, vejam as “Virgens”). Brinquei uma vez no Galo, em fins dos anos 80, lá embaixo, no asfalto, apenas evitando o corredor polonês da Rua da Concórdia, o que exigia mais saúde e menos juízo do que eu tenho. Foi bom, mas depois se tornou impraticável. Para quem tem disposição demais, certamente continua valendo a pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas fora isso, viva o Galo! E viva também “quem é de fato bom pernambucano espera um ano e se mete na brincadeira”, como não faço mais, por comodismo, velhice chegando ou porque, morando na praia de Barra Grande, talvez eu tenha virado alagoano. Bom Carnaval para todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;EM TEMPO (06/03/11)&lt;br /&gt;Leio nos jornais que o Bola Preta, do Rio, superou o Galo, ao levar para as ruas DOIS MILHÕES de foliões. O dado basea-se numa avaliação genérica da PM do Rio (hum!). Pelos mesmos motivos que desconfio dos números mágicos do Galo, também intuo que a "superação do recorde" pelo simpático Bola Preta, num crescimento ainda mais vertiginoso e espantoso, carece de comprovação científica e tudo indicar situar-se no vaporoso terreno do marketing.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-8964680307500225353?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/8964680307500225353/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/03/galo-da-madrugada-mito-e-apartheid.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/8964680307500225353'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/8964680307500225353'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/03/galo-da-madrugada-mito-e-apartheid.html' title='Galo da Madrugada, mito e apartheid social'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-GLjNidLDUxI/TXQc8J3jJwI/AAAAAAAAAFU/Mn8huYETPQ0/s72-c/Galodamdruga.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-1504006063763968766</id><published>2011-02-23T15:21:00.003-08:00</published><updated>2011-02-25T13:43:59.955-08:00</updated><title type='text'>Sorriso vegetal</title><content type='html'>Como existem fins de piada sem começo - criados por Millôr Fernandes - também existem romances sem meio e fim. Só o primeiro parágrafo. Vários candidatos a escritor guardam o início de uma obra-prima que nunca souberam desenvolver. Outros descobriram que seria impossível partir dali para outro lugar. Pelo menos com os recursos lingüísticos disponíveis atualmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um amigo da adolescência guarda até hoje seus escritos iniciais. Vários livros começados. Num deles, obviamente sem futuro, tratava de uma moça “com sorriso vegetal”. Uma Capitu da clorofila. Para ele, um dia a frase faria sentido no reino animal.  Não fez, mas permanece lá, à espera de continuação. Porque não se muda um começo. Melhor partir para outro. Assim, um dia, ele formou uma quase biblioteca de romances que não deram a largada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um blog português - Pó dos Livros – se embrenha nesse assunto sem muita importância aparente ao afirmar que o primeiro parágrafo ou frase de arranque do livro é essencial para o seu sucesso. Na sequência, o blog enumera alguns exemplos de inícios de livros no mínimo duvidosos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A sua flatulência levantava-o como um garanhão orgulhoso”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Desde que me conheço como gente que tenho hemorróidas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Embora flanqueada por dois soldados espadaúdos e morenos, Paula desviou o seu olhar para o saxofonista gordinho”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Robert era novo nestas coisas da prisão, e sentiu-se assustado, confuso. Mas no momento em que ele pôs os olhos em 472825994, tornou-se um prisioneiro do amor”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Nicole deixou cair dos seus ombros a blusa de seda que envolveu a perna esquerda de James, que, habilmente, cortou um pedaço de queijo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O cabelo de Scarlet era vermelho como as minhas persistentes feridas gangrenadas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ele agarrou o meu sutiã como um Concorde que levanta voo, mas eu não estava preparada para o amor”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu amigo preferia cair no incompreensível a cair no mau gosto. Preferia o “sorriso vegetal”. Na verdade, ele gostava mesmo era do começo de Cem Anos de Solidão, mas nunca ousou na mesma linha para não ser acusado de plágio. No entanto sabia de cor as primeiras palavras de Gabriel Garcia Marques. Recitava nas festas: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Muitos anos depois, em frente ao pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendía haveria de recordar aquela tarde remota em que o seu pai o levou para conhecer o gelo”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;@_lulafalcao&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-1504006063763968766?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/1504006063763968766/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/02/sorriso-vegetal.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/1504006063763968766'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/1504006063763968766'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/02/sorriso-vegetal.html' title='Sorriso vegetal'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-6836664386171599706</id><published>2011-02-20T09:12:00.000-08:00</published><updated>2011-02-20T09:14:18.262-08:00</updated><title type='text'>Três notas e um anúncio</title><content type='html'>Escrever, editar, imprimir. Cumpridas as primeiras fases, o livro “Todo dia me Atiro do Térreo - #tuiteira” passa pelo inferno de todas as publicações sem editora forte e sem esquema de distribuição. Como vender?  Como divulgar? Como, enfim, esvaziar caixas e caixas enviadas pela gráfica. Olho para elas com certa desconfiança. Espero que não fiquem aqui por muito tempo. &lt;br /&gt;              &lt;br /&gt;-0-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Intervalo comercial: por enquanto, o livro está na Livraria Cultura, mas na maioria dos casos tem que ser encomendado pela Internet. Também está no site da editora (WWW.bookess.com.br.) e pode ainda ser pedido pelo e-mail lulafalcao@gmail.com. Frete grátis. Vários lançamentos estão previstos para depois do carnaval: Rio, Santos, Fortaleza, Curitiba e Natal.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-0-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dá pra viver sem ideologia. Pode ser que não. Cada um tem a sua, embutida ou latente, determinando até os gestos. Para alguns funciona como substituto da alma. Ocorre que nunca será exatamente aquela ideologia prevista nos manuais. No fundo, todo mundo mistura elementos de esquerda e direita. Conheço gente que se considera de esquerda em relação a certos aspectos comportamentais (aborto, drogas, sexo), mas é um típico conservador quando a matérias é economia. Outro é o contrário. Ataca o capitalismo, mas não aceita certas libertinagens.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;-0-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe uma sensação muito comum em quem escreve – a frustração com uma frase que até um minuto atrás era avaliada como genial. Imediatamente o escritor cai numa crise sobre a qualidade de seu trabalho inteiro que, no final das contas, será a matéria prima do próximo livro. Então, sai a história, bem escrita e bem contada, todo mundo gosta, mas ele já estará em outro mundo, em busca de outra crise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;@_lulafalcao&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-6836664386171599706?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/6836664386171599706/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/02/tres-notas-e-um-anuncio.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/6836664386171599706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/6836664386171599706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/02/tres-notas-e-um-anuncio.html' title='Três notas e um anúncio'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-350119835434867747</id><published>2011-02-12T06:17:00.000-08:00</published><updated>2011-02-15T09:14:35.164-08:00</updated><title type='text'>Godard, cólica existencial etc.</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.interblogs.com.br/homerofonseca/index.kmf"&gt;Por Homero Fonseca&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei não. Assisti ao “Film Socialisme”, de Jean-Luc Godard, uma derradeira e sincera chance que me dei para me convencer da genialidade do incensado diretor e assim me sentir inteligente como seus epígonos. Continuo burro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que estou mexendo num vespeiro, mas nunca digeri bem a obra do gênio da Nouvelle Vague. Sei de sua importância como um teórico que quebrou paradigmas do cinema comercial etc. Entretanto, uma coisa é teorizar, outra, criar.Talvez esse seja o preço que os grandes inquietos pagam: apontam caminhos, mas eles próprios não vão a canto nenhum pelos caminhos que inventaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o caso do Joyce de “Ulisses” e “Finnegans”. Principalmente no primeiro (o segundo é tão delirantemente radical que mesmo Pound, principal avalista das experimentações do primeiro e responsável por sua “canonização”, o rejeitou), Joyce, que realmente sabia escrever, fez uma espécie de oficina do que seria o romance da modernidade. Ali estão todas as lições do texto contemporâneo, uma verdadeira aula. Mas como obra, é chato, pretensioso, hermético, cansativo, exagerado, quase gongórico.&lt;br /&gt;Claro que reconheço o papel fundamental das vanguardas para renovar as artes, rompendo padrões cristalizados. Mas defendo que nem toda obra vanguardista tem valor apenas por ser vanguardista...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As chatices de Godard se enquadram, talvez menos eficazmente, naquela categoria joyceana de obra-demonstração, que funciona como manifesto, em detrimento da fruição estética. Para piorar, sua produção é o que se pode chamar cinema retórico (que seriam das vanguardas sem o discurso “externo” à obra, que a explique e eleve?). Uma marca registrada do octogenário realizador francês. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em “Acossado”, que revi dia desses, não pude deixar de sorrir quando Jean Seberg, sentada num café à frente de Belmondo, faz uma pausa, assume um ar inteligente-casual meticulosamente encenado e pronuncia a frase pomposa: “Não sei se sou infeliz porque sou só, ou se sou só porque sou infeliz” (cito de memória e se a frase não é exatamente essa, é desse jaez). Em “O Desprezo”, o produtor de cinema interpretado por Jack Palance dispara “Quando ouço a palavra cultura, saco o meu talão de cheques”, numa paródia famosa e realmente engraçada de uma fala do personagem Thiemann, na peça “Schlageter”(1933), do dramaturgo alemão Hans Johst (“Quando ouço falar de cultura, saco logo a minha Browning”), que tem sido atribuída erroneamente ora a Goebbels ora a Goehring.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, nesse “Film Socialisme” somos confrontados com pérolas como "o dinheiro foi inventado para que os homens não precisem se olhar nos olhos”, que a rigor não diz nada. Ou a sensacional descoberta de que "é irônico que o lugar fundado por judeus seja chamado de Meca do cinema", que não passa de um trocadilho.&lt;br /&gt;É curioso como tantos cinéfilos, defendendo o cinema puro, não comercial, livre dos truques ilusionistas de Hollywood, engolem essa verborragia como o supra-sumo da arte imagística!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Film Socialiste” tem uma sucessão de frases pretensiosas feito essas. Só não tem história, nem personagens, nem sequências, nem interpretação, nem roteiro. É o paroxismo do experimentalismo, aquele que nega de tal forma a arte estabelecida que nega a própria arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E no entanto, vem sendo aclamado como mais uma obra-prima por críticos-tietes. Como escreveu Luiz Carlos Merten, do Estadão*: “ Godard prescinde de história, de personagens. É até meio difícil dizer do que, afinal, trata ‘Film Socialisme’. [grifo meu]Digamos que, como todo Godard, é, acima de tudo, uma reflexão sobre o cinema.” Ah!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa crítica deslumbrada e complacente termina por jogar nos ombros do espectador a responsabilidade da edição do filme: “Como o fio condutor é tênue, cabe ao espectador articular esses movimentos, retirando deles seus significados profundos.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por aí vai, com quase nenhuma análise da obra, mas com argumentos como: “Um pouco da biografia ilumina o gênio. (...) São 80 anos de vida e mais de 50 como diretor. Anarquista de direita, virou radical de esquerda. Revolucionou o cinema. Até Hollywood reconhece. Ele está sendo homenageado com um Oscar de carreira. Como iria recebê-lo numa cerimônia fechada, não na grande festa de março, não compareceu. Está certo. Não teria a mesma graça.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No jornal O Globo, o bonequinho que ilustra as resenhas de filmes aplaude de pé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: Aliás, por falar n'O Globo, na crítica do filme “Cisne Negro”, de  Darren Aronofsky, também aplaudido de pé pelo bonequinho (não vi ainda), Rodrigo Fonseca escreve coisas como: “Em nome do projeto estético de Aronofsky e de seu cinema de cólicas existenciais”...  Como não faço parte da confraria “inteligente”, não entendi direito o que ele quis dizer com “cólicas existenciais”. Teria algo a ver com diarréia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://http://.interblogs.com.br/homerofonseca/index.kmf"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-350119835434867747?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/350119835434867747/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/02/godard-colica-existencial-etc.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/350119835434867747'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/350119835434867747'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/02/godard-colica-existencial-etc.html' title='Godard, cólica existencial etc.'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-3869047473685969000</id><published>2011-02-08T09:09:00.001-08:00</published><updated>2011-02-08T17:26:26.304-08:00</updated><title type='text'>#tuiteira no Barão de Itararé</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/TVF5BznzLQI/AAAAAAAAAFE/LWkq4eB7bhs/s1600/Lan%25C3%25A7amento%2Bem%2B%2BS%25C3%25A3o%2BPaulo.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 226px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/TVF5BznzLQI/AAAAAAAAAFE/LWkq4eB7bhs/s320/Lan%25C3%25A7amento%2Bem%2B%2BS%25C3%25A3o%2BPaulo.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5571367285977984258" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-3869047473685969000?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/3869047473685969000/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/02/finalmente-o-lancamento.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/3869047473685969000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/3869047473685969000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/02/finalmente-o-lancamento.html' title='#tuiteira no Barão de Itararé'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/TVF5BznzLQI/AAAAAAAAAFE/LWkq4eB7bhs/s72-c/Lan%25C3%25A7amento%2Bem%2B%2BS%25C3%25A3o%2BPaulo.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-7775470965411698653</id><published>2011-01-27T15:24:00.001-08:00</published><updated>2011-01-27T15:33:35.066-08:00</updated><title type='text'>A mentira como arte</title><content type='html'>Aos poucos o tuiteiro mais observador começa a formar o perfil de seus seguidores e seguidos. Pessoas escancaram a vida, contam o que fazem naquele exato momento, se queixam, dão opiniões políticas, mostram predileções culturais, comentam o BBB, sugerem filmes, postam links obscuros, inventam novas línguas e muitos deles mentem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A que me refiro é mentirosa, culta e pobre. Há muita gente assim. Leu Proust, mas não conhece Paris. Tem emprego ruim, mal sobrevive, mas improvisaria bem como consultora de comunicação ou algo do gênero. Deu azar ou teve preguiça. Também poderia ser publicitária ou jornalista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marginal na vida, um pouco feia, se esconde de eventos sociais, mesmo bocas livres, para não esbarrar em algum de seus 1.728 seguidores. Todos eles crentes de sua vida glamorosa. Também não pode aparecer tanto por ai porque vive viajando de mentira. Seu último post foi do Estreito de Bósforo. Observações interessantes sobre a vida turca, diretamente da Casa Verde, São Paulo, onde mora com a mãe doente. Também esteve em Davos, por acaso, e passou o dia a discutir os rumos de um planeta multipolar, bipolar ou sem pólo algum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retuitadésima, invejada, respeitada, ela faz o gênero acima do bem do mal, mas sem afetação. Não cai nas garras do PT nem exibe qualquer sintoma de tucanismo. Eis o segredo. Outra manha é um avatar simbólico, quase como o “nome” que o cantor Prince adotou durante uns tempos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus interesses estão fora do País. Na semana passada, por exemplo, sua parada foi em Tânger, no Marrocos, onde Paul Bowles passou boa parte de sua vida. Ela parecia o próprio escritor, relacionando a paisagem local com romances, contos e poemas do autor de “The sheltering Sky”. Com invulgar propriedade. Sem nunca ter pisado no Norte da África – ou em qualquer outro lugar do mundo fora São Paulo – descrevia as pessoas e seus costumes com comentários ácidos e elegantes. Antropologia pura, texto na medida e incrível capacidade de reescrever o Google sem que ninguém notasse a origem de seus apontamentos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela mente e mente tão bem que seria um crime revelar sua verdadeira identidade. Reina sobre a Mentira. Mas a mentira cultural, elucidativa, correta nos adjetivos e citações. Uma pessoa, de fato, viajada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;@_lulafalcao&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-7775470965411698653?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/7775470965411698653/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/01/mentira-como-arte.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/7775470965411698653'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/7775470965411698653'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/01/mentira-como-arte.html' title='A mentira como arte'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-7565776778962909269</id><published>2011-01-17T13:42:00.000-08:00</published><updated>2011-01-17T13:43:06.477-08:00</updated><title type='text'>No super</title><content type='html'>-O senhor está sob o efeito de drogas?&lt;br /&gt;- Estou. Tomei um remédio pra labirintite.&lt;br /&gt;- Ah. Desculpe. É que seus olhos estão muito vermelhos e eu pensei...&lt;br /&gt;- Quanto foi?&lt;br /&gt;- R$ 17.80&lt;br /&gt;- Crédito.&lt;br /&gt;- Olha, não foi por mal, viu. Fiquei preocupada com o senhor. Estava zanzando sem destino, passou muito tempo na prateleira de material de limpeza. Ficou lendo as embalagens. O senhor leu umas dez embalagens e não pegou nada lá.&lt;br /&gt;- O que?&lt;br /&gt;- Nada. Estava só falando do seu jeito, desculpe, meio loucão.&lt;br /&gt;- Minha senhora eu tomei um remédio pra labirintite. Pega a nota pra assinar, por favor. Não estou me sentindo muito bem.&lt;br /&gt;- Parece que não. Quer que eu chame alguém? &lt;br /&gt;- Não precisa. Eu moro aqui perto.&lt;br /&gt;- Sabe, fiquei preocupada com o senhor e eu não costumo ficar preocupada assim com as pessoas.&lt;br /&gt;- Obrigado pela preocupação.&lt;br /&gt;- Olha, eu saio às 18h. Talvez a gente...&lt;br /&gt;- Sim?&lt;br /&gt;- Deixa pra lá. &lt;br /&gt;-Por quê?&lt;br /&gt;- Não sei. &lt;br /&gt;- Tchau&lt;br /&gt;- Ei. Minha mãe tem labirintite e o olho dela não fica vermelho assim, não.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-7565776778962909269?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/7565776778962909269/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/01/no-super.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/7565776778962909269'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/7565776778962909269'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/01/no-super.html' title='No super'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-5107385380295460832</id><published>2011-01-11T08:07:00.000-08:00</published><updated>2011-01-11T08:14:50.344-08:00</updated><title type='text'>#tuiteira no papel</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/TSyB9LVl9_I/AAAAAAAAAE4/V-oU40q0CeE/s1600/Convite.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 226px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/TSyB9LVl9_I/AAAAAAAAAE4/V-oU40q0CeE/s320/Convite.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5560962527911081970" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-5107385380295460832?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/5107385380295460832/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/01/tuiteira-no-papel_11.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/5107385380295460832'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/5107385380295460832'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2011/01/tuiteira-no-papel_11.html' title='#tuiteira no papel'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/TSyB9LVl9_I/AAAAAAAAAE4/V-oU40q0CeE/s72-c/Convite.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-3102703085810871506</id><published>2010-12-20T06:33:00.000-08:00</published><updated>2010-12-20T06:34:39.086-08:00</updated><title type='text'>Corporativês</title><content type='html'>Ao ingressar no fabuloso mundo corporativo, o primeiro passo é aprender mais uma língua. Não é propriamente o inglês. É o corporativês - idioma composto por palavras estrangeiras, siglas, verbos que não existem nos dicionários e clichês como “agregar valor”, “impactar nos negócios” ou “otimizar” qualquer coisa. Nesse ambiente, você precisa ser proativo, saber fazer um “approach” (abordagem) e um “Business Plan” (plano de negócios) , além de entender o “Core business” (negócio principal da empresa). Em caso de dúvida, procure uma Coaching (sessão de aconselhamento) “as soon as possible” (o quanto antes). Só assim, você terá um “Consumer understanding” (conhecimento profundo do cliente) e ganhará um elogio do “CKO - chief knowledge officer” (o gestor do capital intelectual da companhia).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você entender o “briefing” (informações necessárias para uma ação) e estiver em “sinergia” com seus “parteners”, talvez consiga um “Breakthrough” (avanço em determinada área) e, no futuro, crie um “case” (caso de estudo da empresa) ou, pensando mais alto, chegue ao cargo de “CEO” que, no dialeto das empresas, significa “chief executive officer”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, se o “clima organizacional” não estiver legal, o “budget” (orçamento) for ruim, o “Break even point” (a explicação é longa; vá ao Google) não rolar e o “Business Unit” (unidade de negócios) der para trás, você será chamado pelo “CHRO - chief human resources officer”, que se encarregará da “descontinuidade” de seu contrato de trabalho, ou seja, da sua demissão. Nesse caso, você pode fazer um “Counseling” (aconselhamento de carreira) e decidir que seu negócio é mesmo um concurso público para fiscal do IBAMA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_lulafalcão &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: texto publicado em 16 de abril. Em 2011, o blog volta à sua programação normal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-3102703085810871506?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/3102703085810871506/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2010/12/corporatives.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/3102703085810871506'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/3102703085810871506'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2010/12/corporatives.html' title='Corporativês'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-7503339549954539468</id><published>2010-12-08T14:08:00.000-08:00</published><updated>2010-12-08T14:09:13.386-08:00</updated><title type='text'>Jornal de ontem 1</title><content type='html'>Na preparação da Copa de 1978, na Granja Comary, o jornalista Eduardo Bueno (Peninha), hoje conhecido por seus livros sobre a história do Brasil, organizou um jogo de futebol entre jornalistas e a comissão técnica da Seleção Brasileira. Resultado: 4 x 0 para o pessoal da antiga CBD, presidida na época pelo brigadeiro Heleno Nunes. Peninha, no entanto, reuniu os colegas para deliberar um resultado menos vergonhoso a ser divulgado. Goleada não. Escolhemos 1 x 1 e assim saiu na imprensa. O assistente técnico Admildo Chirol ficou uma fera, especialmente quando viu, pregado no quadro de aviso do Hotel Higino, a análise das atuações. Os jornalistas apareciam como craques e os craques como pernas de pau. Peninha, goleiro, destacou sobre si próprio: “Mais inspiração do que Rimbaud no auge da adolescência”.&lt;br /&gt;                          &lt;br /&gt;                               ******&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Varadero, Cuba, 1994. Um grupo de jornalistas estrangeiros – brasileiros inclusive - foi convidado para uma coletiva com Hosmany Cienfuegos, ministro do Turismo, no Hotel Meliá. Eu estava no Estadão e faria uma série de matérias sobre política e comportamento na ilha. Feita a entrevista com Hosmani, recebemos, no dia seguinte, mais um convite para nova entrevista com o ministro. Quase ninguém quis ir. Os poucos que foram deram sorte. De repente, no parlatório, vestido com seu tradicional uniforme militar, aparece Fidel Castro. Quase três horas de entrevista e delírio de alguns jornalistas, que batiam palmas a cada fala do comandante. Mais emocionada, uma repórter espanhola, reagiu de forma desconcertante diante da presença do ídolo: fez xixi nas calças. &lt;br /&gt;                     &lt;br /&gt;                               ******&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queda do o Boeing 737-200 da Varig no dia 3 de setembro de 1989. O local era de difícil acesso. Da imprensa, eu e o fotógrafo Antônio Ribeiro, então colega da Veja, fomos os primeiros a chegar à clareira aberta numa área de floresta perto de São José do Xingu, na Serra do Cachimbo. O comandante do avião errou a rota, no voo Marabá-Belém, e teve que fazer um pouso forçado às 21h0h, no meio das árvores. O impacto contra as árvores causou a morte de 12 ocupantes e ferimentos em outros 42. Na chegada, o susto. Passageiros encostados em árvores, gemendo de dor, cheiro de morte vindo de dentro do avião e alguns pedaços da fuselagem espalhados no matagal. O comandante Garcez, autor da mancada e da façanha, já tinha ido embora. Ficou uma parte da tripulação. No meio da tragédia, uma imagem difícil de definir: uma jovem e bela aeromoça, de biquíni, tomava banho no rio das proximidades.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-7503339549954539468?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/7503339549954539468/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2010/12/jornal-de-ontem-1.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/7503339549954539468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/7503339549954539468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2010/12/jornal-de-ontem-1.html' title='Jornal de ontem 1'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-5542348794132429851</id><published>2010-12-07T11:41:00.001-08:00</published><updated>2010-12-07T11:42:43.453-08:00</updated><title type='text'>Thomaz Perina</title><content type='html'>Reservado, mas sempre disposto a uma boa conversa, o artista plástico Thomaz Perina viveu e trabalhou em Campinas, onde nasceu em 23 de maio de 1921 e morreu em novembro de 2009, aos 88 anos. Embora tenha obtido reconhecimento local e certa projeção no cenário nacional, para os críticos, ele sempre mereceu ocupar um lugar de maior destaque nas artes plásticas do País.  No dia 27,  foi dado um importante passo para o reconhecimento mais amplo do artista com a inauguração da sede própria do Instituto Thomaz Perina (TTP).  Para celebrar a abertura da sede foram organizadas duas exposições: “Retratos de Perina – Olhares sob forma de arte” - uma seleção de vários retratos de Perina, realizados por seus amigos, e de livros de artistas inspirados em sua obra. Entre os autores estão Bernardo Caro, Helio Lete, E. Beckers, Maria Helena Mota Paes, Silvia Matos, Gildo, Tadeu, Paulo Branco, Cecília Perina Mazon, João Antonio Buttrer, Sebastião Guimarães, Mauricio Squarisi, Dayz Peixoto, Roger, Geraldo Porto, Victor Fiegert, Rafaela Azevedo, Vera Ferro e Joel Luiz Bueno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O acervo acumulado pelo artista durante seis décadas de trabalho e pesquisas é composto de mais de duas mil peças e esta organizado em três coleções: produção, documentação e Aquisição. Os trabalhos de inventário e organização do acervo foram realizados pelo ITP, sob a coordenação da historiadora Sônia Fardin, contou com a intensa participação de Thomaz Perina e foi parcialmente registrado em vídeo, material com o qual foi produzido o documentário “Eu Quero o Mínimo Pra Falar (Timbro Filmes - 2009), com direção de Camilo Cassoli. Exposição homônima foi realizada pelo instituto, na CPFL Cultura no mesmo ano. Com o falecimento de Perina, em novembro de 2009, iniciou-se o transferência das mesmas para a sede própria do instituto. O ITP, vem cuidando de preservar das obras e das lições de vida que a trajetória de Perina legou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ITP, o público também terá acesso a outra exposição, “O Restauro do Livrão”, que apresenta ao público detalhes do trabalho de restauro realizado uma das mais importantes peças do acervo, o Livrão, livro de artista de Thomaz Perina. A peça é composta por documentos datados entre 1925 e 1999. Seu conteúdo é constituído de recortes de imprensa, fotografias, convites, catálogos, cartazes, diplomas. O Livrão é uma obra trabalhada pelo artista no período de 1949 a 1999. Programas, folhetos, calendário, envelopes e revista, totalizando 614 itens distribuídos em 341 páginas. A elaboração do livro foi iniciada por Perina no final da década de 1940, quando suas obras começaram a receber premiações. “Ao ampliarmos o estudo da dimensão estética e aprofundarmos a análise de sua plasticidade, identificamos o Livrão de Thomaz Perina como uma obra da categoria Livro de Artista e, principalmente, como parte integrante de seu processo de criação artística”, observa a historiadora Sônia Fardin, coordenadora da restauração e curadora do ITP. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trajetória&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A trajetória de Perina tem momentos de grande significado. Nascido em 1921, ele morou toda a sua vida na Vila Industrial de Campinas. Aos 10 anos de idade, já desenhava, utilizava carvão de cozinha para desenhar figuras nas calçadas de sua rua. Também desenhava nas lousas da escola e em papéis, com lápis de cor. Ainda na adolescência, aprendeu a manusear com habilidade tintas, papéis, telas e pincéis e passou a dominar recursos e linguagens que marcaria sua arte ao longo de décadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1944, aos 23 anos, Perina apresentou-se pela primeira vez num Salão de Artes. Foi no segundo Salão de Belas Artes de Campinas e recebeu elogios pela suavidade e o lirismo de sua pintura. Um ano depois, no III Salão, Perina recebia o 1º Prêmio, na categoria Pastel, com seu trabalho "Vestido Branco".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Thomaz Perina não se prendeu ao estilo acadêmico e logo seu trabalho seria marcado pela economia de elementos. Surgia ali a matriz de sua obra vindoura: cores rebaixadas, quase neutras, que não mais induziam à presença humana.  Como artista sempre a procura de novidades, Perina visitava livrarias e exposições e estava sempre experimentando novas composições. O grande salto de sua obra, no entanto, se deu quando ele visitou a I Bienal de Arte Moderna de São Paulo, em 1951. “Foi um impacto”, lembrou o artista. “A partir dali descobri que deveria ousar mais em minhas experiências”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo suas declarações, sua trajetória divide-se em duas fases: a de artista acadêmico, com a qual rompeu no final da década de 1950, e a posterior, com sua pesquisa marcada pela busca de uma autonomia técnica e estética na exploração dos limites entre figurativo e abstrato, pois “queria moldar um estilo próprio, todo meu”. Nesse percurso, deixou de dar aulas na escola de desenho e pintura acadêmica, pois “não podia mais ensinar aquilo que não mais acreditava”. Começou a produzir muitos esboços e a dedicar-se exclusivamente ao tema por ele denominado como “síntese da paisagem”. Também passou a dar o título PAISAGEM a todas as suas obras: “a paisagem sempre foi o meu tema”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir da visita à primeira Bienal, impactado por trabalhos como os de Picasso e Paul Klee, Thomaz iniciou uma intensa pesquisa, que resultou no início da adoção de linhas abstratas, e extremamente particulares explorando as tensões entre figurativo e abstrato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1957, Perina e um grupo de artistas realizam em Campinas a I Exposição de Arte Contemporânea, um ano depois, resolveram criar o grupo Vanguarda. O poeta concretista Décio Pignatari, que acompanhou a fase inicial do grupo, observou que os artistas campineiros, com Thomaz Perina à frente, formaram um movimento de arte que obteve projeção para além das fronteiras do Estado de São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paralelamente a seu trabalho com arte abstrata, também se envolveu com o desenvolvimento da decoração de interiores e a ornamentação de salões para o carnaval (atividades que exerceu profissionalmente). Nessas também extravasava seu gosto pela invenção, e competência na articulação entre os variados elementos de composição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prêmios&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1944, aos 23 anos, Perina apresentou-se pela primeira vez num Salão de Artes. Foi no segundo Salão de Belas Artes de Campinas e recebeu elogios pela suavidade e o lirismo de sua pintura. Um ano depois, no III Salão, Perina recebia o 1º Prêmio, na categoria Pastel, com seu trabalho "Vestido Branco".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa premiação marca a primeira fase de sua trajetória, com participações em Salões de Belas Artes (Campinas e São Paulo) - com premiações, de 1945 a 1953 - e em Salões de Arte Contemporânea (diversas cidades brasileiras), onde recebeu prêmios e de 1959 a 1966. No início dos anos 50, em companhia do amigo e pintor, Mário Bueno, Perina iniciava o processo de radicalização de sua pintura, abandonando o pastel, efetuando experiências com outras técnicas e criando estilizações para suas sínteses da paisagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1959, Perina, por ter exposto na Galeria das Folhas, participou da exposição para o prêmio de Leirner de Arte Contemporânea (SP); em 1960, recebeu Medalha de Prata no IX Salão de Arte Paulista de Arte Moderna. E no ano seguinte, recebe o Prêmio Governador do Estado, o máximo que poderia desejar um artista naquela época. Perina teve expressiva participação no abstracionismo brasileiro, foi aclamado pelos concretistas, recebeu elogios de críticos como Décio Pignatari e Waldemar Cordeiro, e conviveu com grandes expoentes da pintura. Conjuntamente com os artistas Manabu Mabe e Arcanjo Ianelli, por exemplo, foi selecionado para participar da International Art Exhibition, em Tóquio, no ano de 1961. Sua arte, no entanto, ainda é praticamente desconhecida além das fronteiras de Campinas. As experiências formais mais ousadas de Perina permaneceram afastadas do público. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há com se referir a Thomaz Perina sem mencionar sua relação com o teatro. Ele participou diretamente da vida teatral ao criar cenografias e figurinos, atendendo a convites de grupos teatrais de Campinas. Também se envolveu com decoração de interiores e a ornamentação de salões para o carnaval (atividades que exerceu profissionalmente), em que extravasava seu gosto pela invenção, e competência na articulação entre os variados elementos de composição. Chegou a experimentar o desenho de fantasias, para carnaval, publicadas nos jornais da cidade nos anos 70.  Mas seu grande legado foram os trabalhos abstratos, produzidos no isolamento de seu atelier em Campinas . “A solidão está presente em todos os meus trabalhos e é expressa pela falta de policromia, pela redução da cor a estado quase neutro, pois na realidade sou uma pessoa sozinha”, definia-se Perina. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SERVIÇO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exposição Retratos de Perina – Olhares sob a forma de arte&lt;br /&gt;Local: Rua Santo Antonio Claret, 229 Castelo – Campinas – SP&lt;br /&gt;Data: 27 de novembro&lt;br /&gt;Horário: 10h&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-5542348794132429851?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/5542348794132429851/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2010/12/thomaz-perina.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/5542348794132429851'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/5542348794132429851'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2010/12/thomaz-perina.html' title='Thomaz Perina'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-8226510969504463879</id><published>2010-12-01T05:32:00.000-08:00</published><updated>2010-12-01T10:34:39.736-08:00</updated><title type='text'>Anotações do Alemão</title><content type='html'>- Em 1994, o Exército tomou o Rio de Janeiro e nos deslocamos de São Paulo para lá. Quase um mês na cidade, num roteiro cotidiano do hotel em Copacabana para o Complexo do Alemão. Na época, a população achou que seria o fim do tráfico. Não foi. Em poucos dias de ocupação, presenciamos a continuação do comércio de drogas quase na frente dos militares. Um dos soldados do tráfico, numa entrevista, afirmou que a vida tinha que continuar. “Quem vai sustentar minha família?”, perguntou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Numa dessas incursões no complexo terminamos ficando até mais tarde e, surpresa, o Exército e os fuzileiros navais tinham ido embora. Fim do expediente. Era noite. Não havia como voltar por falta de carro. Paramos num bar para tomar cerveja. O fotógrafo Vidal Cavalcanti, colega do Estadão, puxou conversa com um mal encarado, conhecido traficante. Ele olhou para Vidal e reclamou: “vocês de São Paulo estão querendo destruir a imagem do Rio”. Vidal encarou: “E vocês?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Já era noite quando Vidal resolveu dar uma passada no Morro Chapéu Mangueira para ver e fotografar – se possível - a movimentação do tráfico. Havia uma fila, grande, e um cara organizando o negócio: “branco desse lado (cocaína) e preto nesse outro”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Conseguimos uma vez autorização para entrar no bunker de um dos líderes do tráfico. O repórter Marco Uchoa tinha chegado primeiro. Havia um churrasco. Pedaços enormes de carne. Carreiras enormes de cocaína. Eles cheiravam, mas não perdiam o apetite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- De uma forma geral, os moradores do Alemão e Nova Brasília aplaudiam os militares, as meninas paqueravam os soldados, mas não havia reclamação pública contra o pessoal do tráfico. Bronca mesmo, só da imprensa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;@_lulafalcão&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-8226510969504463879?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/8226510969504463879/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2010/12/anotacoes-do-alemao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/8226510969504463879'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/8226510969504463879'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2010/12/anotacoes-do-alemao.html' title='Anotações do Alemão'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1548686048682349283.post-7673915108154512188</id><published>2010-11-17T06:24:00.001-08:00</published><updated>2010-11-17T06:24:32.184-08:00</updated><title type='text'>As guerreiras de Tejucopapo</title><content type='html'>A luta foi desigual. Cerca de 500 holandeses, fortemente armados, saíram da Ilha de Itamaracá, em Pernambuco, para saquear a pequena aldeia de São Lourenço do Tejucopapo, hoje distrito de Goiana, a 63 quilômetros do Recife. No local, quase não havia homens para resistir ao ataque. Restava basicamente uma tropa maltrapilha de mulheres - a maioria agricultoras de origem indígena. Mesmo assim, naquele abril de 1646, travou-se ali uma batalha épica, de fortes contra fracos, que entrou para história por ter terminado com a vitória do improvisado exercito feminino e a expulsão dos invasores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Camarão, Maria Quitéria, Maria Clara e Joaquina estavam à frente desse combate e, segundo historiadores, elas e suas companheiras usaram como armas objetos rústicos: estrovengas, paus, pedras e chuços – espécie de lança para catar crustáceo. Tachos com água fervente e pimenta foram especialmente preparados para peleja. O alvo eram os olhos do inimigo. Desnorteados pela ardência da mistura, os soldados holandeses caíam estrebuchando nas roças ou na única rua do povoado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Avisadas da invasão, as guerreiras de Tejucopapo adotaram a mesma tática de guerrilha de seus homens que, no momento da batalha, se encontravam no Recife, vendendo caranguejos, ou envolvidos em tocais em outras plagas do litoral norte pernambucano. Sozinhas, elas preparam a resistência: construíram cercas paliçadas, cavaram trincheira e planejaram emboscadas. Na hora “H” também partiram para o luta direta, aos gritos, movidas pela fé religiosa e pelo desejo de defender a terra. Mais ardorosa, a líder Maria Quitéria seguia à frente, com um crucifixo em punho, bradando orações para os santos mártires Cosme e Damião. Os holandeses, então recuaram por algum tempo, mas voltaram para vingar seus mortos. Nessa investida, com machados e alfanjes (espécie de sabre), derrubaram paliçadas e mataram um número de mulheres até hoje não calculado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vitória holandesa, no segundo pico das escaramuças, parecia assegurada. Mas a resistência seguiu o ritmo do primeiro ataque, com nova carga de água fervente com pimenta. Estropiados, os soldados flamengos resolveram partir em retirada, pois àquela altura alguns homens nativos já estavam a caminho de São Lourenço, com suas espadas e espingardas. No final da sangrenta batalha, que durou quase todo o dia, havia 300 cadáveres holandeses no chão. Os sobreviventes correram para o porto, em busca de suas barcas de remo e vela, deixando para trás apetrechos de guerra, mantimentos roubados e corpos ensanguentados. Nunca mais voltariam ao povoado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com a professora Luzilá Gonçalves Ferreira, pesquisadora da história das mulheres em Pernambuco e autora do livro “Mulheres e Abolição da Escravatura no Nordeste”, os holandeses foram até o aldeamento porque, já nos estertores da dominação em Pernambuco – e sem a presença de Maurício de Nassau , que voltou à Europa em 1643 -, armazéns do Recife e de Itamaracá se encontravam vazios, pois custavam a chegar alimentos do Recife. Famintos, mas bem armados, tiveram então que procurar provimentos mais ao norte. Tejucopapo tinha um porto e era passagem para o fértil povoado de São Lourenço. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No povoado, os invasores poderiam encontrar – e saquear - plantações e engenhos. “Sabiam [os holandeses] que em seu distrito havia roçarias de mandioca em muita quantidade, por ser a terra fértil e abundante delas, e muitos legumes e frutas de espinhos; e matando os moradores desta povoação antes que pudessem ser socorridos da nossa infantaria de Igarassú e da Goiana, de que era capitão maior Zenóbio Aciole”, registra Diogo Lopes Santiago, em “História da Guerra de Pernambuco”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A historiografia brasileira assinala 400 baixas nas linhas flamengas e dá a Maria Camarão a primazia de ter convocado as mulheres para a guerra. Para os holandeses, o número de mortos não passou de 70. Em seus escritos sobre os fatos, o viajante Joan Nieuhof (Uelsen, 1618 - Madagascar, 1672) dá a versão dos invasores. “Considerando que a escassez de provisões constituía um dos principais obstáculos a serem vencidos do nosso lado”, escreveu ele, “julgou-se necessário estabelecer um pequeno acampamento perto de São Lourenço. Na narrativa de Nieuhof, que esteve na Índia e no Ceilão a serviços da Companhia das Índias Ocidentais, o efetivo era bem menor: “para lá foram enviados os tenentes Huykquesloot e Hamel, com 35 homens cada um, o primeiro procedente de Igarassú e o último de Muribeca, bem como o Capitão Wiltschut com mais 50 homens, do Recife, e Johan Listry, comandante em chefe dos brasileiros”. Pelo relato do viajante, o destacamento holandês era assim constituído:  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Companhia comandada pelo Capitão Klaes Klaesz - 9 homens;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Forte Quinquangular (Cinco Pontas) - 25 homens;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Forte dos Afogados - 25 homens;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Itamaracá, sob o Comando do Capitão Willem Lambertsz - 50 homens;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voluntários de Itamaracá - 30 homens;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brasileiros (nativos) - 150 homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer forma, pesquisadores como José Bernardo Fernandes Gama (“Memórias Históricas da Província de Pernambuco”), Antônio Joaquim de Mello (“Varões Ilustres de Pernambuco”) e Pereira da Costa (“Anais Pernambucanos”) dão ao feito o caráter de “heróico”, baseados em grande parte em relatos de “O Valoroso Lucideno”, de Frei Manuel Calado, contemporâneo de tais acontecimentos. “Não sei se podemos chamar de ‘batalha’ os combates havidos em Tejucopapo”, afirma Luzilá, “O certo é que a derrota holandesa é descrita como resultado de uma espantosa coragem das senhoras que enfrentaram o inimigo com as poucas armas que possuíam”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Século XIX – Contudo, até o início do século XIX, a resistência contra os holandeses em Pernambucano se restringia ao heroísmo masculino, representado especialmente nos atos de bravura do senhor de engenho André Vidal de Negreiros, de João Fernandes Vieira, do afro-descendente Henrique Dias e do indígena Felipe Camarão. Tejucopapo, esquecida por quase dois séculos, só ganhou alguma referência quando o País começou a construir sua identidade nacional e, de certa forma, a escrever sua história com mais objetividade e respeito às fontes documentais, seguindo a tradição germânica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir da metade do século XIX as mulheres de Tejucopapo já tinham alguma notoriedade. O historiador Antônio Joaquim de Melo lembra que ao visitar Pernambuco, em 1859, o imperador Dom Pedro II foi ao povoado de São Lourenço para ver “o lugar onde as heroínas tejucupapenses, essas amazonas que se imortalizaram na história, roubaram aos homens a glória de defenderem a pátria contra o domínio estrangeiro”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Marcos Galindo, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e autor de livros sobre o período, o episódio existiu, está razoavelmente documentado, mas não teve importância significativa no conjunto da Restauração Pernambucana. Contudo, salienta Galindo, as escaramuças de Tejucopapo serviram para agregar um mito à identidade nacional. “Os mitos são tão fortes quanto à história no processo social e civilizatório”, observa. “E atendia às necessidades de consolidação da nação em construção no século XIX”, acrescenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nove anos depois de Tejucopapo, as tropas comandadas por Sigismund van Schkoppe se renderiam no Recife, após a famosa Batalha dos Guararapes, encerrando 24 anos de dominação holandesa. A luta das mulheres guerreiras ficou como um episódio isolado e pouco levado em conta no contexto da chamada “Restauração Pernambucana”. Desde o século passado, no entanto, a memória dessa batalha vem sendo recuperada. “Não é um fato para ser negligenciado”, afirma o jornalista e pesquisador Marcílio Brandão, autor de um filme sobre o tema. “Foi a primeira participação de um coletivo feminino em um conflito armado no Brasil”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;@_lulafalcão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Publicado originalmente na revista Aventuras na História (junho 2010)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1548686048682349283-7673915108154512188?l=www.lulafalcao.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lulafalcao.com.br/feeds/7673915108154512188/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2010/11/as-guerreiras-de-tejucopapo.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/7673915108154512188'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1548686048682349283/posts/default/7673915108154512188'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lulafalcao.com.br/2010/11/as-guerreiras-de-tejucopapo.html' title='As guerreiras de Tejucopapo'/><author><name>Lula Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17561078759148743930</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_FzWe69-PvRg/S_WBaxMETPI/AAAAAAAAADo/lLtKiOq29-w/S220/Foto+Lula+Falc%C3%A3o.jpeg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
